O simbolismo do 7 de Setembro de Bolsonaro com Edir Macedo e Silvio Santos

Yahoo Notícias
Bolsonaro desfilou ao lado de Silvio Santos e Edir Macedo em seu primeiro 7 de setembro como presidente. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Bolsonaro desfilou ao lado de Silvio Santos e Edir Macedo em seu primeiro 7 de setembro como presidente. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Um ano depois do atentado a faca sofrido durante a campanha, Jair Bolsonaro, em seu primeiro desfile de 7 de setembro como presidente, protagonizou uma cerimônia cheia de simbolismos neste sábado.‬

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

‪No pelotão de frente do palanque oficial não estavam enquadrados seus ministros principais, que dias atrás ele comparou a peças de xadrez.‬ Estavam, isso sim, um bispo, Edir Macedo, e Silvio Santos.‬

Leia mais no blog do Matheus Pichonelli

‪Ambos tiveram posição de destaque, junto com a primeira-dama, Michele Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão - e acima de entusiastas de primeira ordem, como o empresário Luciano Hang, que roubou a cena trajado de verde e amarelo e fazendo uma espécie de transmissão em tempo real do evento em seu Twitter.‬

“Hoje comemoramos a nova Independência do Brasil. Temos que deixar de ser o “país do futuro”, para ser a nação de agora. Estamos nos livrando do comunismo e da corrupção. Com Deus, família, ordem e progresso, vamos conquistar um lugar de destaque no mundo. Estamos juntos”, escreveu o dono da Havan.

A aliança do presidente com o SBT e a TV Record, fundamentais para alavancar sua candidatura ao longo da campanha, inclusive com entrevistas dóceis enquanto a TV Globo exibia os debates com outros candidatos, reforça a trincheira montada por Bolsonaro contra a emissora da família Marinho.

Dias atrás, ao falar sobre o aniversário de 50 anos do Jornal Nacional, ele afirmou que o noticiário televisivo havia perdido “a teta” e que a Globo era uma empresa ditatorial.

Isso em um momento em que o próprio ministro da Educação, Abraham Weintraub, compartilha um vídeo em que se nega, grosseiramente, a atender uma jornalista do grupo Globo.

Na mesma semana, o JN foi tema de homenagem na Câmara em sessão comandada por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Assim como o presidente do STF, Dias Toffoli, Maia não participou do 7 de setembro ao lado de Bolsonaro. Este só tem intensificado as hostilidades contra a emissora e os veículos críticos ao governo.

O movimento coincide com o alinhamento das chamadas emissoras “amigas” do bolsonarismo.

Semanas atrás, os filhos de Bolsonaro foram atrações de programas de auditório do SBT. E Luciano Hang, um dos principais anunciantes da emissora, celebrou demissões de jornalistas na TV de Silvio Santos, exigindo ainda a ampliação dos cortes, mirando o pescoço de Rachel Sheerazahde, que tem feito críticas a Bolsonaro nas redes sociais.

Em abril, a Folha de S.Paulo, outro alvo preferencial de Bolsonaro, informou que os pagamentos com publicidade do primeiro trimestre do governo cresceram 63% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegaram a R$ 75,5 milhões. Segundo o levantamento, nos três primeiros meses do ano, a Record passou a Globo e foi o grupo de comunicação que mais recebeu verbas publicitárias.

Na véspera do evento oficial deste sábado, os donos das emissoras foram recebidos por Bolsonaro em um jantar no Palácio do Alvorada, da qual participaram também o chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Fabio Wajngarten.

O 7 de Setembro de Bolsonaro serviu, assim, como desfile oficial de seus aliados na cruzada contra a emissora que já declarou inimiga. Serão seus aliados também na trincheira contra o jornalismo que não se alinhou automaticamente ao seu projeto de poder?

Leia também