Sem provas, PM de SP prende homens negros sob acusação de roubo

Alma Preta
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A prisão aconteceu no dia 02 de janeiro, em Pinheiro, Zona Oeste; familiares e ativistas cobram a liberdade imediata de Felipe Patrício e João Igo (Foto: Arquivo do processo)
A prisão aconteceu no dia 02 de janeiro, em Pinheiro, Zona Oeste; familiares e ativistas cobram a liberdade imediata de Felipe Patrício e João Igo (Foto: Arquivo do processo)

Texto: Roberta Camargo | Edição: Lenne Ferreira | Imagem: Reprodução - Câmera de segurança

Nas imagens da câmara de segurança de um loja, que foram usadas para pedir o habeas corpus dos dois homens, é possível ver que eles caminhavam pela rua às 21h25, depois que o roubo do qual foram acusados já tinham acontecido. O professor de música Felipe Patrício Lino, 20 anos, e o lutador de MMA João, Igo dos Santos Silva, de 37, são moradores da periferia de São Paulo e foram retirados pela polícia do ônibus em que estavam a caminho de casa sob acusação de roubo. A justiça deve julgar o pedido de habeas corpus na tarde de hoje.

Já são 12 dias desde que o crime aconteceu e, para a ativista que acompanha o processo, Irene Maestro, o caso é mais um que demonstra a atuação racista da segurança pública: "Sabemos que no Brasil, a seletividade racial e de classe faz com que sejamos o terceiro país que mais prende no mundo. O alvo são jovens pretos, pobres, da periferia, sendo que 40% deles está preso sem sequer ter tido ainda um julgamento."

Segundo o Boletim de Ocorrência, assinado pelo delegado Rafael Moreira Cantoni, a acusação é de que dois homens roubaram uma mulher às 21h na Rua Paes Leme, em Pinheiros, levando bolsa, celular, relógio e outros pertences da vítima. Mesmo sem encontrar nenhum destes itens com os “suspeitos”, os dois foram presos e aguardam a análise do Habeas Corpus, protocolado no dia 7 de janeiro.

Os familiares dos dois homens estão apreensivos e aguardam que o erro seja corrigido. Para o irmão de João Igo, Ayo Shani Santos Silva (32), o papel dos movimentos sociais que promovem a movimentação nas redes sociais tem sido fundamental para visibilizar o caso. "A gente é família, mas temos que ser racionais, então desde o início fui em busca de provas que comprovam a inocência deles", contou.

O advogado de defesa, Vanderlei Lima Gouveia, afirma que os dois homens são lideranças populares no local onde moram, no Campo Limpo, Região Sul da cidade e reitera: "Pelo histórico, eles não praticariam crime nenhum." A defesa explica que aguarda imagens das câmeras de segurança do Terminal Pinheiros, que mostram a chegada das vítimas antes de pegar o ônibus em que foram abordados pela polícia.

Mesmo com a resposta negativa para a identificação de Felipe e João, feita pelas testemunhas do crime, a defesa aguarda o julgamento do pedido de habeas corpus, que foi designado ao relator Fábio Gouveia e deve ser julgado ainda na tarde de hoje. "A gente está bastante esperançoso para que eles saiam de lá ainda hoje. Não tem razões para manter eles lá”, desabafa o irmão de João Igo.