Skatista Gui Khury sonha com Olimpíadas depois de 2021 'insano'

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FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - O 2021 de Gui Khury foi "insano", como define o próprio garoto que, aos 12 anos, acertou uma manobra inédita nos X Games. Em julho, na Califórnia, o jovem skatista brasileiro completou o primeiro giro de 1.080 graus da história em uma competição na rampa vertical.

Gui, que fez 13 anos neste sábado (18), concretizou assim o plano traçado em 2020, quando acertou a manobra pela primeira vez durante um treinamento na pista montada na casa de sua avó em Campo Largo (região metropolitana de Curitiba). Na época, ele já planejava levar o movimento de três giros completos ao principal evento de esportes radicais do mundo.

"Em alguns meses eu consegui fazer todas as coisas que podia imaginar para os próximos cinco ou dez anos", afirma o garoto, com um misto de assombro e divertimento.

Para chegar ao 1.080°, é preciso percorrer etapas, algo que ele começou a fazer bem cedo. Aos seis anos, completou o 540°, aos sete, o 720°, aos oito, o 900°, manobra imortalizada por Tony Hawk em 1999 e que fez o brasileiro entrar no Guiness World Records pela primeira vez como mais jovem a acertá-la.

A ideia de buscar o inédito giro surgiu ao ver as tentativas de Shaun White, fenômeno americano do skate e do snowboard. Gui levou quase um ano para acertar o movimento pela primeira vez e até hoje o repetiu outras duas, uma delas nos X Games.

"Precisa de força na hora de voltar da manobra, porque vem muita pressão nas pernas. Por ele ser pequeno, consegue girar mais rapidamente, mas tudo isso envolve técnica", explica o pai, Ricardo Khury Filho.

Ex-skatista amador que incentivou o filho no esporte desde cedo, ele acredita que o período da pandemia tenha ajudado Gui a evoluir ainda mais rapidamente, com as aulas online e mais tempo livre para andar nos fundos da chácara da avó.

A ideia de construir um espaço particular para os treinamentos surgiu quando a família morava na Califórnia e o garoto já tinha começado a se destacar no esporte. Com a volta ao Brasil, em 2015, o plano foi colocado em prática.

No último fim de semana, em Florianópolis, Gui participou do Red Bull Skate Generation, evento realizado no bowl do multicampeão da modalidade park e medalhista olímpico Pedro Barros.

Além dos X Games e do Generation, ele participou em dezembro do STU Open, que é o principal evento do circuito brasileiro e reúne atletas das duas modalidades olímpicas, park e street. O vertical, que por enquanto está de fora dos Jogos, tem sua entrada cogitada no programa de Los Angeles-2028.

Gui foi o quarto colocado no park no STU e mostrou que a partir de agora também pode ser tratado como candidato ao sonho de ir às Olimpíadas nessa modalidade.

Se já será possível fazer isso em Paris-2024, vai depender de sua evolução nos próximos anos e também da possibilidade de criação de um limite mínimo de idade para competir nos Jogos, tema que ainda está em discussão pela federação internacional (World Skate) após o sucesso de adolescentes em Tóquio.

Gui viu e reviu a estreia olímpica do esporte pela TV, atento à performance dos competidores. "Sempre penso como que o cara conseguiu ganhar aquela medalha, mas já tenho essa resposta: é treinar e se divertir", afirma.

No Generation, que reuniu atletas de diferentes gerações, Gui foi um dos principais atrativos e entusiasmou os convidados do torneio. Ao tentar acertar um 900°, ele caiu e bateu a cabeça, o que gerou um momento de apreensão, felizmente sem consequências mais graves.

Ricardo e Bianca Zardo, mãe do garoto, estavam com ele no evento e ficaram naturalmente preocupados. Mas, como pais de um fenômeno do esporte, eles entendem que as quedas fazem parte do processo de evolução.

"Ele sabe o momento daquilo que quer fazer. Uma manobra como o 900 é muito forte, não tem como tentar fazer sem levar tombos. São vários para você conseguir chegar à perfeição", diz o pai.

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