Sete histórias para acompanhar na Superliga de Vôlei 2020/21

CARLOS PETROCILO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a temporada 2019/20 encerrada às pressas no começo da pandemia, às vésperas do início dos playoffs, a Superliga de vôlei está de volta para o que espera ser uma temporada completa em 2020/21, ainda que com limitações, como a ausência de público nos ginásios pelo menos até o fim do ano. A competição masculina começará neste sábado (31), e a feminina, no dia 9 de novembro. As decisões estão programadas para abril, entre os dias 9 e 16 no feminino e 10 a 21 no masculino. O SporTV e a plataforma de streaming Vôlei Brasil transmitem (leia mais abaixo). Os jogos poderão ser adiados, segundo o protocolo estabelecido pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), se uma equipe reunir quatro ou mais atletas com Covid-19, ou se dois levantadores contraírem a doença. Os jogadores deverão ser testados a cada 15 dias. Os infectados terão de cumprir quarentena e serão afastados por dez dias. A realização do evento com 24 times (12 em cada gênero), após a organização ter feito convites para integrantes da Superliga B, deixou a CBV aliviada. A crise financeira, que provocou a saída de atletas renomados e fuga de patrocinadores, era uma ameaça ao torneio antes mesmo da pandemia. "Tenho 21 anos de CBV, esta edição trouxe apreensão e ansiedade, vendo os trabalhos sendo paralisados e as equipes nem conseguiam se preparar. Hoje, é uma sensação boa, de realização", diz Renato D'Ávila, superintendente de competições de quadra. No masculino, o Taubaté, com a base da seleção brasileira, e o Cruzeiro largam como favoritos. Campinas e Minas tentarão desbancar os principais candidatos ao topo. Entre as mulheres, a perspectiva é de uma concorrência mais acirrada. O projeto de Bernardinho no Sesc-RJ fez parceria com Flamengo. Minas e Praia Clube, últimos campeões, continuam entre as principais forças, e Sesi-Bauru e Osasco também devem lutar nas cabeças. * SETE HISTÓRIAS PARA ACOMPANHAR NA SUPERLIGA 2020/21 'Seletiva' para os Jogos de Tóquio Por conta da pandemia, as seleções feminina e masculina não conseguiram se reunir neste ano para treinos e competições, como ocorre geralmente de maio a setembro. A menos de um ano para os adiados Jogos de Tóquio, os técnicos das seleções feminina e masculina, José Roberto Guimarães e Renan Dal Zotto, terão a Superliga como laboratório de observação de atletas para preencher as vagas consideradas em aberto nos elencos. Ambos vivem a competição diariamente. Renan como ex-técnico e agora dirigente do Taubaté, e Zé Roberto no comando do São Paulo/Barueri. Campeões olímpicos em ação A Superliga 2020/2021 reúne, entre os seus quase 330 atletas, 15 campeões olímpicos. As vencedoras dos Jogos de Pequim-2008 Sassá e Valeskinha defendem o Curitiba, e Walewska, o Praia Clube. As campeãs em Londres-2012 Adenízia, Dani Lins (Sesi-Bauru), Fernanda Garay (Praia Clube), Jaqueline, Tandara (Osasco) e Thaísa (Minas) também estarão em ação. Entre os homens, cinco campeões em 2016 estão no Taubaté (Bruninho, Douglas Souza, Lucão, Maurício Borges e Maurício Souza) e William no Minas. De volta para casa Em meio à debandada de destaques, como Lucarelli, Wallace e Sheilla, respectivamente, na Itália, Turquia e nos Estados Unidos, a temporada 2020/2021 terá o retorno de atletas importantes para o país ou a times que já defenderam com protagonismo. A contratação mais impactante foi a do levantador Bruninho, que passou os últimos anos na Itália, pelo Taubaté. Tandara volta ao Osasco pela quarta vez e já se destacou nas competições preparatórias. Alan retorna Cruzeiro após três anos no Sesi-SP. O Campinas trouxe de volta Leandro Vissotto, que estava no Taubaté. Chance para os jovens Com a crise econômica e a perda de alguns patrocinadores, várias equipes tiveram que reajustar a folha salarial, enxugar o elenco e apostar em pratas da casa. O elenco masculino do Sesi-SP reúne 13 atletas com idades entre 17 e 20 anos, sob comando do estreante técnico Marcelo Negrão, 48. A exceção é Murilo Endres, 39. No feminino, o Sesc-RJ/Flamengo, de Bernardinho, tem ao lado de jogadoras mais experientes a ponteira Ana Cristina, 16, e a central Lívia, 17. O Minas adota receita semelhante, de mesclagem entre veteranas, como as centrais Carol Gattaz, 39, e Thaisa, 33, e as promissoras Luiza, 16, e Julia, 17, da mesma posição. Técnicos argentinos Cobiçados por clubes de futebol do país, os técnicos argentinos têm se consolidado também nas quadras de vôlei. Marcelo Mendez comanda o Cruzeiro desde novembro de 2009 e, nesse período, conquistou seis títulos da Superliga e três Mundiais de Clubes. Ele se divide entre o time de Belo Horizonte e a seleção argentina. O seu auxiliar na seleção vizinha é Horácio Dileo, que treina o Campinas desde 2016. Nesta temporada, o Taubaté trouxe Carlos Javier Webber para o lugar de Renan Dal Zotto. Webber é velho conhecido dos brasileiros. Conquistou a Superliga de 1998/1999 pelo Ulbra-RS como jogador e também foi campeão, como técnico, com o Unisul-SC em 2003/2004. Atletas estrangeiros Historicamente, a Superliga já reuniu 167 jogadores de 30 países e, apesar da pandemia e da crise entre as equipes brasileiras, a edição de 2020/2021 contará com pelo menos 15 atletas estrangeiros. O Sesi-Bauru conta com Brenda Castillo, da República Dominicana, e Polina Rahimova, do Azerbaijão. O Minas reúne duas norte-americanas, Danielle Cuttino e Megan Hodge. O Praia renovou com a dominicana Brayelin Martínez, trouxe a irmã dela, Jineiry, e a holandesa Anne Buijs. No masculino, destaque para o Cruzeiro, que conta com o argentino Facundo Conte e cubano Miguel López. Flamengo, Sesc-RJ e Bernardinho O Flamengo, clube de futebol com a maior torcida no Brasil, e o time feminino do Sesc-RJ, com 12 títulos de Superliga, uniram forças e contam com Bernardinho para comandar um elenco com a experiência da levantadora Fabíola, 37, e a promissora ponteira Ana Cristiana, 16, candidata a revelação da Superliga. "A presença de um time icônico como o nosso contribui para o interesse no campeonato", afirma Delano Franco, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo. "Nosso projeto é de longo prazo, tem todo um planejamento que vem desde a base, de formação. Entramos para disputar a taça, mas os objetivos são maiores e mais longos que uma determinada posição neste ano." * A SUPERLIGA 2020/21 Times participantes Feminino Sesi Bauru-SP Brasília-DF Curitiba-PR Fluminense-RJ Itambé/Minas-MG Osasco Audax/São Cristóvão Saúde-SP Pinheiros-SP Dentil/Praia Clube-MG São José dos Pinhais-PR Sesc RJ Flamengo São Paulo/Barueri São Caetano-SP Masculino Apan/Eleva/Blumenau-SC Minas Tênis Clube-MG Vôlei Um Itapetininga-SP Montes Claros América Vôlei-MG Caramuru-PR Sada Cruzeiro-MG EMS Taubaté Funvic-SP Sesi-SP Azulim/Gabarito/Uberlândia-MG Vedacit Vôlei Guarulhos-SP Pacaembu Ribeirão-SP Vôlei Renata-SP Regulamento Os 12 times se enfrentam em turno e returno, e os oito melhores colocados vão às quartas de final. O 1º encara o 8º, o 2º duela com o 7º e assim sucessivamente, em séries melhor de três partidas, assim como as semifinais e as finais. Transmissão O SporTV passará metade dos jogos da Superliga, normalmente os considerados mais atrativos. Ao menos 60 transmissões estão programadas no canal até o fim do ano. Além disso, por parcela única de R$ 89, é possível acompanhar pela plataforma de streaming Vôlei Brasil os demais jogos das duas competições. Há negociações ainda com a TV Cultura.