Seleção de basquete causa boa impressão, mas futuro preocupa analistas

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Petrovic é retirado de quadra após sua expulsão contra os EUA (Lintao Zhang/Getty Images)
Petrovic é retirado de quadra após sua expulsão contra os EUA (Lintao Zhang/Getty Images)

Por Alessandro Lucchetti (@Alessandrolucc)

Um misto de orgulho, com uma boa dose de preocupação. Esse é o sentimento de analistas da comunidade basqueteira depois da eliminação do Brasil na segunda fase da Copa do Mundo da China, com a derrota para os Estados Unidos por 89 a 73.

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Marquinhos Abdalla, o primeiro brasileiro a ser draftado pela NBA (em 1976, pelo Portland Trail Blazers), colocou a análise em perspectiva. “A seleção brasileira deixou o país desacreditada. Mas se você for analisar friamente, temos um grupo em que oito jogadores atuam ou já atuaram na NBA, e outros três jogaram no basquete europeu. Apenas um (Yago), nunca jogou por um clube do exterior. É uma seleção muito grande. O problema é que os oponentes são fortíssimos. As seleções europeias estão acostumadas a se enfrentar. Devido à distância, o nosso intercâmbio é menor, o que causa dificuldades relativas à arbitragem, por exemplo. Mesmo assim, a despeito de todos esses problemas, fiquei encantado com a seleção brasileira. Fez um grande jogo inclusive contra a seleção norte-americana”, diz o ex-pivô, draftado na 162ª posição, na décima rodada, e que preferiu atuar no basquete italiano, devido à falta de cobertura contratual – caso se lesionasse seriamente, ficaria sem receber salários.

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Na mesma linha analisa Danilo Castro, ex-jogador que hoje comenta o NBB para o canal Band Sports. “A seleção brasileira me deixou com uma impressão muito boa. Mas temos que separar as coisas. O Brasil caiu num grupo dificílimo na primeira fase (com Nova Zelândia, Grécia e Montenegro) e se classificou em primeiro lugar, sem derrota. Perder para a República Tcheca, uma equipe que sabe jogar, e joga muito bem, não foi nenhum absurdo. O que vem pela frente, no entanto, me preocupa”, diz o ex-jogador do Mogi das Cruzes, entre outras equipes.

Danilo se refere ao caminho tortuoso que o Brasil terá que percorrer em busca da vaga olímpica. O time de Aleksander Petrovic será uma das 24 equipes a ser distribuídas em quatro Pré-Olímpicos, a ser disputados um mês antes da Olimpíada de Tóquio. Apenas os vencedores de cada um desses hexagonais obterá vaga olímpica. Algumas seleções europeias poderão cair no mesmo Pré-Olímpico que o Brasil, como Lituânia, Itália, Rússia e Turquia, bem como fortes equipes que nem se classificaram para a Copa do Mundo, como Croácia e Eslovênia.

“O Pré-Olímpico será extremamente duro. E o futuro vai ser complicado. Depois que Varejão, Alex, Huertas e Leandrinho pararem, vai ser muito complicado, porque não vejo novos talentos sendo revelados. Esse pessoal mais velho é que faz a diferença”, assinala Danilo.

Marquinhos também se preocupa com a falta de renovação. “Não houve nenhum jogador injustiçado na convocação. Ninguém ficou de fora. Não existe também nenhum jovem atleta pedindo passagem. Na verdade, não temos 20 ou 30 jogadores aptos a defender a seleção. O que temos são esses 12 mesmo, e isso me preocupa”.

Embora os analistas reservem muitos elogios a Petrovic, a exclusão do treinador no início do segundo quarto, quando foi punido com a segunda falta técnica, assustou Marquinhos. “A única coisa que não entendi foi a atitude do treinador. A cabeça que deve permanecer mais fria, seja qual for a circunstância, é a dele. Ainda quero entender o que aconteceu naquele momento”.

Danilo dá um desconto para o treinador croata, e avalia que a equipe soube reagir sob o comando do auxiliar técnico César Guidetti. “O trabalho do Petrovic ao longo de toda a preparação foi exemplar, e cabe salientar que a seleção se reúne esporadicamente, sem a frequência desejável. Mesmo assim, é um time que tem padrão e joga de igual para igual com todas as equipes”.

Marquinhos, que contribuiu com o atual presidente da CBB, Guy Peixoto, no início da administração do mandatário, é condescendente na análise sobre a derrota que, na verdade, selou a desclassificação do Brasil, para a República Tcheca. “Depois de uma grande vitória, como aquela em cima da Grécia, que inclusive é um time superior ao tcheco, acho que os jogadores relaxaram um pouco. Houve outros fatores também, como o cansaço depois de uma fase inicial muito dura e a viagem longa de Nanquim a Shenzhen. E todos sabemos que o processo de concentração deve ocorrer antes do jogo. É impossível a equipe ‘se ligar’ durante a partida”.

Na avaliação de Guilherme Giovannoni, comentarista da ESPN, o Brasil revelou qualidades suficientes para fazê-lo acreditar na classificação olímpica. “A gente criou uma expectativa enorme por conta da grande vitória sobre a Grécia. Mas, analisando friamente, vendo o grupo do Brasil e os prováveis cruzamentos, sabíamos que a classificação entre os oito melhores seria muito difícil, e essa dificuldade se refletiu em quadra. Porém, achei o Brasil muito competitivo e poderá ter sua chance no Pré-Olímpico, sim”.

Giovannoni releva as falhas nos arremessos – contra a República Tcheca e contra os Estados Unidos, nas duas derrotas brasileiras, o time de Petrovic apresentou um baixo aproveitamento nos arremessos de quadra. “Esse tipo de falha não se deve à falta de treinamento. Tenho certeza de que todos trabalham duro nos treinos. O que pesa nesse momento é muito mais a escolha inadequada da jogada. A dificuldade para escolher a jogada é um problema que o jogador brasileiro apresenta devido à falta de treinadores que ensinem isso no basquete de base. A gente acaba aprendendo isso muito tarde. De qualquer forma, no geral, acho que todos os jogadores cumpriram um papel muito digno”, conclui o ex-ala-pivô, que atuou por sete temporadas no basquete italiano.

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