São Januário 90 anos: arquitetura bela e projeto para 100 mil pessoas

Hugo Mirandela

Além da sua rica história, São Januário também encanta por conta da beleza de sua arquitetura, que preservada até hoje, dá ao estádio um charme todo especial. A linda fachada da Colina Histórica, em estilo neocolonial, é tombada pela cidade do Rio de Janeiro. Este capítulo da série especial do aniversário de 90 anos da casa vascaína, comemorado no próximo dia 21, mostra o seu poder arquitetônico e que um dos projetos apresentados para sua construção era para mais de 100 mil torcedores.

O projeto de São Januário foi obra do arquiteto português Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940) e executado pela firma dinamarquesa Cristiani & Nielsen. A belíssima fachada é produzida no estilo neocolonial, que valoriza as raízes luso-brasileiras. Ela ocupa cerca de 274 metros de frente para a Rua General Almério de Moura (antiga Rua Abílio). A fachada e algumas áreas internas são ornamentadas por desenhos em azulejos, obras de arte fabricadas pelo desenhista e pintor, também português, Jorge Colaço (1868-1942).

A fachada da Colina impressiona, dando um ar especial ao estádio. Ela tem o frontão curvilíneo, varandas coloniais, uma fileira de janelas com arcos, telhas canais e uma riqueza de detalhes. O lado de dentro também é encantador, como as sociais e sua imponente marquise, a histórica tribuna de honra, a entrada social.



Para se ter ideia do charme de São Januário, vale lembrar da Copa do Mundo aqui no Brasil, em 2014. O estádio sediou os treinos de algumas seleções e recebeu elogios. O goleiro espanhol Casillas ficou tão encantado com o lugar que postou uma foto em sua conta no Instagram. O diário esportivo ‘Marca’, da Espanha, classificou a casa cruz-maltina de ‘espetacular’ e ‘impressionante’.

É preciso esclarecer uma coisa sobre o tombamento da fachada de São Januário. Ela não está na lista de bens preservados e protegidos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e também ao INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), mas sim na da cidade do Rio de Janeiro. Sendo assim, o patrimônio cruz-maltino tem a proteção apenas da prefeitura.

Projeto para 100 mil torcedores

Na época em que o Vasco estava planejando a construção de São Januário, o projeto atual não foi o único apresentado. Segundo Walmer Peres, historiador do Centro de Memória do Vasco, um deles era para um estádio com capacidade para 100 mil pessoas.

- Existiam outros projetos para a construção do estádio. Inclusive, foi pensado um estádio para mais de 100 mil torcedores. A fachada que hoje é neocolonial seria neoclássica. Só que não foram à frente, escolheram esse projeto atual e é o que está aí até hoje – conta o historiador.

Essa outra proposta para São Januário era mais complexa e imponente. Além da fachada em estilo neoclássica bem elaborada, ele teria o anel completo. Walmer disse que o projeto atual também contava com o estádio todo fechado, mas acabou não acontecendo. Ele acredita que um dos motivos para isso e o projeto dos 100 mil não ter sido escolhido foi o alto custo.

- É um esforço econômico muito grande. Na época da construção, faltou fôlego econômico porque o clube precisava formar equipes. O esforço econômico para isso, que nunca foi feito por nenhum outro clube do Rio de Janeiro, tem seu preço. Então, o Vasco não poderia jogar tudo que ele tinha na construção de um estádio somente e deixar de formar sua equipe. Chega um momento que para e com o passar dos anos, vamos dizer assim, esse formato atual de ferradura acabou permanecendo e caiu nas graças do Vasco e dos torcedores. Poderia ter sido fechado, mas acabou não indo, talvez por falta de um fôlego financeiro maior. Mas o esforço já era gigantesco – disse Walmer.











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