Seleção argentina cometeu seguidas infrações sanitárias e peitou autoridades, diz diretor da Anvisa

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Responsável na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pela área de supervisão de portos, aeroportos e fronteiras, o diretor Alex Machado Campos diz que a AFA (Associação do Futebol Argentino) descumpriu reiterados avisos e determinações das autoridades brasileiras antes da interrupção da partida entre as seleções argentina e brasileira neste domingo (5), em São Paulo.

Campos, que comanda o processo na Anvisa, conta ao menos três tentativas de fazer com que a AFA separasse os quatro jogadores que haviam passado pelo Reino Unido antes de desembarcar no Brasil e que prestaram informações falsas a respeito.

A primeira teria acontecido no sábado (4), em reunião que contou com representantes da Anvisa, da secretaria paulista de Saúde, do Ministério da Saúde e da AFA, diz Campos.

A Anvisa confirmou no encontro que, diferentemente do que constava nos formulários oficiais preenchidos pelos atletas, eles haviam passado pelo Reino Unido. Os atletas Emiliano Martínez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero atuam em clubes da Premier League. Eles só poderiam ter entrado no país para o jogo das Eliminatórias após 14 dias fora dos locais sob restrição.

Diante disso, determinou que cumprissem quarentena e não participassem nem de atividades de treinamento. A AFA colocou os atletas para treinar de qualquer forma mesmo assim.

"Tem relato técnico dessa reunião, na qual eles foram notificados oficialmente. Eles tinham que ficar segregados", completa o diretor.

Campos diz que a Anvisa, então, notificou a PF de que havia infrações sanitárias acontecendo por parte da seleção argentina. Na manhã deste domingo (5), agentes da PF foram ao hotel em que estava a delegação argentina, que colocou os atletas no ônibus e partiu para o estádio.

Agentes da Anvisa e da PF então foram deslocados para o Itaquerão, e lá chegaram 1h antes do jogo. Campos relata que a AFA não permitiu o acesso aos vestiários.

"Nossa atuação não tinha nada a ver com o jogo. A Anvisa atuou em várias etapas e não tem culpa da interrupção. As seleções poderiam jogar. Enfrentaram a Anvisa para levar os caras para dentro de campo. O escárnio final foi entrarem no gramado", afirma Campos.

"O jogo não era para ter sido interrompido. Mas foi infringência atrás de infringência. Pedimos que não saíssem do hotel, que fizessem quarentena, e por fim levaram a campo. Ou a gente tem regra no Brasil ou a gente não tem", completa o diretor.

Campos fala em uma "sequência de descumprimentos às normas brasileiras e reiteradas colisões com as determinações da Anvisa."

"A gente não queria que o jogo parasse, mas somente que os quatro jogadores pagassem pela infringência que cometeram", completa o diretor.

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