A seleção brasileira já teve um jogador do XV de Piracicaba - e ele lembra toda a história

Goal.com

O elenco do XV de Piracicaba estava realizando exames na Escola Paulista de Medicina, em fevereiro de 1995, quando chegou uma notícia que poucos esperavam: Doriva, volante comprado do São Paulo no começo do ano, havia sido convocado por Zagallo para a seleção brasileira.

Atualmente na Série A2 do Campeonato Paulista e sem divisão nacional, o XV vivia outro momento. Era líder do Paulistão, com direito a uma vitória sobre o futuro campeão Corinthians e uma goleada por 6 a 0 sobre a Ponte Preta. Nada, porém, que indicasse a presença de um dos seus atletas na seleção pela segunda vez na história.

"Me lembro de tudo, foi um dia especial na minha vida, primeira convocação para a seleção brasileira. Recebi a notícia que eu havia sido convocado. Um orgulho de ter sido relacionado para uma seleção brasileira", contou à Goal o hoje técnico Doriva, que ficou apenas no banco naquela partida contra a Eslováquia.

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"Eu recebi [a notícia] de um diretor de futebol que estava lá com a gente. Nessa época o celular estava começando, eu tinha o [celular] Motorola 'tijolão', mas a gente não levava para tudo que é lugar. Meu telefone eu não tinha divulgado para ninguém", relembrou.

"Eu não tinha nem ideia [que ia ser chamado], eu sei que a seleção estava em formação. Tinha acabado a Copa. Eu fui convocado com Ricardo Rocha, Romário, Branco. Começou a renovação, fiz parte de tudo aquilo", comentou o meio-campista, que esteve no grupo que disputou a Copa do Mundo em 1998.

Presente em todas as convocações naquele semestre, Doriva fez no dia 6 de junho daquele ano a última partida de um jogador do XV de Piracicaba pela seleção brasileira.

Ele foi titular na vitória por 3 a 0 sobre o Japão, válida pela Copa Umbro, na Inglaterra, vencida pelo Brasil poucos dias depois, em Wembley. No elenco, conviveu com nomes como Aldair, Roberto Carlos, Dunga, Rivaldo e Ronaldo, um dos maiores artilheiros da seleção no século. Confira também quem deu mais assistências pelo Brasil desde 2001.

"A recepção foi boa. Eu fiquei no quarto com o Argel, que era menino também. Conhecia o Reinaldo, uma atacante do Atlético-MG, convocado. Cafu, que eu tinha jogado no São Paulo. Foi muito bom", contou.

A ida para o XV

Doriva, campeão mundial pelo São Paulo em 1993, teve de deixar o gigante do Morumbi para tentar buscar seu espaço no futebol. Hoje em sua casa, em São José do Rio Preto, ele se lembra perfeitamente como foi a negociação para ir ao XV.

"O presidente falou: 'vou te levar por empréstimo para o XV'. Eu respondi que se ele comprasse meu passe, eu ia. E ele comprou. Foi a primeira grana que eu ganhei, esses 15% do valor que o São Paulo me vendeu. Foi o começo para estabilizar minha vida", recordou.

"Fiz essa transferência, fui ganhar dinheiro. Comprei um apartamento em São José do Rio Preto. O Juan Figger estava ajudando a montar o XV na época e tinha umas situações para eu ir para a Europa. Era mais fácil porque eu tinha o passaporte europeu", disse Doriva.

Depois de quase acertar sua ida à Atalanta em uma reunião realizada com um empresário no famoso hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, Doriva acabou seguindo do XV para o Atlético-MG. De lá, seguiu rumo ao Porto, iniciando uma passagem de dez anos na Europa.

Bom negócio para o XV? Mais ou menos...

Doriva Atlético-MG 1997
Doriva Atlético-MG 1997

Mesmo com o marco de ter um atleta convocado para a seleção brasileira e sendo líder do torneio em dado momento, o XV de Piracicaba não tem grandes lembranças daquele Campeonato Paulista. O time do técnico Rubens Minelli não pôde contar com Doriva na reta final justamente pela convocação e acabou rebaixado.

"Pelo fato de ser o primeiro campeonato em que a vitória valia três pontos, os clubes não estavam adaptados ainda a essa realidade. O XV tinha um elenco que não era tão grande. Foi ruim para o XV na verdade. Eu era titular, uma peça importante", reconheceu o meio-campista.

A notícia do rebaixamento do clube do interior não chegou tão rapidamente a Doriva. O mensageiro, por sinal, atuava pelo Flamengo e despontava como um dos grandes atacantes daquela geração.

"Não tinha essa facilidade de informação como hoje. Ver jogo nem pensar. Me lembro que eu fiquei sabendo da notícia já no avião voltando para o Brasil. Estava conversando com o Edmundo, Edmundo falando do Palmeiras e ele me falou. Foi triste, frustrante, uma equipe montada para fazer um bom campeonato", lamentou.

Falando sempre com carinho do período, porém, Doriva acredita que deixou sua marca em uma passagem gloriosa do XV, finalizada seis meses depois da sua saída: o título da Série C, única conquista nacional do clube.

"Eu joguei o primeiro jogo, ganhamos de 1 a 0 do Paulista de Jundiaí, gol meu. Aí acabei indo para o Atlético-MG. Então pode colocar no currículo esse título aí (risos)", encerrou.

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