Alemanha orienta torcedores no Qatar: pornografia, não; certidão de casamento das mulheres, sim

Treino da seleção da Alemanha (Foto: GES/Marvin Guengoer)


Que a Alemanha não tem boas relações com o governo do Qatar, não é segredo para ninguém. Mas a cartilha divulgada pela embaixada do país europeu com orientações aos torcedores que irão ao emirado acompanhar a Copa do Mundo é mais um capítulo nessa conturbada relação.


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Segundo o jornal 'Welt', do país europeu, o documento tem instruções detalhadas para a viagem e as normas de seguranças são extensas para impedir que alemães tenham problemas no país-sede da Copa.

- A lei criminal no Qatar é moldada por conceitos morais islâmicos. Os viajantes devem estar cientes de que atos homossexuais e sexo não conjugal são proibidos e serão processados - indica a série de recomendações exibidas pela embaixada alemã no país asiático.

Um dos tópicos mais polêmicos do documento é direcionado às mulheres. A embaixada alemã traz uma série de recomendações. Especialmente às grávidas solteiras e não acompanhadas.

- Grávidas podem ser obrigadas a apresentar certidão de casamento ao receber atendimento médico no Qatar. A Embaixada da Alemanha em Doha oferece às mulheres grávidas solteiras e vítimas de agressão sexual que as contatem antes de procurar tratamento no Qatar ou entrar em contato com as autoridades do país - aponta as autoridades alemãs.

Alguns tópicos, porém, são curiosos. Além de alertar para o consumo de drogas e bebidas alcóolicas em razão do islamismo, o assunto sexo é tratado com cautela na cartilha. Os alemães recomendam que não se consuma material pornográfico durante a estadia no Qatar

- Relações sexuais fora do casamento é ilegal, bem como profanar a imagem do corpo humano. Atos libidinosos podem ser considerado crime pelas leis morais - destaca o texto.

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DIPLOMACIA ENTRE ALEMANHA E QATAR ESTÁ ABALADA

Chegando ao Qatar, o torcedor tem que estar preparado para ser transparente. A embaixada refere-se à vigilância integral no espaço público através do uso de câmeras de vídeo e gravação biométrica usando scanners faciais e comparação de imagens em todas as entradas e saídas. Em muitos casos, isso não corresponde ao entendimento alemão ou europeu sobre proteção de dados.

Dentro desse contexto, a embaixada orienta os germânicos a não falarem sobre política e, principalmente, quaisquer forma de governo anterior que houve na Alemanha. É uma referência velada à época em que o país foi império e, principalmente, quando teve os nazistas como chefes do poder.

Em ambos os casos, como o Qatar foi um protetorado britânico entre o fim do século XIX e meados do XX, e esteve em guerras declaradas contra os alemães, o assunto é um tabu interno até os dias atuais entre os árabes.

As relação entre germânicos e qataris também não é das melhores. Os países divergiram sobre um acordo de cooperação de energia em março, quando tudo parecia a certado.

Isso por conta do investimento alemão em descobrir fontes de energia renováveis e protocolar leis para abandono gradual dos combustíveis fósseis, principal fonte de renda do emirado.

Além disso, o governo dos europeus condena publicamente a falta de respeito aos direitos humanos e trabalhistas dos asiáticos. As declarações contra o fundamentalismo religioso são constantes e amplamente repercutidas pela imprensa alemã.

Tudo isso faz gerar um efeito de total desinteresse alemão pelo torneio. Em comparação com a Copa na Rússia, 77% dos entrevistados afirmaram que seu interesse caiu (63% até disseram 'com certeza'). Por outro lado, apenas 2% disseram que seu interesse no Mundial aumentou.

Perguntados pela revista alemã 'Der Spigel', as razões para o declínio geral no entusiasmo pelo Mundial são diferentes. Acima de tudo, há as circunstâncias especiais em torno da Copa disputada no emirado. O motivo mais citado, com 57%, é a situação dos direitos humanos no país asiático.

Conforme o LANCE! revelou, de todos os principais participantes da Copa, a Alemanha é a que teve o menor número de ingressos vendidos, por exemplo, ficando atrás de México, Brasil e Argentina, países com economia piores que a dos europeus.

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