Rússia chama crise na Bolívia de 'golpe' e manda recado ao Brasil

Evo Morales convocou novas eleições no domingo, e no mesmo dia renunciou sob pressão das Forças Armadas (Foto: Alexis Demarco/APG/Getty Images)
Evo Morales convocou novas eleições no domingo, e no mesmo dia renunciou sob pressão das Forças Armadas (Foto: Alexis Demarco/APG/Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Moscou diz esperar uma ‘abordagem responsável’ do restante da América Latina

  • ‘A narrativa do golpe só serve para incitar a violência’, disse o chanceler Ernesto Araújo

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Após a renúncia do presidente boliviano Evo Morales sob pressão das Forças Armadas, o governo da Rússia afirmou que o acontecimento tem o “padrão de um golpe de estado orquestrado". Apesar de se dirigir a todos os membros da comunidade internacional, o comunicado recomendando uma “abordagem responsável” da crise foi interpretado nos meios diplomáticos como um recado ao Brasil, aos EUA e à Organização dos Estados Americanos. A informação é do jornalista Jamil Chade.

Imediatamente após a queda de Morales, autoridades brasileiras anunciaram não se tratar de um golpe. Nas redes sociais, o chanceler Ernesto Araújo já anunciou que o Brasil "apoiará transição democrática e constitucional" na Bolívia. Afirmou, ainda, que "a narrativa do golpe só serve para incitar a violência".

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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia sugeriu que Evo Morales tentou promover o diálogo, mas a tentativa foi rejeitada:

"Causa profunda preocupação que a vontade do governo de buscar soluções construtivas, com base no diálogo, foi rejeitada por eventos que tem um padrão de um golpe de estado orquestrado. Estamos preocupados com a dramática evolução da situação na Bolívia, onde a onda de violência desencadeada pela oposição não permitiu que o mandato presidencial de Evo Morales fosse cumprido.”

Em seguida, Moscou se dirige às forças políticas bolivianas e internacionais, e alerta:

"Apelamos a todas as forças políticas bolivianas para que sejam sensatas e responsáveis, para que encontrem uma solução constitucional para a situação no interesse da paz, da tranquilidade, da restauração da governabilidade das instituições do Estado, da garantia dos direitos de todos os cidadãos e do desenvolvimento social e econômico do país, ao qual estamos ligados por uma relação de amizade. Esperamos que esta abordagem responsável seja demonstrada por todos os membros da comunidade internacional, pelos vizinhos latino-americanos da Bolívia, pelos países extra-regionais influentes e pelas organizações internacionais.”

O comunicado foi emitido na manhã desta segunda-feira (11) às vésperas da cúpula dos Brics, que acontece em Brasília nos dias 13 e 14 de novembro. O governo de Vladimir Putin, que tem interesses econômicos na Bolívia, tem se mostrado preocupado com as tentativas de aproximação de Bolsonaro com Donald Trump.

Evo Morales já recebeu o título de doutor Honoris Causa de uma universidade russa em meados do ano, e agora foi convidado para ser apresentador do Russia Today em Espanhol, um canal estatal do governo russo que tem o objetivo de promover os interesses de Putin no exterior.

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