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Sandra Pires, o ouro olímpico em 1996 e a bandeira em 2000

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Sandra Pires tem o nome gravado na história olímpica do Brasil. Junto com Jackie Silva, ela foi a primeira mulher medalhista de ouro do país, em Atlanta-1996, no vôlei de praia. Quatro anos depois, ela foi pioneira novamente, tornando-se a primeira mulher a ser porta-bandeira do Brasil nos Jogos de Sydney, em 2000. E nem ouse perguntar à ex-jogadora o que é mais importante para ela.

Jackie já era um nome conhecido do circuito de vôlei de praia nos Estados Unidos, mas precisou de uma parceira brasileira quando recebeu a notícia de que o esporte entraria no programa olímpico em 1996. A indicação veio a partir do técnico e amigo de Jackie, Wantuil Coelho.

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A dupla começou jogando nos EUA e precisou voltar ao Brasil para conseguir a vaga, mas esbarrou em um problema. “Banidas” por estarem no circuito, elas tiveram que ir até Carlos Arthur Nuzman, então presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), e assinar uma carta se comprometendo a nunca mais jogar nos EUA.

Chegando como favoritas aos Jogos depois de ótimos resultados no circuito mundial, a experiência olímpica foi bem diferente. Já veterana de Olimpíadas, Jackie montou um plano para que a dupla não ficasse na Vila Olímpica e nem participasse da cerimônia de abertura, algo que era novidade para Sandra, mas que se provou fundamental. 

“Em Atlanta, não ficamos na Vila Olímpica, não desfilamos, que são realmente situações inusitadas, né. De você não desfilar numa Olimpíada, o que é muito difícil porque é uma hora maravilhosa de descontração – uma das poucas horas que você tá ali relaxado, desfilando, que toda a sua família vai te ver em casa. Então a gente não desfilou, não ficou na Vila e isso tudo em função desse cuidado psicológico, vamos dizer assim, com a dupla. Porque era a minha primeira Olimpíada”, lembrou Sandra em entrevista ao Yahoo Brasil.

O planejamento deu certo. A dupla foi avassaladora nos Jogos e conquistou a medalha de ouro sem muitos problemas. O glamour olímpico até chegou a tirar a concentração de Sandra do início da final contra as também brasileiras Adriana e Mônica, mas não demorou para que as favoritas tomassem as rédeas da partida e garantissem o ouro. 

Sem internet e com pouca possibilidade de informação vinda do Brasil, a ficha delas só caiu de verdade quando voltaram ao país e desfilaram em carro aberto pelo Rio de Janeiro com as medalhistas de prata.

"Quando a gente conquistou a medalha, que a gente chegou no Brasil, aí sim a gente começou a entender o que que tinha acontecido, o valor daquela medalha, o incentivo para as mulheres que passaram a ter mais confiança", conta a campeã olímpica. "Porque se a gente conseguiu elas também poderiam, basta se dedicar. Então eu acho que a gente ali, com esse pioneirismo na medalha, eu acho que incentivou muito as mulheres a acreditarem mais no potencial delas".

Lembra do desejo de Sandra de participar da cerimônia de abertura? Ele não só foi realizado em Sydney-2000, como veio acompanhado de uma surpresa muito grata. Ela foi convidada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) a ser a primeira porta-bandeira mulher da história do Brasil. 

Sandra estava entre os três finalistas do COB para o cargo, disputando com Guga e Robert Scheidt. Mas pesou a favor de Pires o fato de que o tenista não era campeão olímpico e de que a vela já tinha ocupado o posto anteriormente.

“Eu já ia desfilar de qualquer jeito. Agora então, com a bandeira ninguém me segura. Não quero nem saber se tem jogo no dia seguinte, eu vou é desfilar, eu vou sentir essa emoção de desfilar, agora com a bandeira…”, lembra Sandra. “A sensação é incrível. Desfilei com toda a calma, curtindo cada momento e tentando deixar a bandeira bem estendida para todo mundo ver. Eu escutava meu nome porque tinha muito brasilleiro no estádio e ouvir isso era arrepiante”.

A bandeira é como se fosse um pódio: você tá ali no pódio representando o seu país. E é a mesma coisa você tá ali conduzindo a bandeira do seu país. Eu nunca havia imaginado essa possibilidade.

Curiosamente, Sandra também não ficou na Vila Olímpica em 2000, já que o COB colocou a equipe do vôlei de praia ao lado da praia em que foi disputado o torneio. Junto com Adriana Samuel, adversária em 1996, ela conquistou a medalha de bronze. Mesmo assim, a satisfação era grande, não só por elas, mas também pela outra dupla brasileira [Adriana Behar e Shelda ficaram com a prata].

“Ganhamos todos os jogos até a semifinal, quando enfrentamos as campeãs olímpicas Natalie Cook e Kelly Pottharst, fizemos uma campanha boa e saímos satisfeitas”, finaliza Sandra.

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