Serena Williams exige investigação sobre paradeiro da tenista chinesa Peng Shuai

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A tenista chinesa Peng Shuai já foi número 1 em duplas (AFP/GREG BAKER)
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A estrela do tênis Serena Williams se uniu nesta quinta-feira aos apelos para que seja investigada o paradeiro da jogadora chinesa Peng Shuai, desaparecida há duas semanas desde que acusou um poderoso político chinês de agressão sexual.

"Estou arrasada e chocada por não ter notícia do paradeiro da minha companheira Peng Shuai. Espero que ela esteja segura e que seja encontrada o mais rápido possível", escreveu a ex-número um do tênis em sua conta no Twitter.

"Isso deve ser investigado e não devemos permanecer em silêncio", exigiu Williams.

Na mensagem, a tenista americana postou uma foto de Peng sorridente com a frase "#WhereIsPengShuai" ('Onde está Peng Shuai?').

"Envio meu amor para ela e sua família durante este momento incrivelmente difícil", acrescentou Williams.

Além de Serena Williams, outros nomes de destaque do tênis mundial, como o sérvio Novak Djokovic e a japonesa Naomi Osaka, entre outros, expressaram publicamente sua preocupação em relação à situação de Shuai.

Há duas semanas o mundo não tem notícias da estrela do tênis chinês, ex-número um do mundo de duplas, o que coincide com a denúncia de agressão sexual que ela apresentou contra um dos políticos mais poderosos do país.

Peng Shuai, que já foi campeã de duplas em Wimbledon e Roland Garros, escreveu na plataforma Weibo, o equivalente chinês do Twitter, no início de novembro que o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli a havia forçado a fazer sexo e a manter um relacionamento durante anos.

A denúncia rapidamente desapareceu das redes sociais chinesas e, desde então, a tenista de 35 anos não foi mais vista, o que provoca temores sobre sua situação.

Porém, o canal estatal CGTN divulgou uma captura de tela no Twitter de um e-mail atribuído a Peng e supostamente destinado a Steve Simon, diretor da WTA, e outros executivos da associação de tênis feminino.

Na mensagem supostamente enviada por Peng, ela afirma que as acusações de abusos sexuais "não eram verdadeiras" e que está "descansado em casa e está tudo bem".

O 'e-mail' não acalmou a situação e provocou ainda mais dúvidas pela linguagem supostamente utilizada pela tenista chinesa e pelo fato de que aparece um cursor de edição no corpo do texto.

"Tentei em várias ocasiões contactá-la por meio de diferentes canais de comunicação, mas sem sucesso", explicou Simon, que pede que Peng Shuai "tenha permissão para se expressar livremente, sem coerção ou intimidação de qualquer tipo".

Ele também exige "provas independentes e comprováveis" de que a tenista está em boas condições.

"Peng Shuai demonstrou uma coragem incrível ao denunciar a violência sexual da qual afirma ter sido vítima por um alto dirigente do país", acrescentou Simon.

As autoridades chinesas permanecem em silêncio diante da crescente preocupação com a tenista. As acusações dela não foram as primeiras contra um alto dirigente do Partido Comunista.

William Nee, advogado de um grupo de direitos humanos, afirmou que o texto divulgado "não deve ser levado ao pé da letra".

"O governo chinês tem um longo histórico de detenções de pessoas implicadas arbitrariamente em casos polêmicos, controlando sua capacidade de falar livremente e forçando que divulguem comunicados", disse.

Mareike Ohlberg, do German Marshall Fund, afirmou que as mensagens "não pretendem convencer as pessoas, mas intimidar e ensinar o poder do Estado".

O caso de Peng continua censurado na internet da China.

Em 2 de novembro, a tenista escreveu em suas redes sociais a acusação contra Zhang, um dos homens mais poderosos da China entre 2013 e 2018, mas a publicação desapareceu rapidamente.

A Associação Nacional de Tênis da China não respondeu aos pedidos de comentários da AFP sobre o caso.

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