Satélite BlueWalker 3 preocupa astrônomos por ser mais brilhante do que estrelas

O Center for the Protection of the Dark and Quiet Sky from Satellite Constellation Interference, da União Astronômica Internacional (IAU), expressou preocupação com o satélite BlueWalker 3, da AST SpaceMobile. Ele foi lançado em setembro, e já se tornou mais brilhante que as estrelas mais luminosas do céu noturno, oferecendo também riscos de interferência para as frequências usadas na radioastronomia.

O BlueWalker 3 é um protótipo que opera na órbita baixa da Terra. Ele tem um sistema de antenas com 64 m², o maior sistema comercial já levado para esta órbita, e é apenas o primeiro de uma série que poderá ter uma centena ou até mais satélites maiores. Entretanto, dados coletados por astrônomos de todo o mundo mostram que o BlueWalker 3 já se tornou um dos objetos mais brilhantes do céu.

Rastro do satélite BlueWalker 3 junto da estrela Vega, uma das mais brilhantes do céu noturno (Imagem: Reprodução/A. Block/IAU CPS)
Rastro do satélite BlueWalker 3 junto da estrela Vega, uma das mais brilhantes do céu noturno (Imagem: Reprodução/A. Block/IAU CPS)

Além do brilho visível, o satélite (e os demais que serão lançados) levantam preocupação, porque vão servir como “torres celulares” no espaço. Em outras palavras, eles vão transmitir fortes ondas de rádio em frequências que, atualmente, são reservadas para a comunicação em solo. Como estes transmissores orbitais não estão expostos às mesmas restrições que as instalações em solo, eles podem afetar a radioastronomia e experimentos científicos.

A IAU destacou que planeja entrar em contato com a AST SpaceMobile, e que incentiva o diálogo e colaboração entre operadoras de satélites e cientistas. Apesar de discussões recentes com operadoras terem levado a medidas de mitigação, a instituição destaca que é preciso muito mais — é o caso da SpaceX, que aplicou revestimentos em seus satélites Starlink para torná-los menos brilhantes a olho nu. Mesmo assim, eles continuaram visíveis para telescópios.

O satélite BlueWalker 3 já superou até o brilho de estrelas (Imagem: ReproduçãoAST SpaceMobile)
O satélite BlueWalker 3 já superou até o brilho de estrelas (Imagem: ReproduçãoAST SpaceMobile)

Philip Diamond, diretor geral do observatório SKAO, destaca que os radiotelescópios são construídos o mais longe possível da atividade humana, principalmente em lugares onde há cobertura celular limitada ou inexistente. “As frequências alocadas para os celulares já são desafiadoras mesmo nas zonas silenciosas que criamos para nossas instalações, mas novos satélites, como o BlueWalker 3, têm o potencial de piorar esta situação”, alertou.

Em um comunicado, a IAU e os parceiros do centro reconhecem a importância das constelações de satélites para a melhora da comunicação mundial, mas destacam também que a interferência deles pode afetar severamente o progresso na compreensão do universo. “Portanto, a implantação deles deve ser conduzida com consideração dos efeitos colaterais, e com esforços para minimizar o impacto deles na astronomia”, escreveram.

Fonte: Canaltech

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