Sem contrato, lateral-direito do Madureira abriu feira para ter renda

Leonardo Barreto
LANCE!


Nome antigo do futebol carioca e com passagens por Macaé e Volta Redonda, Gedeilson Oliveira foi mais um jogador que teve problemas com a pandemia do novo coronavírus. O Madureira, clube atual do lateral-direito, não renovou os contratos com os atletas que encerravam seus vínculos em abril. Em conversa exclusiva com o LANCE!, ele explicou a situação e revelou que teve que abrir uma feira para ganhar alguma renda.

- Eu estava no Madureira e tinha contrato até abril. A ordem do clube era de que todos os jogadores que tivessem com o contrato se encerrando, deveriam esperar por uma posição deles, que iriam ligar para jogar esses últimos jogos. Todo o elenco está liberado e sem contrato, esperando um parecer do clube para ver como vai ficar essa situação. Estamos sem salário e sem contrato. Aí tive uma ideia de montar alguma coisa por não saber até quando ficaremos sem contrato e até quando vai durar essa paralisação - disse.

- O pouco que a gente guarda não queremos estar mexendo ou guardando rápido. Isso acaba sendo inevitável porque temos dívidas e contas todo mês porque temos que estar pagando tudo. Cheguei a uma conclusão com a minha esposa se ela toparia de montarmos alguma coisa. Aí me veio na cabeça uma feira, que não precisava de muita gente e aglomeração - completou.

Ele explica como surgiu essa ideia da feira e cita que a maior felicidade veio de poder ajudar uma outra pessoa.

- Eu queria uma oportunidade de ganhar algum dinheiro e poder ajudar alguém também. Tem um garoto aqui que eu corto cabelo que quando comentei com ele, ele pediu para empregar o pai, que estava desempregado. Aí eu tive a certeza que era para fazer. Conseguimos abrir essa "banca de hortifruti", ou "feira de condomínios", e ainda empregar um pai de família. Isso é o que me deixa mais feliz. Ter ajudado alguém, mesmo em meio ao meu desemprego.








gedeilson
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Feira de Gedeílson tem muita diversidade (Foto: Acervo pessoal)

Por conta da pandemia, a banca não está abrindo. Gedeilson explica que está tendo que fazer entregas com um motoboy e contou os lugares que atende.

- Eu atendo o meu condomínio e um condomínio vizinho. Além disso, tenho uma banca que abre todos os dias no trevo. Nessa última, é onde o pai do menino trabalha. As pessoas do condomínio elogiam muito e pediram para que eu nunca mais deixe de fazer isso. Elogiam muito os legumes. Ninguém pode e nem quer sair de casa nessa pandemia. Então, tendo legumes e verduras frescas na porta da sua casa é muito mais fácil - revelou.

- Nesses últimos dias eu não abri a banca. O governo aqui de Bangu deu uma ordem de 'lockdown' e como está em uma semana de pico alto, estamos só com entrega em casas. Tenho um motoboy que faz essas entregas e não iremos abrir até melhorar essa situação. Quando tudo isso passar, voltaremos com força total porque foi uma coisa que deu muito certo - acrescentou.




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Gedeílson está treinando em casa (Foto: acervo pessoal)

Sobre o coronavírus, o lateral-direito revelou que mantém a forma em casa. Ele torce para que isso tudo passe logo para que as pessoas parem de morrer e para que o futebol volte.

- Minha rotina durante o dia é acordar de manhã, ajudo a montar a banca, passo no final do dia para desmontar, treino e mantenho a forma física em casa. Depois, fico em casa com a minha família e depois o ajudo a desmontar. A rotina é essa. Tem dia que treino de manhã, tem dia que treino na parte da tarde. A gente tem que estar sempre preparado porque não sabemos quanto isso vai durar. Quando acabar, quero estar o mais próximo da forma física ideal.

- Torço para que isso passe logo para que as pessoas parem de morrer e que as famílias parem de perder os familiares. E depois, para que o futebol volte. É o que a gente ama, o que a gente gosta de fazer. É a nossa profissão. Independente de saber se vou voltar ou não para o Madureira, tenho mantido a forma em casa. Meus empresários falaram que vão ver o melhor para mim e confio neles.




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