Seleção Brasileira precisa fugir do "já ganhou"

Tite e os atletas brasileiros têm uma grande missão pela frente e não há relação alguma com o que ocorre no campo: a manutenção dos pés no chão. As oito vitórias seguidas nas Eliminatórias para a Copa do Mundo são surpreendentes e relevantes, mas não faz o menor sentido o espírito “oba oba” que atingiu boa parte da torcida brasileira, respingando numa imprensa que precisa também o tempo todo ter certezas irrefutáveis.

Não é difícil, entretanto, compreender tanto otimismo. Há uma carência quase patológica em boa parte da nação futebolística. Fazia bastante tempo que o Brasil não apresentava um futebol consistente, coletivo, intenso, responsável e usando os talentos individuais como parte de uma engrenagem maior. Os números também são impressionantes, com 24 pontos em 24 disputados, 24 gols marcados e apenas dois sofridos.

A classificação com mais de um ano e três meses de antecedência para a Copa da Rússia era algo impensado antes de Tite assumir – Dunga e Gilmar Rinaldi vinham fazendo trabalho ruim – mas o Brasil, em que pese ter enfrentando alguns bons times da América do Sul, não foi testado ainda em todas as suas possibilidades, até porque não enfrentou as equipes da Europa.

Além disso, fase final de Copa do Mundo é algo que não tem comparação com nenhuma partida de Eliminatórias ou amistoso. Por isso que a Seleção Brasileira, contando com um grupo maduro, jamais pode se descuidar no aspecto de excesso de confiança. Não há qualquer motivo.