Sérgio Sette Câmara esclarece temas 'espinhosos' do Galo e da sua gestão

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O Atlético-MG vive um momento intenso, dentro de campo, com o time de futebol, fora dele, com a construção da sua arena e um ambiente político agitado, com disputas internas, rivalidades antigas e novas para a condução do clube.

E, o período eleitoral no clube, que vai acontecer em dezembro, tem acirrado os ânimos no Galo, com vazamento de relatórios sobre as gestão do clube, elaborado pela Consultoria Kroll, pressão por resultados, cobrança por reforços e até reclamações por valores de IPTU cobrados pela prefeitura de BH, comandada por Alexandre Kalil, atual rival de Sette Câmara na vida política atleticana.

Sérgio ainda não se decidiu se irá tentar a reeleição, mas usou a TV Galo, veículo oficial do clube, para explicar alguns assuntos que tem sido debatidos pelos torcedores, imprensa e claro, rivais no clube. (Veja a íntegra da entrevista no fim da matéria)

- Vejo com tristeza, porque a documentação que vazou era um relatório preliminar. A Kroll primeiro faz um levantamento base em cima da documentação que foi encontrada no clube, disponibilizada pelo clube. E o Atlético era, sim, muito desorganizado nesse aspecto. Então, após esse primeiro relatório, o clube faz uma análise e trata o relatório de maneira a tirar dali aquilo que efetivamente não faz nenhum sentido. Depois é gerado um relatório final, que eu, inclusive, já entreguei pro conselho deliberativo, pro conselho fiscal e pro conselho de ética. A gente lamenta que esse tipo de coisa (vazamento) aconteça, é uma irresponsabilidade muito grande, e estamos buscando apurar o que de fato aconteceu- disse o presidente, que seguiu o raciocínio:

- É preciso lembrar e enfatizar que essas auditorias não têm o condão de caça às bruxas de quem quer que seja. Eu, inclusive, estou no relatório. A questão é de aprender com o que aconteceu no passado pra não continuar errando, criar mecanismos de controle no clube, e isso estamos implementando. O Atlético de hoje tem uma administração extremamente controlada. Mais do que isso, claro, se detectarmos alguma irregularidade, (vamos) buscar as reparações devidas ao clube - completou. Em seguida, falou que o que está sendo levantado não pode se tornar um problema maior do que deveria ser.

- Isso não precisa ser feito de forma açodada nem alardeada. São coisas que eu gostaria de fazer dentro de uma linha discreta, até para que não fique de alguma maneira execrando a imagem de pessoas que, inclusive, prestaram relevantes serviços ao clube e não podem ter seu nome manchado por conta desse tipo de vazamento irresponsável que aconteceu. A gente lamenta, mas, ao mesmo tempo, entende que não podemos, de alguma maneira, fazer disso um grande problema. Vida que segue, vamos concentrar no futebol, porque temos um jogo importante na segunda, contra o Palmeiras, em seguida outro muito importante, contra o Flamengo, que pode nos trazer de volta pra liderança do Brasileiro - completou.

O mandatário do Galo falou do bom momento na construção da Arena MRV, seus números relevantes e sucesso na venda de camarotes e cadeiras, que ajudará nas obras do estádio.

- Avalio com muita satisfação. Acredito que nosso planejamento está acontecendo, até melhor do que nós imaginávamos. Houve um investimento grande no clube. Trouxemos o Alexandre Mattos, o Sampaoli, muitos jogadores, fizemos uma mudança radical no nosso elenco. Isso fez com que o clube tivesse e venha tendo uma performance muito boa no Brasileiro. E claro que a torcida, vendo essa mudança completa no nosso estilo de jogo, o Atlético partindo pra cima, aquele Atlético que nós gostamos de ver, ela também veio no embalo-disse o presidente, que comentou a empolgação do torcedor com a arena alvinegra.

- Isso, claro, contagiou os torcedores de maneira que eles estão realmente buscando a compra de camarotes, de cadeiras (cativas), porque já estão praticamente todos os camarotes vendidos, 71 camarotes e 4800 cadeiras, vai nos gerar um valor equivalente a R$ 230 milhões, aproximadamente, o que irá, com certeza, viabilizar o término da nossa Arena MRV, incluindo as condicionantes que foram determinadas pela Prefeitura. E, lógico, o aumento de material de construção, etc. Nossa Arena está viabilizada, e quero crer que isso só aconteceu porque estamos vivendo esse momento tão bacana no futebol.

Na parte final da conversa, Sette Câmara falou de eleições, investimentos no time e até do vice, Lásaro Cândido, que estaria em um dos relatórios vazados.

Eleições no clube

- Quero crer que esse assunto é importante, mas não pode se sobrepor ao momento que o Atlético está vivendo em campo. Estamos buscando um título do Brasileiro, que estamos há 50 anos aguardando. Efetivamente, temos um time pra brigar pelo título. Politizar o clube neste momento pode, de alguma maneira, contaminar nosso ambiente no futebol, e não quero que isso aconteça. Estou vendo com muita tranquilidade, tenho feito um trabalho de pacificação no clube. Tenho buscado diálogo com várias pessoas que nos ajudam no dia a dia. Claro que tenho a minha maneira de administrar, e isso muitas vezes causa algum desconforto aqui e ali, mas de forma nenhuma isso pode ser entendido como algum tipo de briga política ou coisa assim. Tenho buscado esse diálogo, essa pacificação. Acho que é importante pra esse momento que o clube vive que tenhamos paz na política.

Time e investimentos

- Vou dizer primeiro como torcedor. Estou vendo com muito entusiasmo. Sei que às vezes a bola não entra, e a gente fica com aquela sensação, aquele sabor amargo, como foi no último jogo, contra o Sport. Perdemos 'N' oportunidades, massacramos o adversário, e a bola não entrou. A gente não pode perder esse tipo de oportunidade. Campeonato Brasileiro é bem difícil, e um jogo daquele é jogo pra três pontos, como também aquele jogo contra o Bahia seria um jogo pra três pontos, que poderiam, hoje, nos colocar numa situação muito mais confortável. Mas é isso, é por isso que o futebol é tão apaixonante, é complicado.

- Como dirigente, vejo que o que nós planejamos está acontecendo. Fizemos um investimento muito grande, principalmente em jovens, que estão dando resposta em campo. Há um retorno esportivo. Você vê jogadores como Alan Franco, Marrony, Allan, Arana, que está prestes a ser convocado pra Seleção. Estão dando retorno esportivo. O Atlético é colocado entre os grandes candidatos a título no Brasileiro. Consequentemente, não só pelo sucesso em campo, pela colocação, mas isso traz retorno financeiro também. Quando você fica bem colocado no Brasileiro, quando está em evidência, tudo acontece. Torcedor compra mais camisa, você tem maior engajamento nas redes sociais, no sócio-torcedor, e os jogadores se valorizam. É claro que uma hora virão propostas, e nós vamos fazer, como sempre, o melhor para negociar bem esses atletas e substituir por outros em uma situação que mantenha o Atlético sempre em cima, na luta por grandes títulos, mas que (o clube) também possa estar fazendo bons negócios, pra que a gente possa colocar as nossas finanças em dia.

Lásaro Cândido

- Não poderia deixar de falar da minha alegria de ter tido ao meu lado, durante esses três anos, uma pessoa que eu considero um dos maiores atleticanos que já conheci, uma pessoa extremamente competente, preparada, dedicada ao clube, e (a quem) a torcida do Atlético deve muito. Deve muito mais até do que a qualquer outra pessoa, eu acredito, que já passou por essa diretoria. É um abnegado, uma pessoa correta, honesta, que se dedicou e tem se dedicado a esse clube como ninguém, e eu me incluo nisso também. A ele, gostaria de aproveitar esse momento pra prestar toda a minha homenagem, e eu sei que isso é quase que unanimidade na torcida do Atlético também. O Lásaro é uma pessoa que vem dizendo que vai deixar o clube, mas a gente espera, com toda a sinceridade, estando eu aqui ou não, que ele continue, para o bem do Clube Atlético Mineiro.

Massa Alvinegra

- Um case inédito: em plena pandemia, o Atlético tinha 19 mil sócios-torcedores, e hoje estamos chegando próximos a 55 mil. Acho que foi o único clube que teve um crescimento orgânico do seu sócio-torcedor. E eu acredito muito que, da mesma maneira que conseguimos vender 100 mil camisas, ou até mais, que a gente tem condição (de chegar a 100 mil sócios). Essa torcida é fanática, não existe igual, a gente vira e mexe vê programas de ex-jogadores que dizem que temiam muito e temem muito jogar contra o Atlético, principalmente por conta da torcida, que realmente é o 12º jogador.