São Januário é reconhecido como patrimônio histórico, cultural, desportivo e social do Rio de Janeiro

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Colina História! A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, nesta quinta-feira, o projeto de lei que torna São Januário como de interesse histórico, cultural, desportivo e social para o Município do Rio. Cabe salientar que este projeto não se trata do tombamento histórico, mas sim o reconhecimento do estádio para esporte brasileiro e a sociedade carioca.

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O vereador Tarcísio Motta (PSOL-RJ), vascaíno e historiador, é um dos autores do projeto ao lado de Renato Cinco e Paulo Pinheiro, e fez o anúncio em suas redes sociais. "Sua construção foi uma resposta a exigências de dirigentes da época que, para mascarar motivações elitistas e racistas, alegaram a falta de estádio do clube como forma de pleitear sua exclusão do campeonato carioca", explicou o parlamentar.

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"Erguido em 1927 a partir de uma histórica campanha de arrecadação, o estádio de São Januário é símbolo de luta contra o racismo e de equipamento de lazer no subúrbio carioca.

E agora, com aprovação do Projeto de Lei proposto pelo nosso mandato junto com o do ex-vereador Renato Cinco, é também patrimônio de interesse histórico, cultural, desportivo e social para o município.

Sua construção foi uma resposta a exigências de dirigentes da época que, para mascarar motivações elitistas e racistas, alegaram a falta de estádio do clube como forma de pleitear sua exclusão do campeonato carioca.

Isso porque o Vasco tinha sido campeão de 1923 com uma equipe formada por atletas negros e humildes que derrotara grandes times formados por jovens de famílias ricas da cidade.

Muito orgulhoso desse projeto, não só como vascaíno que sou, mas como historiador e cidadão. A memória da cidade está em disputa e é preciso demarcá-las!" - disse o vereador Tarcísio Motta em sua rede social.


Veja o texto do projeto de lei 263/2017, assinado em 1º de junho de 2017, pelos vereadores Tarcísio Motta, Renato Cinco e Paulo Pinheiro

"O Estádio de São Januário, inaugurado em 1927, é patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro e um dos mais emblemáticos templos do futebol mundial. De notável arquitetura neocolonial, palco de alguns dos mais importantes eventos esportivos, culturais e políticos do país durante o século XX, a casa do Club de Regatas Vasco da Gama é também um símbolo da luta contra o racismo no esporte e até hoje um exemplo de espaço popular de lazer no subúrbio carioca.

Sua construção remonta à perseguição que o Vasco da Gama sofreu após ser campeão carioca no ano de 1923 com uma equipe formada por atletas negros, mestiços e de origem humilde. Na ocasião, o time bateu, logo em seu primeiro ano na primeira divisão, os clubes grandes da época, então formados por jovens de famílias ricas da cidade. Para mascarar motivações racistas e elitistas, dirigentes que defendiam a exclusão do Vasco do campeonato alegaram para tanto, entre outras coisas, a falta de um estádio próprio. Foi o que motivou uma histórica campanha de arrecadação que movimentou a capital federal e envolveu milhares de associados e torcedores. Em tempo recorde, ao pé de uma colina no bairro de São Cristóvão, os vascaínos ergueram aquele que durante alguns anos foi o maior estádio de futebol das Américas.

A partir de então, até a construção do Maracanã, em 1950, São Januário foi o principal estádio do Rio de Janeiro e testemunhou momentos marcantes do nosso esporte. Além de receber jogos de grandes times brasileiros e estrangeiros, foi casa da Seleção Brasileira, que se sagrou ali campeã da Copa Roca de 1945, das Copas Rio Branco de 1947 e 1950, e do Campeonato Sul Americano (a atual Copa América) de 1949. Em 1998, o Vasco da Gama fez em São Januário uma das partidas finais da Libertadores da América, principal competição de clubes do continente. Em 2007, o atacante Romário marcou ali seu milésimo gol no futebol.

Vários grandes jogadores que defenderam o Brasil em Copas do Mundo foram formados ou se consagraram em São Januário. Além do próprio Romário, nomes como Leônidas da Silva, Fausto, Domingos da Guia, Barbosa, Danilo Alvim, Ademir de Menezes, Vavá, Bellini, Roberto Dinamite, Bebeto, Edmundo e Juninho Pernambucano tiveram por lá momentos fundamentais de suas carreiras. Ídolos de nosso atletismo olímpico como Adhemar Ferreira da Silva também adotaram o estádio como espaço de treinamento. Até hoje o Vasco da Gama se notabiliza como clube revelador de grandes jogadores, mantendo nas dependências de São Januário um alojamento e um colégio para a formação dos adolescentes que vêm de diversos lugares do país e encontram no futebol uma oportunidade.

São Januário também testemunhou importantes momentos de nossa história política e cultural. Nas décadas de 30 e 40, o presidente Getúlio Vargas costumava arrastar multidões para seus comícios no estádio. Em um deles, no dia 1º de maio de 1940, anunciou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as primeiras leis trabalhistas do Brasil. Naquele mesmo ano, a “Colina Histórica” - como também é conhecido o estádio – foi o palco da apresentação de um coral composto por mais de 40 mil estudantes e regido pelo maestro Heitor Villa-Lobos. Cinco anos mais tarde, durante o processo de redemocratização do país, Luis Carlos Prestes reuniu mais de 100 mil pessoas em um comício que foi fundamental para trazer o Partido Comunista de volta à legalidade. Também em 1945, o estádio recebeu o desfile das escolas de samba, vencido naquele ano pela Portela.

Percebe-se, portanto, a grande importância histórica, cultural, desportiva e social do Estádio de São Januário para o município do Rio de Janeiro. Localizado no subúrbio, em uma região que reúne espaços como a Feira de São Cristóvão, a Quinta da Boa Vista, o CADEG, a quadra da Estação Primeira de Mangueira e o Maracanã, São Januário possui até hoje grande centralidade na vida esportiva e cultural da cidade, sendo um dos principais destinos de lazer de cariocas de diferentes classes sociais. Ao aprovar essa lei, a Câmara Municipal de Vereadores fará um justo reconhecimento e zelará pelo patrimônio do Rio de Janeiro".