Se riqueza é ser feliz, Karma, arqueira do Butão, é a mulher mais rica do mundo

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Karma, à direita com a bandeira, carrega a bandeira do Butão. Foto: BEN STANSALL/AFP via Getty Images
Karma, à direita com a bandeira, carrega a bandeira do Butão. Foto: BEN STANSALL/AFP via Getty Images

Os economistas que criaram a medição do PIB (Produto Interno Bruto) dos países concluíram, em 2012, de que dados econômicos não significavam riqueza. Esta deveria ser calculada sob um aspecto mais abstrato: a felicidade. Historicamente, o país mais feliz do mundo em diferentes rankings é o Butão, pequena nação montanhosa da Ásia.

“Se é assim, eu sou a pessoa mais rica do mundo”, comemorou Karma, com ajuda de um intérprete do Comitê Olímpico Internacional.

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Atleta do país no tiro com arco, ela marcou 616 pontos na fase classificatória da Olimpíada de Tóquio na última sexta-feira (23). Na próxima quarta (28), enfrenta a indiana Deepika Kumari na primeira etapa eliminatória.

Karma chama a atenção primeiro porque este é seu nome e sobrenome. Isso causou problemas na mesa de marcação de pontos do esporte em Tóquio, montada para duas designações para cada atleta, não apenas uma.

O resultado fez a arqueira se tornar uma heroína nacional. O tiro com arco é o esporte mais popular do Butão e faz parte da cultura nacional. Karma se tornou referência para o país pela segunda vez em poucos meses.

O comitê olímpico local sempre recebia convites para as Olimpíadas em algumas modalidades baseado em critérios estabelecidos pelo o COI. A entidade os usa como forma de incentivar regiões sem representatividade a desenvolverem a prática esportiva. Karma não precisou disso. Foi a primeira atleta da história do país a se classificar por pontuação, como qualquer outra.

Ela já havia competido na Rio-2016, quando carregou a bandeira de Butão na cerimônia de abertura, mas viajou como convidada. Em 2019, obteve a vaga para Tóquio em torneio pré-olímpico disputado na Tailândia.

“Eu me considero uma pessoa de muito sorte por participar de duas Olimpíadas. Mas esta é mais especial porque consegui a classificação. Isso me motivou ainda mais nos treinos a me superar”, explicou.

Desacostumada com a atenção da mídia, ela parece não saber o que dizer a cada pergunta que a intérprete lhe passa. A resposta é vacilante e dada em voz bem baixa. Como se não entendesse o motivo para chamar tanto a atenção.

“Se mais mulheres do Butão chegarem até aqui, acho que meu papel no esporte terá sido cumprido. Eu estarei preparada para a próxima disputa e se meu país está orgulhoso de mim, é tudo o que necessito”, completou.

O tiro com arco foi oficializado como esporte nacional da nação asiática em 1971 e conta com apoio financeiro para desenvolver. É considerada uma arte marcial principalmente nas áreas da nação em que é praticada há séculos.

Nada que Karma precise escutar agora. Ela se acostumou na adolescência a disputar torneios todas as semanas e a ganhar todos.

“Não posso falar em medalha. É um sonho muito distante. Nem quero pensar nisso”, conclui, ao ser perguntado sobre suas chances nas próximas fases.

É distante, mas se classificar por seus próprios méritos, sem precisar de convite, parecia ser algo mais difícil ainda.

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