São Paulo investiga depósitos de R$ 15,9mi a Tombense

O empresário Eduardo Uram, que registra seus atletas na Tombense, chegou a ter mais de dez clientes no Tricolor de 2013 a 2014
O empresário Eduardo Uram, que registra seus atletas na Tombense, chegou a ter mais de dez clientes no Tricolor de 2013 a 2014; hoje, somente o lateral-direito Bruno permanece no Morumbi

A Tombense disputa apenas a Série C do Brasileiro e nunca conseguiu mais do que ser semifinalista do Campeonato Mineiro desde sua fundação, em 1914. Mas o pequeno clube da cidade de Tombos virou alvo de uma investigação no São Paulo. A intenção é descobrir por que o Tricolor pagou mais de R$ 15 milhões à Tombense em 2014.

Um grupo de conselheiros, inclusive, cobra que a comissão de auditoria do Conselho Deliberativo do São Paulo apure o motivo que levou o então presidente Juvenal Juvêncio a fazer 11 transferências entre os dias 12 de fevereiro e 4 de abril de 2014 ao clube onde o empresário Eduardo Uram costuma registrar seus jogadores (confira a relação de depósitos no fim da matéria).

Em 2013, nos dias 15 de maio e 17 de junho, o Tricolor já havia realizado outros dois repasses, de R$ 283 mil e R$ 285 mil, totalizando R$ 15,9 milhões em pouco menos de uma temporada. O clube chegou a ter mais de dez jogadores de Eduardo Uram simultaneamente no elenco, entre eles Bruno, Cícero, Antônio Carlos, Edson Silva, Juan, Welliton, Carleto, Cortez, João Filipe e Roger Carvalho.

Atacante de qualidade discutível, Welliton rende até hoje calafrios nos dirigentes. Ele esteve no Morumbi apenas por quatro meses, no fim de 2013, e custou R$ 800 mil somente em salários. Foram 19 partidas, sendo seis como titular, e quatro gols.

Ex-diretor jurídico do Tricolor, José Marcelo Previtalli Nascimento aponta o repasse de R$ 15 milhões como uma situação “gravíssima” e cobra explicações sobre a razão dos pagamentos, informações sobre quanto custou cada uma das negociações de jogadores, além de explanações sobre todos os repasses à Brazil Soccer, empresa de Uram.

Previtalli, Erovan Tadeu, Danilo Decoussau e Antônio Donizeti enxergam um possível conflito de interesses no fato de a Brazil Soccer ter contratado para defendê-la em casos advocatícios o escritório AMVO – José Francisco Manssur e Gustavo Vieira de Oliveira integravam o escritório enquanto trabalhavam pelo São Paulo na época dos R$ 15 milhões pagos à Tombense. Manssur atuava como assessor da presidência, enquanto Gustavo era gerente de futebol.

O quarteto ainda pede “o imediato afastamento das pessoas diretamente envolvidas com a situação, para salvaguardar os interesses e imagem do São Paulo, sem prejuízo do respeito devido ao detentor do poder para realização de tal ato no sistema presidencialista, que é o exmo. sr. presidente da diretoria”.

Segundo pessoas próximas a Manssur, tal pedido se insere no contexto da divisão política do clube. O ex-assessor da presidência passou a ser vice-presidente de comunicação e marketing na era Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Já Gustavo Vieira de Oliveira deixou de ser funcionário do Tricolor em setembro.

Lista de transferências feitas pelo São Paulo à Tombense, totalizando quase R$ 16 milhões
Lista de transferências feitas pelo São Paulo à Tombense, totalizando quase R$ 16 milhões
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