Simone Sampaio se divide entre as paixões pelo Samba e o Futebol

Fora de Campo

Apaixonada por samba desde 1995, a mineira Simone Sampaio, foi a rainha de bateria vice-campeã paulista pela Dragões da Real, em 2017. Simone é são paulina e conta que sua paixão pelo esporte não vem de berço, vem da filha. Mahryan Sampaio, filha de Simone, é são paulina de coração e levou a mãe aos estádios fazendo com que ela se apaixonasse. E se filho de peixe, peixinho é, filha de sambista, sambista será! Mahryan já desfila pela Dragões e segue os caminhos da mãe:

― É uma felicidade a mais carregarmos na nossa escola as cores do tricolor

A Rainha conta da sua relação com a torcida, mas é enfática quando perguntada sobre escolher entre samba e futebol:

― Sempre que encontro (a torcida) sou muito bem tratada; muito carinho e respeito, mas até estou devendo assistir um jogo com eles na arquibancada, fazer um samba. Este ano vou rs! (Escolheria) Minha Escola, mas são amores diferentes. Aprendi que não há necessidade de escolha pois cada um ocupa lugar diferente.

Unindo samba e futebol, Simone desfilou a frente da bateria no Anhembi e conta sobre a experiência de representar as cores do São Paulo na avenida:

― Amo meu São Paulo, mas a Dragões para mim é um casamento perfeito! Tenho muito orgulho de representar a ESCOLA DE SAMBA DRAGÕES DA REAL que sendo oriunda de torcida se posicionou conquistou respeito e admiração por ter a Diretoria e Comunidade que tem. Digo isto porque mesmo sendo a caçula do carnaval a Dragões tem mantido seu espaço entre as grandes escolas. Espaço esse conquistado com muita seriedade e respeito ao sambista, ao samba e a nossa cultura. Me orgulho de fazer parte desta história.

Com muita alegria e orgulho pela colocação que a escola conseguiu neste carnaval, Simone conta que não medirão esforços para serem campeões:

― Me sinto super feliz e honrada por termos defendido de forma tão linda esse enredo de um povo tão aguerrido como o povo nordestino e ao mesmo tempo um povo tão feliz. Muito se confunde com a história da nossa escola, com a minha história enfim foi lindo!! Claro que almejamos o 1 lugar, mas respeito muito a vitória da Tatuapé. Sei o quanto trabalhamos duro para alcançar este vice campeonato, estamos sendo moldados para ser 1. E agora trabalharemos 3, 4, 5, 10 vezes mais até alcançar o tão almejado título para nossa comunidade. Nos manteremos comprometidos, responsáveis, pontuais, organizados e amando nosso pavilhão, de forma a lutar sempre pela Escola de Samba mais feliz do carnaval.

Voltando para as arquibancadas, a rainha conta do melhor momento que já passou na torcida pelo time de coração, e não foi só o São Paulo o motivo da alegria, a mamãe coruja ficou feliz pela filha:

― Foi num jogo entre São Paulo e Necaxa (MEX). Eu estava assistindo com a minha filha e ela se enturmou de tal maneira que todos ao redor cantavam os gritos de guerra que ela criava. Foi lindo vê-la tão feliz, aos 6 anos rs. Depois disso ela foi convidada a dar depoimento no filme do SPFC.

Mas, não é só de alegrias que vive um torcedor, não é mesmo?

― Sempre sofro um pouco nos jogos por conta de resultados, então quando o SPFC está perdendo sempre um sufoco pra mim!

Não é só no samba que Simone tem sonhos. Como são paulina, a rainha da Dragões conta seus desejos:

― Nada se compara ao desejo de sermos Campeões Mundiais outra vez, mas já realizei alguns sonhos menores, tipo desfilar com as camisetas do time nos lançamentos, participar de campanhas sociais do clube. Já fiz a revista do SPFC. Acho que talvez entrar campo com o jogadores para ouvir de lá do meio do campo aquela torcida e sentir a energia que eles sentem ao entrar em campo.

A rainha se diz sortuda por nunca ter sofrido com assédios:

― Sou sortuda, e também acho que minha postura assusta um pouco. Nenhum problema com engraçadinhos, nunca houve, nem no carnaval muito menos no futebol! Sempre digo que sou privilegiada.

Um caso a parte, Simone assume ser privilegiada por nunca ter sofrido assédio na torcida, caso que atinge a muitas mulheres que vão aos estádios. O racismo, que ainda é muito comum, também não atingiu Simone:

― Não (sofri racismo). Presenciamos casos notórios, mas como eu disse, sou privilegiada mesmo!! Sempre recebo muito carinho no futebol e no carnaval sou muito bem tratada por integrantes da Mancha, a querida Viviane Araújo que conheço a anos, da Gaviões, me dou bem com todos, sou amiga do Ernesto. As Rainhas são super queridas comigo, a Tati Minerato, gosto mesmo! A rainha da Independente, a Helena, também sempre uma fofa, linda demais, os meninos queridos! Simples assim. Fora a disputa da avenida temos um ótimo relacionamento.

Modelo, jornalista, Rainha de Bateria, mãe e torcedora, Simone é, assim como muitas mulheres, multitarefas e conta como faz para conciliar tudo:

― Amando cada coisa que faço e me organizando para dar prioridades. Cada coisa a seu momento. Este período por exemplo: nada fácil, para dar conta de tudo, mas não sou só, tenho anjos em minha vida, pessoas amigas e profissionais que me auxiliam neste período. Pós carnaval volto a fazer meus eventos, sou também mestre de cerimônias e modelo, enfim como toda mulher brasileira sou polivalente e sigo em movimento produzindo sempre

Muito profissional, a rainha de bateria tem sua posição em relação a combinação “Samba e Futebol”:

― Em alguns momentos (é a melhor combinação) sim, numa festa ou final de semana com amigos, em diversão. Mas quando se trata de carnaval, quando entramos na avenida é apenas a ESCOLA DE SAMBA DRAGÕES DA REAL.

Sem pensar muito, Simone fala sobre suas preferências e o Samba de Enredo preferido da Rainha é o “Asa Branca”, defendido pela escola no carnaval 2017. Mas no futebol, nada é melhor que o hino do São Paulo, para a rainha.

Contra a violência nos estádios, a Rainha da Dragões faz um pedido:

― Acho que passou da hora de termos mais tolerância e respeito com o outro. Mesmo porque não há disputa nem campeonatos com um só time, então todos fazem o espetáculo. Cada um tem seu mérito e o intuito do jogo é de levar alegria e diversão para as famílias . Na verdade todos nós perdemos com tudo isso. Às vezes me pergunto: de onde vem tanta violência? Ela nunca é a resposta. O esporte é pra todos: homens, mulheres, negros, brancos, as famílias num todo, não há necessidade de segregação, ela não combina com a alegria do futebol. O esporte é para unir, reunir e celebrar. Sou mulher, sou negra, sou são Paulina torcedora com orgulho. Mas tenho a certeza que torcedores de times diferentes não deveriam se odiar, temos que focar no que nos une: o amor pelo futebol, a adrenalina que corre nas veias ao ver nossos jogadores em campo, a emoção que envolve tudo isso.
















































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