Sem público, atletas contam com torcedores inusitados nas arenas olímpicas

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Hugo Calderano comemora ponto durante a disputa do tênis de mesa (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)
Hugo Calderano comemora ponto durante a disputa do tênis de mesa (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

A voz ecoou pelo quase deserto Ginásio Metropolitano de Tóquio, enquanto Hugo Calderano se preparava para sacar.

“Vamos, Huuuugoooo! Vai, Brasil!”

Sem a presença de público nos eventos, poucos privilegiados tiveram a chance de acompanhar ao vivo as Olimpíadas de Tóquio. E essas pessoas foram as únicas a desempenharem o papel de torcedores. Atletas, jornalistas, voluntários e funcionários dos Jogos incentivaram os atletas dos seus países. Às vezes, discretamente. Outras, nem tanto.

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“Dá para ouvir os gritos. Não é a mesma coisa que o ginásio cheio, mas já e alguma coisa”, disse Calderano, eliminado nas quartas de final do torneio de simples.

Voluntários torcem abertamente pelos atletas da casa, mesmo que seja na zona mista, espaço reservado aos jornalistas para entrevistarem os competidores depois das provas. Batem palmas e se abraçam quando um japonês conquista medalha.

Na natação, a equipe australiana tinha uma coreografia ensaiada, feita por outros nadadores, quando alguém do país estava na piscina. Tornou-se uma imagem icônica das Olimpíadas em Tóquio o técnico de Ariarne Titmus, Dean Boxall, a comemorar, alucinado, quando sua pupila conquistou a medalha de ouro nos 200 m livre.

Jornalistas italianos incentivaram Lamont Marcell Jacobs na final dos 100 m, berraram o nome dele quando ganhou a prova e esperaram que se aproximasse para fazerem selfies com a medalha.

“É uma festa para toda a Itália. A torcida deles [dos jornalistas] aqui no estádio fez com que eu me sentisse um pouco mais perto de casa”, disse o corredor que nasceu no Texas, mas se mudou para Desenzano di Garda, no norte italiano, aos 18 meses.

Não se trata de algo novo. Isso já acontecia em Jogos passados. Mas sem a presença de torcedores, algo que privou a organização das Olimpíadas de arrecadar cerca de US$ 600 milhões na venda de ingressos, o incentivo de quem está envolvido no evento se tornou algo mais evidente.

Funcionários tiveram trabalho no Estádio Olímpico de Tóquio, durante o atletismo, para afastar jornalistas das cadeiras mais próximas à pista quando havia algum pódio. Eles e elas queriam tirar fotos dos seus compatriotas recebendo medalhas.

Ao final de um dos dias de competições, jornalistas italianos entraram na pista e disputaram uma corrida de 100 m com voluntários dos Jogos. Ao cruzarem a linha de chegada, foram aplaudidos.

“Ter torcida é especial. É só ver o que aconteceu no Rio em 2016. Mas não faz diferença para o atleta, sinceramente. Ele é capaz de bloquear isso e competir normalmente”, opina Thiago Braz, brasileiro medalhista de bronze no salto com vara.

No Engenhão, há cinco anos, ele fez o estádio vir abaixo ao ficar com o ouro. O pódio em 2021 chegou com o silêncio da arena vazia.

Algumas provas chegaram a dar o gosto, em quem esteve presente, de como seria a festa com milhares de pessoas nas cadeiras. Todas as pessoas no Estádio Olímpico, até funcionários que estavam na pista, aplaudiram Christine Mbome, atleta da Namíbia proibida de correr nos 400 m porque sua taxa de testosterana estava muito alta. Ela produz naturalmente o hormônio.

A corredora de 18 anos teve de se conformar em correr os 200 m, prova que jamais havia treinado. Conquistou a medalha de prata.

“A gente tem de se conformar com o que tem. Não e igual a ter público, mas é bom que alguém esteja no local do evento torcendo por você, gritando. Dá para ouvir e fiquei feliz”, declara Leo de Deus, brasileiro finalista nos 200 m borboleta.

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