Sem consenso de clubes, federação desiste de ir à Justiça pelo Paulista

CARLOS PETROCILO E JOÃO GABRIEL
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após não ter sucesso em pressionar o governo de São Paulo e na busca por outro estado onde o futebol possa ser jogado, a FPF (Federação Paulista de Futebol) adiou oficialmente a rodada deste final de semana do Campeonato Paulista. Uma reunião na tarde desta quinta-feira (18), convocada de maneira emergencial pela entidade, colocou em debate a possibilidade de ir à Justiça contra o governo de São Paulo pela continuidade da competição. O encontro virtual contou com a presença do advogado Rui Fragoso, contratado pela FPF, para explicar aos clubes as consequências de uma possível judicialização. Nove dos 16 times da Série A1 do Estadual foram contra ingressar com uma ação. O presidente da federação, Reinaldo Bastos, se absteve. Os dirigentes estão preocupados com uma possível deterioração da imagem dos clubes em sustentar o retorno do futebol enquanto o país vive uma escalada de casos e óbitos em decorrência da Covid-19. Em nota, a Federação Paulista afirmou que "após diversas tratativas com governos estaduais, municipais, CBF e federações, a rodada 5 do Paulistão Sicredi está suspensa e não acontecerá neste final de semana. As novas datas serão divulgadas oportunamente". A intenção agora, segundo o comunicado, é viabilizar as próximas rodadas do estadual durante a fase emergencial em São Paulo, que dura até dia 30 de março. Uma nova reunião com os clubes foi marcada para segunda-feira (22).​ A reportagem questionou diversos estados, sobretudo aqueles com times presentes na Série A do Brasileiro, para saber se houve contato da Federação Paulista para tentar transferir o Estadual de São Paulo. Cotado pela Federação, o Mato Grosso do Sul confirmou que houve uma sondagem informal pela possibilidade, mas afirmou à reportagem que não haveria como receber mais jogos do que os já previstos, também pela falta de estrutura esportiva, mas principalmente em razão do risco de colapso do sistema de saúde local. Integrantes de governos de estados próximos a São Paulo e que ainda permitem a realização de partidas, como o Paraná e o Mato Grosso, disseram que não foram procurados, mas que a possibilidade de aceitação seria remota. Destinos mais longínquos, como Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul, disseram que somente seria possível se posicionar caso houvesse a procura. Antes, a Federação Paulista tentou transferir o Estadual para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC) acenou com a possibilidade de receber o Campeonato Paulista, mas mudou de posição após repercussão negativa. Belo Horizonte receberia São Bento x Palmeiras na última quarta (17), mas o governo mineiro decretou a “onda roxa” um dia antes, com maiores restrições, e proibiu jogos com times de outros estados. O Espírito Santo também aumentou o controle de sua quarentena e suspendeu o futebol. O anúncio da suspensão das competições esportivas no estado de São Paulo foi no último dia 11, como parte do pacote de medidas mais restritivas para conter o coronavírus. Na ocasião, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acatou uma recomendação do Ministério Público, assinada pelo procurador-geral de Justiça Mario Sarrubbo. A princípio, o campeonato está impedido de ser realizado no estado de 15 a 30 de março. Os treinos estão liberados. No entanto, a Federação Paulista e os clubes estavam determinados a manter o calendário do torneio intacto. Eles defendem que o protocolo sanitário aprovado para o futebol garante a segurança da atividade. A pressão da entidade junto ao governo, no entanto, não surtiu efeito e a suspensão foi mantida. Na última terça-feira (16), uma reunião entre dirigentes definiu que a estratégia seria buscar outro estado para a continuidade da competição. Uma outra alternativa seria ir à Justiça para garantir a realização do campeonato em São Paulo. * Sete times foram favoráveis à judicialização: Inter de Limeira Ituano Guarani Mirassol Novorizontino São Paulo São Bento Nove equipes foram contra ir à Justiça: Botafogo Bragantino Corinthians Ferroviária Palmeiras Ponte Preta Santos Santo André São Caetano