Salários gordos e comissão gigante na base irritam oposição no Corinthians

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Gerente da base do Timão, Carlos Brazil ganha hoje quase três vezes mais do que nos tempos de Vasco (Felipe Szpak/Corinthians)

A crise em decorrência da pandemia obrigou o Corinthians a demitir dezenas de funcionários e negociar mais de 20 jogadores profissionais em 2021. Em meio a tantos cortes, causou enorme irritação na oposição alvinegra a revelação dos custos pela contratação de Carlos Brazil, gerente geral das categorias de base, e toda comissão técnica indicada por ele.

Apesar de ter apenas seis anos de experiência no futebol, Brazil se tornou um dos executivos mais bem pagos do país na base com a mudança para o Timão. Ele saltou de R$ 25 mil mensais, dos tempos de Vasco, para R$ 70 mil no Parque São Jorge.

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Mas não para por aí. O Corinthians contratou pelo menos 15 pessoas escolhidas por Brazil, com um custo próximo a R$ 300 mil mensais. Os novos funcionários, que chegaram em levas diferentes, ocupam vagas criadas por Brazil e também em substituição a demitidos antes de sua chegada. 

A atual comissão técnica alvinegra é, de longe, uma das mais numerosas do Brasil entre todos os times quando o assunto é categoria de base. Até assessora de imprensa foi contratada - o clube havia dispensado o funcionário do Corinthians que integrava a base pouco antes da contratação do gerente geral.

Depois de Brazil, os mais bem pagos no Corinthians são o coordenador técnico, Eduardo Hungaro, que ganha R$ 28 mil; o treinador do sub-20, Diogo Siston, cujo salário é de R$ 25 mil; o coordenador administrativo Erick Galvão e o coordenador científico Márcio Assis, com vencimentos de R$ 20 mil; Próspero Paoli (coordenador metodológico), Witor Bastos (coordenador de análise e mercado) e Alexandre Falbo (coordenador de captação), que faturam R$ 16 mi, cada um; Clauber Rocha, supervisor geral, que ganha R$ 15 mil...

Além das cifras envolvidas, maiores que as praticadas no mercado, existe dentro do grupo de conselheiros corintianos o incômodo com a falta de currículo de alguns dos escolhidos por Brazil. Boa parte deles tem como única experiência na atual função a passagem pelo Vasco, junto do executivo.

Uma das justificativas do Brazil para as contratações foi que o Corinthians estava fechando com os melhores do mercado. Mas Hungaro sempre foi treinador e iniciou sua carreira como coordenador em 2018, no Vasco.. Apesar do salário gordo, de acordo com a oposição, não tem muita facilidade com o uso da tecnologia.

Alexandre Falbo também só assumiu recentemente sua função, de coordenador de captação. Antes de ser contratado por Brazil para trabalhar no Vasco, ele atuava como agente de futebol na empresa For Winner Agenciamento de Atletas LTDA.

O caso mais curioso é o do coordenador de análise Witor Bastos, que trabalhava até 2015 como supervisor comercial do Grupo Petrópolis, além de passagens por outras empresas que nada têm a ver como futebol, como Coca-Cola, Nestle, RV Tecnologia e Sistemas, Carta Fabril... Hoje, é ele quem dá a palavra final para praticamente todas as contratações de atletas na base. Quando foi para a base do Timão, Witor já estava no departamento de futebol profissional.

O Blog entrou em contato com Brazil por meio de sua assessoria e recebeu a seguinte resposta. 

"Todos os profissionais que atuam na base do Corinthians atualmente são vistos pelo clube como altamente capacitados para cumprir suas funções.

Com a chegada do Carlos Brazil ao clube, alguns cargos que antes não existiam foram criados, sendo apresentados e vistos como fundamentais no processo de formação (entre eles estão coordenador metodológico e coordenador técnico, base importante para a sustentação do trabalho).

Como é de conhecimento de todos, foi feito um corte de gastos profundo no Departamento de Futebol de Base, ele engloba a dispensa de atletas (tínhamos elencos inchados) e demissão de funcionários que ganhavam salários acima do mercado.

Os funcionários que vieram ao Corinthians por indicação do Carlos Brazil ganham salários de mercado e são chancelados por suas experiências e capacidade para ocupar seus devidos cargos. Temos profissionais que atuam em suas funções há mais de 10 anos e que já cumpriram as mesmas em outros clubes antes do Vasco."

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