Será que o Goiás ainda não entendeu que estamos no século 21?

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A campanha de marketing do Goiás para lançar a nova camisa foi desastrosa e de mau gosto, para dizer o mínimo. O vídeo com a “prévia do novo manto esmeraldino”, publicado no domingo no Twitter oficial do clube, traz modelos se maquiando e fazendo poses sensuais que remetem a um filme erótico.

Até a publicação da reportagem, a postagem havia recebido mais de 4 mil comentários. Grande parte dos jornalistas e torcedores condenaram a campanha, considerando-a sexista e exigindo esclarecimentos do Goiás, mas houve quem defendeu a ação, alegando que as modelos deveriam ter “livre arbítrio” para fazer o que quisessem.

Na verdade, o buraco é bem mais embaixo. As modelos são, sim, livres para aceitarem os trabalhos que bem entenderem, e as mulheres têm (ou deveriam ter) liberdade para escolher como se vestir e como agir — inclusive a opção de ser “musa” do clube deve ser respeitada. O que deve ser problematizado é o fato de um clube de futebol sexualizar mulheres para vender camisas.

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Como todos sabem, o futebol é um esporte historicamente dominado por homens. Ele foi proibido por lei para mulheres no Brasil de 1941 a 1979, mas durante muito tempo o papel da mulher nesse ambiente ainda era reduzido a um corpo objetificado, um mero “enfeite” para apreciação masculina.

Foi assim com atletas, a quem já foi sugerido “usar uniformes mais curtos” para atrair público; foi assim com as jornalistas, que até pouco tempo atrás ocupavam principalmente o papel da apresentadora “padrão” que se limitava a ler as mensagens do público e não participava efetivamente do debate; e foi assim com as torcedoras, hostilizadas nas arquibancadas e intimadas a cantar a escalação do time de 1950 para provar que gosta do esporte e poder torcer em paz.

Porém, o mundo mudou. Mulheres estão ocupando cada vez mais espaços dignos em todas as áreas do futebol. São atletas, técnicas, dirigentes, árbitras, jornalistas e torcedoras reivindicando um espaço que é de todos e todas. E ao promover uma campanha de divulgação com mulheres em poses sensuais, o Goiás, como a instituição forte que é, passa recados.

Em primeiro lugar, a campanha sugere que as mulheres ainda estão na esfera do futebol como meros corpos sexualizados, com a única finalidade de entreter homens. E ao promover uma propaganda de camisas voltada exclusivamente para o público masculino heterossexual, o Goiás ignora sua legião de torcedoras interessadas em comprar o “manto sagrado”. Além do desrespeito, é também um marketing que ignora o potencial mercado consumidor formado por essas mulheres ou mesmo homens homossexuais.

A campanha foi tão fora da realidade que vários internautas questionaram se o Goiás realmente não entendeu que estamos no século 21 ou se a prévia não passa de uma “provocação” para jogar luz no problema e mostrar como é terrível a sexualização das mulheres no futebol. Vamos esperar.

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