Sob pressão constante, Rogério Ceni tem cinco desafios no Flamengo na reta final do Brasileirão; veja lista

Lucas Pessôa*
·5 minuto de leitura


O momento não é nada favorável e a pressão é constante, mas, diante da falta de "soluções caseiras", Rogério Ceni deve seguir no comando do Flamengo até o fim do Brasileirão. Faltando apenas sete jogos, o treinador tem uma série de desafios pela frente para tentar reerguer o Rubro-Negro, tendo a conquista do título brasileiro como grande objetivo.

+ Veja as contas para título, G6, Sul-Americana e rebaixamento do Brasileirão

O primeiro - e principal - obstáculo é a atual situação do Flamengo na tabela. Com um jogo a menos do que os concorrentes diretos, o clube carioca está na quarta posição, com 55 pontos - sete a menos que o líder Internacional. Segundo o matemático Tristão Garcia, o Rubro-Negro tem apenas 6% de chances de ser campeão.

O próximo compromisso da equipe é diante do Grêmio, nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), em Porto Alegre. Válido pela 23ª rodada, o duelo irá definir um panorama mais realista da condição do Flamengo na briga pelo título e terá transmissão em Tempo Real do LANCE!.

+ Veja mais notícias do Flamengo
+ Ainda dá para o Fla? Confira a tabela completa do Brasileirão

Abaixo, o LANCE! lista cinco desafios para Rogério Ceni:

1. ENCONTRAR A REGULARIDADE

Qualquer possibilidade do Flamengo conquistar o título se passa por uma grande arrancada na reta final do Brasileirão, algo pouco imaginável pelo histórico recente. Desde a chegada de Rogério Ceni, em novembro, o Flamengo vive uma montanha-russa, alternando bons e maus momentos, mas nunca engatando uma série de resultados positivos.

Nessa curta passagem, o máximo de vitórias que a equipe rubro-negra teve em sequência foram três - quando venceu Botafogo, Santos e Bahia, em dezembro. Em seguida, ficou três jogos sem vencer e, depois, engatou dois triunfos consecutivos - sobre Goiás e Palmeiras. Quando imaginava-se que finalmente haveria uma arrancada rumo ao topo, mais um balde de água fria: a derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, no último domingo.

Em um campeonato tão equilibrado e imprevisível como o Brasileirão, uma série de vitórias é capaz de mudar totalmente o panorama de um time na tabela. O caso do líder Internacional serve de inspiração. Na 24ª rodada, o Colorado estava sexta posição, a 12 pontos do São Paulo. Após vencer os últimos oito jogos, o clube gaúcho já se tornou o principal candidato ao título.

2. RECUPERAR O LADO DIREITO DO TIME

Sob comando de Everton Ribeiro e Rafinha - e posteriormente Isla -, o lado direito se tornou uma das principais armar ofensivas do Flamengo. Desde os tempos de Jorge Jesus até a passagem de Domènec Torrent, a equipe se caracterizava por atrair o adversário para o lado esquerdo e virar o jogo para explorar o bom entrosamento e a qualidade do lado oposto.

No entanto, desde que Rogério Ceni chegou ao Flamengo, o setor caiu de rendimento. Everton Ribeiro, considerado uma das peças-chave da equipe, não vem conseguindo apresentar metade do que fez em 2019. Isla, que começou bem e distribuindo assistências, não dá um passe para gol desde 21 de novembro.

É inegável que os jogadores não vivem um bom momento individual, mas cabe ao treinador achar soluções para recuperá-los e facilitar a criação de jogadas por esse lado. Qualidade técnica todos sabem que eles têm.

Everton Ribeiro - Flamengo
Everton Ribeiro - Flamengo

Isla e Everton Ribeiro não vivem bom momento (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

3. COMO ESCALAR PEDRO E GABIGOL JUNTOS?

O tema mais presente nas críticas a Rogério Ceni ultimamente. Apesar de declarar, na apresentação, que não teria problema em escalar Pedro e Gabigol juntos, o treinador não manteve a palavra. Até o momento, os atletas dividiram o campo em apenas 45 minutos sob o comando do técnico.

A substituição de um pelo outro se tornou algo comum na etapa final das últimas partidas. O assunto ficou ainda mais em evidência após Rogério Ceni dar sucessivas chances a Rodrigo Muniz ao lado de um dos dois centroavantes. A explicação do treinador é que o jovem consegue fazer a recomposição lateral, enquanto Gabigol e Pedro não conseguiriam.

Desde a chegada ao clube, Rogério Ceni teve diversas semanas livres para treinos, mas justifica que ainda não treinou o suficiente para escalá-los de início. Mesmo assim, em certas circunstâncias do jogo, precisando de um gol para garantir o resultado, não faz sentido não ter os dois principais artilheiros da equipe na temporada em campo.

Pedro e Gabigol - Flamengo
Pedro e Gabigol - Flamengo

Pedro e Gabigol em ação pelo Fla (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

4. RETOMAR A CONFIANÇA DO ELENCO E DA DIRETORIA

É inegável: Rogério Ceni já não conta com o mesmo prestígio que tinha antes com 100% do grupo de jogadores e da diretoria. Apesar de manter um diálogo ativo com as principais lideranças do elenco, o treinador não é mais uma unanimidade como no início do trabalho, em novembro de 2020.

Publicamente, claro, os atletas sempre defendem o comandante e elogiam o método de trabalho, mas os maus resultados recentes indicam vozes dissidentes no grupo. Dentro da diretoria, há desconfianças e discordâncias sobre algumas decisões do treinador.

É fundamental que todas as arestas sejam aparadas. Para pensar em uma possível arrancada rumo ao título brasileiro, Rogério Ceni precisa fazer o elenco acreditar nas suas ideias sobre futebol e ter um ambiente de paz dentro do clube.

Flamengo - Vestiário
Flamengo - Vestiário

Elenco do Fla reunido no vestiário (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

5. CONQUISTAR O AFETO DA NAÇÃO

Por fim, o desafio mais difícil para o treinador. Apesar de chegar com a moral elevada, ele nunca foi unanimidade entre a torcida do Flamengo. E, depois de pouco mais de dois meses de trabalho, a maioria esmagadora dos rubro-negros já não acredita em Rogério Ceni, sendo difícil encontrar alguém que o defenda.

Com os estádios vazios e sem acompanhar as redes sociais, o treinador parece viver em um "mundo paralelo", alheio às críticas e aos questionamentos. Se por um lado, essa opção pode ser positiva, por outro, o afasta ainda mais dos 40 milhões de flamenguistas, que detém uma forte influência sobre o que ocorre no clube.

É claro que o torcedor é "resultadista" e, diante do cenário da temporada, apenas o título brasileiro fará com que Ceni conquiste o carinho da torcida. No entanto, atitudes coerentes e um discurso mais condizente com a realidade podem facilitar o processo.

* estagiário sob supervisão de Victor Mendes