Sem nunca perder os três jogos na Copa, Tunísia agora quer classificação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Tunísia foi um dos primeiros países árabes a disputar a Copa do Mundo (apenas o Egito, em 1934, e o Marrocos, em 1970 jogaram antes). E venceu na estreia. Em 1978, na Argentina, derrotou o México por 3 a 1 na rodada inicial. Desde então, o sonho de avançar para a segunda fase não se realizou.

A seleção depois se classificaria para os torneios de 1998, 2002, 2006 e 2018, antes de garantir vaga para o Qatar. Nunca perdeu as três partidas da fase de grupos. Sempre beliscou pelo menos um empate ou a solitária vitória. Jamais ficou entre os dois melhores.

A esperança no país é que em 2022 isso mude. Mesmo que não seja fácil.

"Creio que podemos nos classificar neste grupo. Sabemos que a França está lá em cima e eles vão jogar para ganhar [o Mundial]. Dinamarca e Austrália são boas equipes, acho que seria incrível se conseguíssemos. A Tunísia nunca passou da fase de grupos. Temos um grupo bem construído que pode conseguir isso", defende Wahbi Khazri, 31, meia-atacante do Montpellier (FRA).

A seleção entra como zebra no Grupo D. Estreia contra a Dinamarca, em 22 de novembro. Se pretende avançar, será um confronto decisivo contra uma adversária que pratica um futebol de destaque na Europa na atualidade. Depois disso terá a Austrália e a França campeã do mundo.

Khazri é um dos remanescentes da campanha na Rússia, em 2018. Ele fez o gol da vitória sobre o Panamá por 2 a 1 na última rodada, quando os dois times estavam eliminados. A Tunísia já havia sido derrotada por Inglaterra e Bélgica.

Além dele, o primeiro nome na escalação da equipe será do atacante Youssef Msakni, 31, que atua pelo Al-Duhail, do Qatar, e estará em casa na competição. Eles são as referências ofensivas do elenco, ao lado do meia Naim Sliti, 30, do Al-Ettifaq (ARS), por causa da experiência e liderança.

"A Tunísia merece respeito. Eles se classificaram para o Mundial. Isso em si já representa algo que merece atenção", afirma o treinador da seleção francesa, Didier Deschamps.

Apesar da experiência do trio, se a Tunísia fizer barulho na Copa do Mundo, há boa chance de haver a decisiva contribuição do ponta Hannibal Mejbri, 19, que pertence ao Manchester United (ING) e está emprestado ao Birmingham.

Convidado pela federação francesa (ele nasceu na cidade de Ivry-sur-Seine) para atuar na seleção sub-21, ele decidiu aceitar a oferta da Tunísia, nação dos seus pais. Driblador e com visão de jogo, foi um dos três finalistas da eleição para o melhor jogador africano sub-21 deste ano.

Há problemas ainda a serem resolvidos. A posição de goleiro precisa de definição e se tornou ponto de discussão na imprensa. Há quem defenda que Aymen Dahmen, 25, deve manter a posição, apesar das críticas após o amistoso contra o Brasil, quando sofreu cinco gols. Outros acreditam que o antigo titular Bechir Ben Said, 27, deve retornar.

Nos últimos anos, a seleção teve sucessivas trocas de técnicos. Jalel Kadri, o responsável por obter a vaga no Qatar, é o quarto desde a eliminação na Rússia em 2018. O local Faouzi Benzarti dirigiu por apenas três jogos e foi substituído por Alain Giresse, meia histórico da França campeã europeia de 1984. Ele foi trocado pelo tunisiano Mondher Kebaier, vice-campeão da Copa Árabe e que levou o time às quartas de final da Copa Africana de Nações de 2021

Mas quando ele foi diagnosticado com Covid-19 neste ano, Kadri o substituiu e acabou efetivado após alguns bons resultados.