Sassá ou Roger? Jair ganha mais um ‘bom problema’ para armar o Botafogo

O Botafogo jogou como se estivesse em casa contra o Barcelona de Guayaquil, mas o empate em 1 a 1 ficou marcado pelas chances desperdiçadas pelo Alvinegro. Principalmente no primeiro tempo, quando perdeu um pênalti – além do rebote - e viu o adversário abrir o placar mesmo criando menos oportunidades de gol.

Apesar de ter arriscado menos arremates [13 a 15], a equipe carioca levou efetivamente mais perigo aos equatorianos: acertou seis vezes o alvo defendido pelo goleiro Banguera e obrigou o camisa 1 rival a fazer excelentes defesas. O time treinado por Jair Ventura só conseguiu abrir o placar em pênalti convertido por Sassá, aos 89 minutos.

O atacante, que chegou na quarta-feira (21) no Equador por causa do nascimento de seu filho, mais uma vez começou no banco de reservas e mudou os rumos da partida quando entrou, contra o Estudiantes, no estádio Nilton Santos, a história foi parecida. É por isso que a pergunta já começa a ficar recorrente para Jair Ventura: quem deve ser o titular, entre Roger e Sassá, no comando de ataque?

Roger Botafogo Barcelona Libertadores 21 04 2017

Roger começou mais uma vez no time titular (Foto: Getty Images)

Na entrevista coletiva após o empate, Jair falou sobre o assunto sem dar uma resposta para os repórteres: “O Sassá ganhou um pouco mais de força, um pouco mais de velocidade. O Roger é um cara muito tático, um cara que joga para o time, que corre bastante também. E o Sassá já é o cara mais da última bola, o cara de definir. Estava revoltado com a perda dos gols. Bom que fez e homenageou o filho que nasceu”.

A análise de Jair é importante para imaginar que, embora Sassá seja tão efetivo [dos seus 5 gols em 2017, somente um foi como titular], o seu lugar no time não é tão garantido quanto se espera. Roger sofreu o pênalti que viria a ser desperdiçado por Camilo, no início do primeiro tempo, e teve importante papel na movimentação do time. Apesar de ter finalizado a gol somente uma vez, e sem acertar o alvo, criou o mesmo número de oportunidades que Camilo (2, o maior número do time na partida). Apesar de ser visto como um centroavante clássico, o jogador de 32 anos se movimentou bastante e carregou consigo a marcação dos zagueiros, abrindo espaço para as infiltrações de Pimpão e Camilo ou para que Bruno Silva e João Paulo finalizassem.

Sassá Botafogo Barcelona Libertadores 21 04 2017

Sassá entrou e garantiu um ponto importante  (Foto: Getty Images)

Quando Sassá entrou no lugar de Roger, no minuto 65’, também pressionou e teve uma grande oportunidade desperdiçada. O camisa 29 esteve mais presente na área, em um momento no qual o Glorioso se lançava mais ao ataque. Além da cabeçada desperdiçada, converteu o pênalti que deu um importantíssimo ponto à equipe de General Severiano. Ou seja, Sassá arrematou mais a gol (2 a 1) do que Roger, mas criou menos chances (0 a 2).

Sassá decidiu, o que já não é grande novidade. Tem vaga fácil de titular no time, mas isso não quer dizer que a equipe não funcione sem ele. Jair Ventura bate na tecla da ‘meritocracia’, segundo a qual Sassá pode começar como titular pelos próprios méritos. Mas vale lembrar que, mesmo sendo o goleador do time no Brasileirão de 2016, ele seguia iniciando muitos jogos no banco de reservas durante aquela campanha.

Alguns podem achar que Jair Ventura tem um problema a solucionar no time titular [além da questão Camilo/Montillo], mas os otimistas podem considerar que o treinador vem ganhando mais opções para montar o time. De maneiras distintas, Sassá e Roger estão respondendo em campo. E como o autor do gol sobre o Barcelona de Guayaquil também consegue atuar pelos lados do ataque, não é absurdo imaginar que o treinador alvinegro também possa encontrar soluções com ambos em campo.