'Mini' União Soviética e muito dinheiro: conheça a sensação da Champions

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Stadionul Sheriff, a casa de verão do Sheriff Tiraspol (Foto: Alex Nicodim/Sportsfile via Getty Images)
Stadionul Sheriff, a "casa de verão" do Sheriff Tiraspol (Foto: Alex Nicodim/Sportsfile via Getty Images)

MOSCOU (RÚSSIA) - De uma pequena região nos rincões da antiga União Soviética, com somente 470 mil habitantes e apenas 4 mil quilômetros quadrados, vem aquele que é o time sensação das etapas preliminares da Liga dos Campeões e está a um passo de jogar pela primeira vez a etapa de grupos.

Trata-se do Sheriff Tiraspol, equipe da Moldávia, baseada na Transnístria, um território que se considera independente e vive em estado de “conflito congelado” desde inícios da década de 90. Sua autodeterminação só é reconhecida pelas repúblicas da Abkhazia, Ossétia do Sul e Artsakh.

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Visitar a Transnístria é como uma volta ao tempo, lá para meados dos anos 80, começo dos 90.

Prédios com arquitetura Soviética, todos os dizeres em russo (ainda que o idioma oficial do país seja o Moldavo, que é a mesma coisa que o romeno), uma estátua gigante de Lênin, a Casa dos Soviets, e bandeiras tremulantes da Transnístria, a única de um território no mundo atual que leva a foice e o martelo.

Vale destacar que para entrar neste exótico local é necessário passar por um controle de passaporte na estrada que une a capital moldava Chisinau e Tiraspol, capital da Transnístria. O território também tem seu exército, sua própria moeda e cartões de crédito internacionais praticamente não são aceitos.

Em que pese a vida pacata e humilde de Tiraspol, sem nenhum luxo em suas ruas, com vias com asfalto bem degradado e algumas vezes até sem iluminação, o Sheriff não é pobre.

O clube conta com apoio de políticos e empresários da região, que têm forte influência no parlamento moldavo.

O time de futebol é o mais famoso, mas apenas um dos braços do conglomerado “Sheriff” que conta ainda em toda a Transnístria com diversos supermercados, postos de gasolinas e até hotel.

Seu estádio, inaugurado em 2002 e renovado em 2011 teve um custo aproximado de US$ 200 milhões e fica localizado em um grande complexo esportivo que como não poderia deixar de ser, leva o nome de Sheriff.

“Eu passei por muitos clubes na Europa e no Brasil e nunca vi nada como o que tem o Sheriff. Eles investem muito. Quando cheguei lá, o clube ainda estava no começo e os salários não eram assim tão altos, uns 10 mil euros por mês. Mas depois falei com alguns brasileiros e já me dizem que pagam até 30 mil por mês”, contou o zagueiro Nadson, que defendeu o clube entre 2007 e 2011.

“É uma coisa fora do normal. Você vai ver isso em poucos lugares do mundo, talvez até em times grandes europeus seja difícil encontrar esta estrutura. São mais de 15 campos para treinos, 3 estádios, sendo um coberto para jogarmos no inverno. É uma estrutura fora do normal, espetacular, um lugar realmente fantástico”, disse Luvannor.

Luvannor é o grande destaque do Sheriff na Champions (Foto: Divulgação)
Luvannor é o grande destaque do Sheriff na Champions (Foto: Divulgação)

O atacante brasileiro de 31 anos com passaporte moldavo é o destaque do time no caminho até a Champions. Anotou quatro gols nas três fases pelo qual o clube passou, superando o Teuta (Albânia), Alashkert (Armênia) e o tradicional Estrela Vermelha, da Sérvia.

O último desafio que lhe resta é o Dinamo Zagreb, da Croácia. O primeiro duelo acontece nesta terça-feira, na Moldávia. O segundo está marcado para o dia 25 em Zagreb.

“Está sendo um momento mágico, estamos empolgados, motivados para poder conseguir ir o mais longe possível, Conseguimos vitórias muito importantes. Isso só nos dá mais vontade de ganhar e ganhar. Estamos muito felizes com tudo que está acontecendo. Temos potencial grande. Temos chances boas de ir a Champions League”, disse Luvanor, natural do Piauí.

Além de Luvannor, há outros dois brasileiro atuando no Sheriff. O lateral-esquerdo Cristiano e o lateral-direto Fernando Constanza.

Chegar à fase de grupos é realmente o passo que falta para o Sheriff, que já jogou três vezes a etapa de grupos da Liga Europa, e praticamente não tem rivais a nível nacional. Desde a temporada 2000-01, apenas em duas oportunidades a equipe não levou a taça. Em 2010-11, quando o Dacia Chisinau conseguiu a proeza de levar o título, e em 2014-15, quando o campeão foi o Milsami Orhei.

Já imaginaram Messi, Neymar e Mbappe na Transnístria? Para os torcedores do Sheriff não custa nada sonhar.

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