Segurança, protocolos e anuência do elenco: Fluminense traça caminhos para retorno das atividades

Luiza Sá
LANCE!


O Fluminense tem sido uma voz ativa na corrente pela cautela com relação ao retorno do futebol de maneira apressada. Neste momento, o clube entende que só retomará os treinamentos presenciais e os jogos depois que as autoridades liberarem as atividades. Além disso, existirá a necessidade de anuência por parte dos jogadores. O elenco tricolor segue de férias pelo menos até a próxima quinta-feira, quando se encerra o período acordado pelas equipes (e já estendido uma vez).

Além da questão de saúde pública, o Flu tem como base um argumento jurídico. No caso da consulta aos jogadores antes de qualquer decisão definitiva, isso se dá porque assim prevê a legislação vigente e também a medida provisória emanada pelo governo. O clube entende que o grupo pode se recusar a entrar em campo caso sinta que a saúde está ameaçada e não pode obrigar ninguém a se arriscar.

Com a situação da pandemia do novo coronavírus piorando a cada dia no Brasil, ainda não se sabe quando de fato as atividades vão poder retornar. Há uma corrente para que seja já em maio, ao menos com os treinamentos e partidas com portões fechados. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) já elaborou junto aos clubes um protocolo de segurança. Foi o próprio Fluminense quem puxou - e todos os clubes do Rio de Janeiro acabaram sendo a favor - a extensão das férias coletivas até o final de abril.



- Não é um problema único de saúde, mas jurídico também. Neste momento, no mundo, nenhum empregado que não seja de serviço essencial é obrigado a se expor ao contágio da doença. O Fluminense só retorna a campo quando houver condições jurídicas e de saúde. Não sou contra protocolo nenhum de retorno, ninguém é burro de achar que esse vírus não vai seguir. Vamos ter que continuar tomando precauções - afirmou o presidente Mário Bittencourt em entrevista ao "Esporte Interativo".

O Fluminense já desenvolveu alguns protocolos próprios para o momento em que os treinos recomeçarem. Além da distância necessária e recomendada entre os atletas, o clube estabeleceu como será feita a higienização dos equipamentos, o funcionamento do departamento médico, máscaras para o trabalho de todos os profissionais, entre outros.

- Se fosse aprovado e o Governo mudasse o decreto dizendo que o futebol pode voltar, tudo bem. O Fluminense está cumprindo a lei. O que alguns querem é voltar à força. Se o protocolo for aprovado e mudar a determinação, aí teremos que negociar com os jogadores se eles querem jogar mesmo nesse momento da pandemia. Se eles disserem sim, o Fluminense volta. O que não vou fazer é obrigar as pessoas a retornarem. Recebemos um comunicado da CBF de que o Ministério da Saúde em momento nenhum visualizava voltar o futebol em maio. Esticamos as férias para ganhar calendário - disse Mário.



Ponto de vista jurídico

Em entrevista recente ao LANCE!, o advogado especializado em esporte Pedro Trengrouse falou sobre a possibilidade de os atletas se recusarem a entrar em campo caso o futebol retorne, respaldando o pensamento do Fluminense sobre o acordo necessário com os atletas. Clique aqui para ver todas as respostas na íntegra.

- Não se pode obrigar ninguém a colocar sua saúde em risco. Nesse momento, há uma série de impedimentos legais para que o futebol retome suas atividades. Estados e Municípios são responsáveis pelas licenças e alvarás necessários à realização de eventos esportivos. Enquanto medidas mais duras de distanciamento social estiverem em vigor, é praticamente impossível que o futebol retome suas atividades. Entidades esportivas também estão conscientes das suas responsabilidades - avaliou.




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