Skate ganha novos praticantes, mas modalidade requer cuidados de iniciantes e veteranos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Eu estou aprendendo ainda, então é normal cair, né?"

A estudante Giovanna Cebulski, 19, foi uma das pessoas que se empolgaram com o skate nos Jogos Olímpicos de Tóquio e resolveram se aventurar na modalidade. Impressionada com os movimentos de Rayssa Leal, 13, medalha de prata na categoria street, ela logo percebeu que eles não são fáceis.

As Olimpíadas ainda nem tinham acabado, e Giovanna já estava com três pontos no supercílio, resultado de uma queda em Maringá, no Paraná. "Eu estava andando, e o skate travou no piso da praça. Mas foi só um susto", explicou.

Apesar de meninos e meninas de 13 anos terem passado no Japão a impressão de que as manobras são simples, até os craques do esporte caem com frequência. Por isso, há cuidados necessários para os que estão começando e também para os mais habituados à modalidade, como explica Pedro Baches Jorge, ortopedista e médico do esporte da Clínica SO.U, em São Paulo.

"As quedas vão acontecer, independentemente de você tomar um supercuidado ou não. Normalmente, a pessoa vai sofrer algumas quedas, então é bom ela estar protegida", aponta Jorge. Além de equipamentos de proteção externos, como capacete, joelheira, cotoveleira e munhequeira, ele recomenda preparo muscular e treinos de equilíbrio adequados.

Ao chamar a atenção nas Olimpíadas, Rayssa Leal usava aparelhos de segurança. Eles amorteceram alguns de seus inevitáveis tombos, que não a impediram de buscar a medalha e de se tornar um fenômeno nas redes sociais: a maranhense foi a atleta mais citada no Twitter durante os Jogos de Tóquio, superando até a ginasta norte-americana Simone Biles.

Seguida por 6,8 milhões de contas no Instagram, ela certamente influenciou na venda de skates, que chegou a dobrar em algumas plataformas online. Impulsionada pelo sucesso dos brasileiros --Kelvin Hoefler e Pedro Barros também subiram ao pódio em Tóquio, e Leticia Bufoni ganhou um torneio em Paris nesta quarta (18)--, há uma nova leva de praticantes da modalidade, e a orientação é que, se possível, os novatos sejam acompanhados por profissionais.

"O melhor caminho para iniciar é procurar um professor, treinador ou escola, porque isso vai proporcionar uma evolução mais rápida, maior diversão e, principalmente, segurança", afirmou o skatista e surfista Guga Arruda, 47, que dá aulas e recomenda professores qualificados "por natureza, talento e experiência".

Segundo o catarinense, conterrâneo do medalhista de prata Pedro Barros, também é necessária aos iniciantes uma atenção especial com o local em que o esporte é praticado. "A própria rua pode ser uma pista. Se ela é muito inclinada, vai proporcionar muita velocidade e aumentar o risco."

Apesar dos riscos inerentes à modalidade, ela não é contraindicada pelo médico Pedro Jorge. Com os cuidados necessários, afirma ele, pode ser para os mais novos uma ferramenta de desenvolvimento motor e de convivência social.

"É um esporte ótimo, que vai fazer bem tanto para o físico como para o mental da criança, para a socialização", disse o ortopedista. "Então, o que os pais têm que fazer é providenciar o material adequado, orientar e vistoriar."

No caso de Giovanna, a jovem de 19 anos com o curativo no supercílio, andar sobre a prancha de rodinhas tem sido terapêutico. Ela ainda não adquiriu um capacete ou acessórios de segurança, o que ajuda a explicar o curativo, mas vê um saldo bem positivo na experiência que teve até agora.

"Provavelmente vou andar sem o equipamento enquanto não consigo comprar, mas o bom é que o skate é um esporte acessível, espero que continue assim", diz a iniciante. "Tenho problemas com ansiedade há um bom tempo, e com a pandemia é difícil controlar. O skate é tipo uma terapia. Eu me sinto livre, é muito bom."

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