São Paulo mostra assimilação das ideias de Crespo antes do seu 10º jogo

BRUNO RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase sempre que um técnico chega a um clube, o grupo de atletas leva algum tempo para assimilar as ideias que o novo comandante quer para a equipe. É mais difícil ainda quando há ruptura de modelo, conceitos completamente diferentes entre o trabalho anterior e o atual. Essa mudança brusca não foi o caso de Hernán Crespo no São Paulo, que até já agradeceu a Fernando Diniz, seu antecessor, por ter deixado algumas bases importantes para a implementação do jogo que o argentino e sua comissão pretendem aplicar. Porém, Crespo tem as suas convicções, e chama a atenção como o São Paulo incorporou rápido alguns aspectos que o argentino trouxe como novidade para o time. Nesta sexta-feira (23), no décimo jogo do treinador à frente da equipe, os são-paulinos enfrentam o Santo André, no Morumbi, pela sexta rodada do Campeonato Paulista. O SporTV transmite o confronto, às 20h. Com sete vitórias, um empate e uma derrota sob o comando do técnico, o clube tem o seu melhor início de temporada desde 2005, quando venceu oito partidas e empatou uma nos primeiros nove compromissos daquele ano. Na última terça-feira (20), o São Paulo conquistou um ótimo triunfo por 3 a 0 contra o Sporting Cristal (PER), em Lima, na estreia pela Copa Libertadores. Além do resultado animador, o jogo mostrou que o time tem assimilado o que é proposto por Crespo. Desde que chegou ao Morumbi, sua equipe joga no 3-4-1-2. A formação com três zagueiros mexe com a memória afetiva do torcedor, que viu o São Paulo, com essa configuração defensiva, ganhar Campeonato Brasileiro, Libertadores e Mundial há duas décadas. Contudo, os zagueiros de hoje têm outro papel, com maior contribuição à construção do jogo. Especialmente Arboleda pela direita e Léo pela esquerda, ambos procurando iniciar as jogadas com passes verticais que encontrem os meio-campistas ou os laterais. Ao se posicionarem bem abertos, como alas, os laterais fazem que as equipes adversárias precisem espalhar a marcação. Com isso, abrem-se mais espaços, e os defensores são-paulinos ganham mais oportunidades de achar os passes. Lateral de origem, Léo por vezes conduz a bola até o ataque, procurando superar marcadores. Quem se aproveita dessa característica é Reinaldo, que se posiciona mais adiantado e próximo de onde é decisivo: a linha de fundo. Além da mudança de quatro para três zagueiros, a saída desde o fundo é uma das diferenças do trabalho de Hernán Crespo para Fernando Diniz. Com o antecessor, o time recuava até a própria área, tentando atrair um número maior de rivais. Entretanto, em algumas ocasiões, congestionava setores. Com o argentino, a equipe inicia o jogo com atletas em posições mais avançadas. Crespo quer um São Paulo protagonista e ofensivo, e para isso pede à equipe que sufoque a saída de bola dos adversários. São movimentos coordenados dos atacantes e dos meias para diminuir os espaços e forçar o erro. E os zagueiros, para não descompactar o time, avançam até o meio de campo. O segundo gol contra o Sporting Cristal saiu de uma roubada de bola no ataque. A defesa peruana fez um passe em direção à intermediária que Luan conseguiu antecipar. Benítez aproveitou o corte feito pelo companheiro, avançou e chutou da entrada da área para marcar. Na partida anterior, a vitória por 1 a 0 diante do Palmeiras, o gol de Pablo se originou de um desarme de Daniel Alves na saída de bola palmeirense. Scarpa recebeu do goleiro Vinícius Silvestre, mas foi desarmado pelo camisa 10, que invadiu a área para servir o centroavante são-paulino. Lance semelhante aconteceu na goleada de 4 a 0 sobre o Santos. A defesa santista tentou sair pelo lado do campo e Luan se antecipou a Soteldo antes de Tchê Tchê acertar belo chute de fora da área no ângulo de John. Se os rivais superam a primeira linha de pressão do São Paulo, a equipe está protegida pelos três zagueiros e também pela presença de Luan, volante de perfil marcador, que pode sair para fazer as coberturas e não deixar o sistema defensivo desprotegido. "O futebol é muito dinâmico, as coisas mudam constantemente. Mas com a predisposição dos atletas, podemos mudar, podemos nos adaptar a situações diferentes. Eu tenho ideias, a comissão tem ideias, mas sem essa predisposição dos atletas é impossível. Eles merecem um grande aplauso", disse o treinador argentino. São ideias que vão se consolidando na equipe de Crespo, ainda em início de trabalho, mas com amostras promissoras de evolução. O começo de 2021 anima o torcedor, que vê os jogadores assimilarem rápido os conceitos de um futebol que quer devolver o clube ao caminho das conquistas. SÃO PAULO Volpi; Diego Costa, Miranda e Léo; Galeano (Igor Vinicius), Talles Costa, Rodrigo Nestor, Igor Gomes e Welington; Rojas (Eder) e Vitor Bueno. T.: Hernán Crespo SANTO ANDRÉ Fernando Henrique; Marcos Martins, Pedro Vitor, Rodrigo e Bruno Santos; Wesley Fraga, PH, Marino e Gegê; Minho e Ramon. T.: Paulo Roberto Santos Estádio: Morumbi, em São Paulo (SP) Horário: 20h (de Brasília) desta sexta-feira (23) Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral Transmissão: SporTV e Premiere