Samara, a cidade russa onde a vodca não manda nada

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Estádio de Samara, onde a Rússia faz seu terceiro jogo na Copa (Yegor Aleyev\TASS via Getty Images)
Estádio de Samara, onde a Rússia faz seu terceiro jogo na Copa (Yegor Aleyev\TASS via Getty Images)

Por Mauro Fernandes

Zhigulyovskoye lager. Essas são as (difíceis) palavras chave da felicidade em Samara. Embora a Rússia seja a pátria da vodca, é a cerveja quem manda na cidade onde o Brasil jogará as oitavas-de-final da Copa do Mundo se terminar em primeiro lugar no Grupo E.

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Essa cerveja de nome quase impronunciável foi por décadas a mais popular da União Soviética. A Zhigulyovskoye continuará fazendo a alegria local, em especial quando vier acompanhada de tradicionais quitutes locais da região de Oblast, como peixe seco.

Os russos podem precisar bastante da Zhigulyovskoye no dia 25 de junho, quando enfrentam o Uruguai no terceiro jogo da fase de grupos em Samara. A partida poderá decretar tanto a eliminação precoce dos anfitriões na Copa do Mundo como uma surpreendente classificação para a próxima fase do torneio.

Samara também é conhecida por produzir os foguetes que enviam cosmonautas ao espaço (chamar cosmonauta de astronauta é coisa de americano, dizem os russos.)  A cidade ainda conta com um museu da história aeroespacial russa, que exibe peças verdadeiras de naves históricas do país, como a Yantar-4K1, lançada em 1979.

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O fascínio de Samara pelo espaço é tão intenso que seu estádio com capacidade para 45.000 pessoas se chama Cosmos Arena e é parecido com uma espaçonave quando está coberto por seu teto retrátil em forma côncava.  

Samara ainda teve um breve status de capital russa durante a Grande Guerra Patriótica, aquela que alguns chamam de Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Por alguns meses, a cidade foi capital da União Soviética quando Moscou estava prestes a cair diante dos nazistas.

Por conta desse período, Samara construiu em 1942 um bunker para o ditador Joseph Stalin (1878-1961). As instalações, que ficam a 37 metros de profundidade, só foram descobertas na década de 1990. Hoje o local é um dos mais populares pontos turísticos russos a leste de Moscou.

O rio Volga domina a paisagem da cidade, com um aterro de mais de 4 quilômetros cheio de restaurantes e cafés. Também existem algumas praias artificiais para os que se aventuram a tomar banho nas águas geladas e sujas que passam por ali. Esse aterro é dividido em quatro setores: um para famílias com crianças, outro para quem está fazendo festa, um para atletas amadores e aqueles que só querem relaxar mesmo.

Existe também uma praia com areia, mas… melhor evitar.

Navios que passam por ali seguem para várias outras cidades da Rússia, incluindo outras sedes da Copa do Mundo, como Nizhny Novgorod, Kazan e Volgogrado. Essas viagens podem durar quase um dia inteiro. Tempo suficiente para tomar muita, muita Zhigulyovskoye lager.


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