Santos goleia Boca (3-0) e vai enfrentar o Palmeiras na final da Libertadores

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O venezuelano Yeferson Soteldo (2º à esq.) comemora um gol do Santos contra o Boca Juniors durante a partida da Copa Libertadores disputada na Vila Belmiro em Santos, no dia 13 de janeiro de 2021

O Santos goleou o Boca Juniors por 3 a 0 nesta quarta-feira na Vila Belmiro e se classificou para a final da Copa Libertadores-2020, na qual enfrentará o Palmeiras com a motivação de se tornar o primeiro time brasileiro a conquistar quatro títulos na competição.

O Peixe, comandado por Cuca, despachou o campeão argentino com tranquilidade, após o 0 a 0 em Buenos Aires, com gols do volante Diego Pituca (16), do meia venezuelano Yeferson Soteldo (49) e do atacante Lucas Braga (51).

"Agora temos que comemorar e pensar nos dias que faltam para a final, merecemos o prêmio de hoje", disse Soteldo.

Em grande noite do atacante Marinho, que dominou a ponta direita, os brasileiros subjugaram impiedosamente os 'xeneizes' de Miguel Ángel Russo, a quem faltou alma e jogaram com dez homens a partir dos 56 minutos, quando o colombiano Frank Fabra foi expulso.

Na primeira final brasileira da Libertadores desde 2006, quando o Internacional venceu o São Paulo, Santos e Palmeiras vão lutar pelo título no dia 30 de janeiro, no Maracanã, no Rio de Janeiro.

"Eu queria parabenizar o futebol brasileiro, porque (a final) poderia ter sido um Boca-River (...) É uma vitória nossa", disse Cuca, çe,brnado da vitória palmeirense sobre o River.

- Sangue, suor, lágrimas -

Escorria sangue da cabeça de Lucas Veríssimo, enquanto da cabeça dos jogadores do Boca, apenas suor. A imagem do zagueiro brasileiro ensanguentado, após um choque aéreo, retratou a partida do Santos.

Ao longo da Libertadores, o Peixe não deslumbrou com um futebol esteticamente admirável. Sua qualidade tem sido a de se adaptar ao que a partida exige: se para vencer tem que atacar, ataca; se é preciso contra-atacar, contra-ataca; Se tem que recuar, recua.

E, apesar de seus problemas financeiros e da sanção para a contratação de jogadores, sempre com atitude.

Para o osso duro de roer que é o time de Cuca, era imprescindível não sofrer o gol, por isso a equipe procurou a meta de Esteban Andrada o tempo todo.

A alta pressão, especialmente com um voluntarioso Marinho, foi a fórmula para desarmar o Boca, que parecia ter as pernas pesadas.

A vertiginosidade do Peixe causou repetidos erros na saída de bola dos 'xeneizes'.

Marinho, em uma delas, se livrou de Fabra mas seu chute bateu na trave. O relógio mal macava meio minuto.

Com Marinho pregado na ponta direita, Kaio Jorge irritando os zagueiros e Soteldo criando as jogadas, o time paulista desnortearam um Boca errático nos passes e que mal tentava sair em contra-ataques fracassados e um chute distante do colombiano Sebastián Villa.

A recompensa pela ambição do Santos veio da perna direita de Soteldo. Um chute do venezuelano bateu em Lisandro López, a bola sobrou na área, onde Pituca, caindo, finalizou com o pé esquerdo, vencendo Andrada.

- De volta ao Maracanã -

Apoiado no meio de campo apenas pelo colombiano Jorman Campuzano, o campeão argentino deu a impressão de ter poucas armas em seu arsenal para reverter o placar.

Ao longo da temporada o time dependeu dos lampejos de seus talentos individuais, mas sem eles foi difícil fazer a equipe funcionar.

A esperança do Boca de se igualar ao Independiente de Avellaneda como o maior vencedor da Libertadores, com sete títulos, rapidamente foi se apagando.

O plano do Boca de corrigir seus erros após o intervalo não durou muito. Logo no início da segunda etapa, Soteldo chutou de longe da esquerda e a bola entrou no fundo da rede.

Os visitantes não se recuperaram do duro golpe e logo depois Marinho se livrou de Carlos Izquierdoz e colocou a bola na pequena área. Lucas Braga empurrou para o gol, e deu início ao enterro do Boca.

Qualquer sonho de virada acabou com a expulsão de Fabra após dar um forte pisão em Marinho, que o havia perturbado a noite toda com sua velocidade.

O Boca até poderia ter diminuído com chutes de Eduardo Salvio e Villa, mas nos dois lances o goleiro João Paulo, que substituiu John (infectado com covid-19), conseguiu evitar.

Antes do duelo, Pelé, queria que a nova geração santista avançasse à final no Maracanã, onde em 1963 ele e sua equipe conquistaram o bicampeonato continental do Peixe contra o mesmo adversário da noite desta quarta-feira.

Os herdeiros atenderam ao pedido e agora faltam apenas 90 minutos para que seus nomes fiquem registrados na historia ao lado do rei.

raa/cl/aam