Sonho de medalha olímpica de Hugo Calderano em Paris passa pela China

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**Arquivo**SÃO CAETANO / SÃO PAULO / BRASIL -21 /04/22  Entrevista Hugo Calderano  ( Foto: Karime Xavier / Folhapress)
**Arquivo**SÃO CAETANO / SÃO PAULO / BRASIL -21 /04/22 Entrevista Hugo Calderano ( Foto: Karime Xavier / Folhapress)

SÃO CAETANO DO SUL, SP (FOLHAPRESS) - Número três do mundo e maior mesa-tenista da história do Brasil, Hugo Calderano, 25, acredita ser mais popular na China do que na sua terra natal.

Ele constata isso pelos números nas redes sociais e, principalmente, pela reação que provoca quando vai ao país asiático.

No Weibo, rede social chinesa, Calderano tem mais de 100 mil seguidores locais. No Instagram, são 180 mil.

"Mas aí é gente do mundo todo. No Weibo, não", explica.

A intenção do brasileiro é estreitar este contato porque por ali passa o seu caminho para a inédita medalha olímpica em Paris-2024. Seu plano é, no futuro próximo, jogar a liga chinesa. Por conta própria, começou a estudar mandarim. Não está fluente, mas consegue se comunicar bem.

Quando for para a China, acredita que terá a chance de competir em um campeonato diferente dos demais e onde estão os dois atletas à sua frente no ranking mundial.

"Sempre que eu vou à China, a galera é bem fanática. Há muitos jogadores estrangeiros que quando vão lá não conseguem ganhar muitos jogos, mesmo de chineses que não são conhecidos no cenário internacional. Também há chineses que quando saem para torneios fora não jogam bem porque estão acostumados com o estilo de jogo deles e não se adaptam. O nível é muito alto e dá para aprender bastante, principalmente com os melhores. Faz um tempão que eles estão no topo. Se conseguir jogar contra eles com frequência, vou evoluir", acredita.

Os principais alvos são Fan Zhendong e Ma Long, números 1 e 2, respectivamente, do ranking mundial. Os dois têm dominado as competições internacionais. Nas Olimpíadas de Tóquio, Long foi ouro e Zhendong, prata. A China conquistou todas as primeiras colocações da modalidade, menos nas duplas mistas. Ficou em segundo.

O plano de Calderano não é novo, mas a pandemia da Covid-19 atrapalhou tudo. Ele também estava perto de chegar à final da Champions League, o mais importante torneio de clubes no tênis de mesa, mas a Guerra da Ucrânia impediu.

O brasileiro era atleta da Fakel Orenburg, equipe russa patrocinada pela Gazprom, a estatal de energia do país. Estavam na semifinal e ganharam o primeiro jogo por 3 a 1.

Foi quando a Rússia invadiu o território ucraniano. O time foi retirado da competição e Calderano rescindiu contrato. Está sem clube agora, mas, como ele mesmo reconhece, para o número três do mundo não faltam propostas.

"Dentro de tudo o que está acontecendo, o tênis de mesa se torna irrelevante. É claro que é chato para a gente porque quando estava chegando na fase mais divertida e legal, não pode mais jogar. Mas o que podemos fazer? Temos de aceitar porque é algo muito maior do que o tênis de mesa", reconhece.

Calderano mora há oito anos na Alemanha e o tempo fora do Brasil o ajudou a tornar-se um atleta diferente dos demais. Tem grande interesse em línguas (fala cinco de forma fluente: português, inglês, espanhol, alemão e francês e se comunica bem em italiano e mandarim) e gostava de brincar com cubo mágico como forma de lhe dar rapidez nas mãos, além da diversão.

Ele vai voltar para a Europa no final de maio. Até lá, fica no Brasil, aonde geralmente vem apenas para passar férias. Não neste ano. Está em período de treinos em São Caetano do Sul (região do ABC Paulista), ao lado de outros atletas da equipe nacional e da França, contra quem vai disputar torneio no Rio de Janeiro, no início do próximo mês.

É observado por adolescentes que também praticam o tênis de mesa em times do município. Carioca, ele se mudou para São Caetano aos 14 anos, acompanhado pelo avô, para se dedicar de verdade ao esporte que até então era apenas um hobby.

Mesmo com uma longa carreira pela frente ainda, uma das preocupações de Calderano é que legado pode deixar na modalidade. Porque o Brasil nunca teve um atleta tão relevante quanto ele e em posição tão alta no ranking.

"Um dos meus objetivos é tornar o tênis de mesa mais popular. Além de fazer isso com os meus resultados, quero estar com os mais jovens sempre que posso. Eu vejo com meus próprios olhos o tênis de mesa ficar mais popular. É lógico que ainda está longe dos esportes mais conhecidos do país, mas as Olimpíadas no Rio e em Tóquio contribuíram bastante para as pessoas acompanharem o tênis de mesa."

Fora os dois Jogos nos quais participou. Em 2016, parou nas oitavas de final. Em Tóquio, uma das imagens mais fortes da delegação brasileira foi a das lágrimas de Calderano após perder de virada para o alemão Dimitrij Ovtcharov, nas quartas de final.

Depois disso, ele obteve o melhor resultado da carreira. Em setembro do ano passado, ganhou a etapa de Doha do circuito mundial, feito inédito no esporte nacional, e chegou à terceira posição do ranking.

"Falando de forma realista, o Fan Zhendong está muito acima. Acho que os dois [Zhendong e Ma Long] estão muito acima de todo mundo. Acredito 100% que posso ganhar deles em um jogo, talvez nos Jogos Olímpicos ou no Campeonato Mundial, mas ter a regularidade que eles têm é outra história", constata.

O próprio Hugo Calderano, porém, ensaia um sorriso com a resposta. Pois para ganhar a medalha olímpica, uma vitória pode bastar.

"Eu não coloco limites para mim mesmo. Eu sei que posso chegar lá. Treino para isso."

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