São Paulo não 'abre mão' e diz que vacinação começará dia 25 se governo atrasar calendário

João Conrado Kneipp
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Nurse Arzu Yildirim administers a dose of the CoronaVac vaccine, made by Sinovac, currently on phase III clinical trials to Eren Bozyigit, at Acibadem Hospital in Istanbul, Monday, Dec. 21, 2020. Turkey has ordered 50 million doses of the vaccine and Health Minister Fahrettin Koca said last week that the first batch was expected to arrive within days and vaccination could start at the end of December or early January. Some 12,500 volunteers are taking part in Phase 3 trials of the vaccine across Turkey but the full vaccination programme is expected to start before the trial is completed. (AP Photo/Emrah Gurel)
A vacinação em São Paulo está prevista para começar no dia 25 de janeiro. (Foto: AP Photo/Emrah Gurel)

O governo de São Paulo reiterou que não abrirá mão de iniciar a vacinação no estado contra a Covid-19 no dia 25 de janeiro caso o Ministério da Saúde atrase seu calendário do PNI (Plano Nacional de Imunização).

A previsão do governo de João Doria (PSDB) é que a imunização no estado comece no próximo dia 25 utilizando a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

O governo federal, no entanto, ainda não tem uma data definida para começo da vacinação e trabalha com cenários que vão desde 20 de janeiro até o início de março.

A fala foi feita inicialmente pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, e repetida pelo coordenador-executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, na coletiva de imprensa desta sexta-feira (8).

“Pelo recrudescimento da pandemia, não podemos aguardar. Temos o compromisso com o Ministério da Saúde de fornecer 46 milhões de doses até abril para o PNI. Mas caso haja atraso e (a vacinação pela União) avance para março ou fevereiro, estamos mantendo a vacinação para dia 25 de janeiro aos profissionais de saúde e idosos”, afirmou Gorinchteyn.

A utilização da CoronaVac depende que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) conceda autorização para uso emergencial da vacina. O pedido foi protocolado na manhã desta sexta-feira (8) na agência, que agora terá um prazo de até 10 dias para analisar todos os documentos enviados pelo Butantan dos estudos da fase 3 dos testes da vacina no país.

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Na quinta-feira (7), o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou que todas as doses disponíveis da CoronaVac produzidas pelo Instituto Butantan serão incorporadas ao PNI, e declarou que a pasta assinou um acordo para compra de 100 milhões de doses — 46 milhões até abril e outras 54 milhões de doses até o fim do ano.

Pazuello afirmou que compra só foi possível devido à MP (Medida Provisória) que autoria a aquisição de vacinas antes do obtenção do registro na Anvisa. O acordo foi assinado no mesmo dia em que Butantan anunciou que a CoronaVac teve eficácia de 78% nos estudos realizados no Brasil.

O governo ainda não fixou uma data para início da vacinação no Brasil. Segundo o ministro, a o Ministério da Saúde trabalha com três datas diferentes, que variam entre 20 de janeiro ou até mesmo no início de março.

“Se, de alguma maneira, o Plano Nacional de Imunização do governo federal iniciar dia 20 de janeiro, por óbvio o plano estadual será antecipado e vacinaremos no mesmo dia que os outros estados. Se o PNI for postergado para depois de 25 de janeiro, São Paulo não abrirá mão de sua vacinação”, completou Gabbardo.

A DISPUTA POLÍTICA PELA VACINA

A data de 25 de janeiro, aniversário da capital paulista, foi anunciada pelo governador antes de qualquer consolidação do plano de imunização do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Os dois, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022, protagonizam uma guerra política em torno da CoronaVac.

Em outubro, Pazuello anunciou, durante uma reunião com governadores, a assinatura de um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses. No dia seguinte, no entanto, o presidente afirmou que a "vacina chinesa de João Doria" não seria comprada pelo governo.

A justificativa original de Bolsonaro era de que o governo não poderia comprar uma vacina antes do registro na Anvisa. Entretanto, ele chegou a falar que a CoronaVac não seria comprado mesmo se obtivesse aprovação da agência.

Após a declaração de Bolsonaro, o Ministério da Saúde voltou atrás. O secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, disse que "uma interpretação equivocada" e que não havia "intenção de compra". Um dia depois, em um vídeo ao lado de Bolsonaro. Pazuello afirmou que "um manda e outro obedece".