Son e outros: por que jogadores coreanos precisam passar pelo serviço militar

Detalhe pouco comum entre atletas de outros países, os jogadores da seleção da Coreia do Sul – que enfrenta o Brasil nesta segunda-feira nas oitavas de final da Copa do Mundo – dividem não apenas a camisa do país, mas também os uniformes das forças armadas coreanas. Com as regras duras de serviço militar no país, vários dos atletas já precisaram dar pausas na carreira do futebol para cumprir a lei.

Na Coreia, todos os homens devem completar o serviço militar obrigatório de 21 meses até os 28 anos, mas há brechas. O prazo do craque Son Heung-min, terminaria em 2018, e ele só teria alguma isenção se conquistasse algo pela seleção.

Quando o país foi eliminado na Copa da Rússia, o atacante ficou tenso, mas o alívio veio com a vitória nos Jogos Asiáticos de 2018, que garantiu que o serviço militar tradicional fosse substituído por apenas três semanas de treinamento.

Com um período menor a ser cumprido, o jogador do Tottenham aproveitou o hiato forçado da liga inglesa por conta da pandemia e seguiu para o Corpo de Fuzileiros Navais do país. Segundo a rede BBC, autoridades disseram que o jogador se destacou em habilidades de tiro e foi o melhor entre 157 estagiários, o que lhe garantiu o prêmio de melhor desempenho.

“Foi uma boa experiência”, disse Son, na época, ao The Guardian. “Não poderia dizer tudo o que fiz, mas gostei muito. Esses caras eram legais. As três semanas foram difíceis, mas tentei aproveitá-las. Aqueles caras, no primeiro dia e no segundo dia, eles nem conseguiam falar comigo, mas no final eles estavam brincando comigo e estávamos curtindo todos juntos.”

Son não é o único. A vitória da Coreia do Sul nos Jogos Asiáticos garantiu que o goleiro Jo Hyeon-woo e o zagueiro Kim Min-jae também cumprissem apenas um "ciclo básico". Quatro anos antes, outro goleiro da seleção, Kim Seung-Gyu, também ficou livre do período completo de serviço militar com a medalha de ouro do país na competição após 28 anos de jejum.

O zagueiro Kim Young-Gwon teve privilégios com a medalha de ouro da Coreia nos Jogos Olímpicos de 2012. Já o camisa 9 Cho Gue-sung, artilheiro da K League, defendeu o Gimcheon Sangmoo, time das Forças Armadas, entre 2021 e 2022.