Rueda dispara: "Peres é nota 2. Parte financeira do Santos FC é uma vergonha"

Yahoo Esportes
Peres é contestado por alguns conselheiros do Santos. Presidente deve tentar a reeleição em dezembro. Foto: Fernanda Luz/AGIF
Peres é contestado por alguns conselheiros do Santos. Presidente deve tentar a reeleição em dezembro. Foto: Fernanda Luz/AGIF

O Santos não é diferente da maioria dos clubes brasileiros e também sofre com a crise financeira devido à pandemia do CoronaVírus. A diretoria pretende negociar o jovem atacante Kaio Jorge para arrecadar receitas e quitar dívidas urgentes pelas contratações do zagueiro Cléber e do peruano Cueva.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Siga o Yahoo Esportes no Google News

Em 2019, os cofres receberam R$ 400 milhões, muito pela venda de Rodrygo ao Real Madrid e as dívidas foram arroladas, sem nenhuma quitação.

Leia também:

O blog entrevistou o conselheiro Andres Rueda Garcia, candidato à presidência derrotado por José Carlos Peres, em 2017. No papo exclusivo, Rueda fez duras críticas à gestão e alertou para a delicada situação financeira da instituição.

Santos precisa de união política?

Um dos maiores problemas é a falta de união dos dirigentes e do pessoal que milita na política interna do clube. O Santos tem uma história lá atrás, quando foi criado, você tinha o pessoal da Baixada, com paixão, empresários que acreditavam naquilo e conseguiram segurar o nosso maior “raio” a vida inteira. Santos é muito maior do que o Pelé, mas sem ele, provavelmente o Santos não estaria neste patamar mundial até hoje. Levaram 100 anos criando uma marca, com muito suor, sem ajuda de governo e nada. Isso nos orgulha muito. Infelizmente, graças a desunião, o futebol sempre foi levado de uma maneira não profissional, mas isso era aceitável. Hoje, o produto futebol é profissional, mas é tocado de uma maneira amadora. Você junta isso à incompetência em gestão, com interesses obscuros e financeiros. Criou um cenário propício para briga pelo poder e o Santos vem se quebrando com mais de 50 grupos diferentes, com programas bem parecidos, o que ainda é mais maluco. Isso gera uma disputa eleitoral com o presidente entrando com forte oposição, sendo minoria no Conselho. Se não existir união, não vamos para a frente. É preciso parar com o ódio entre conselheiros e sócios. Estou tentando aglutinar todos os candidatos, com princípios e seguindo regras estabelecidas com um plano de trabalho único. Se bobear, há sete, oito candidatos da oposição. Quem for o melhor, tocará o Comitê de Gestão. Estou imbuído nisso, será difícil, mas sou cabeça-dura. Se não der, vou pensar se serei candidato.

Que notas você dá para Peres, Rollo, Marcelo Teixeira, Modesto, Laor e Odílio Rodrigues?

Peres, nota 2. Rollo, 6. Marcelo, 7. Modesto, 5. Laor, 8 e Odílio, 5.

Como o Santos não tem dinheiro, depois de faturar quase R$ 1 bilhão em vendas de atletas neste século?

O Santos precisa de profissionais. Quem vai tocar uma gestão de R$ 400 milhões? O Santos não tem presidente, ele tem presidente do Comitê de Gestão, gerido teoricamente por nove pessoas. No futebol, falta honestidade. O cara tem que ser do ramo, ter experiência. Não pode colocar gestores sem essa movimentação. As ideias são iguais, mas quem pode executá-las? É assim que tem que começar. Virar empresa S.A. sempre vai mirar o lucro. A única coisa que sustenta uma empresa é você ter todos os processos sendo melhorados. Será que a gente tem processo organizado de recebimento de materiais? Uma coisa simples. Santos tem que ter processos de S.A., onde o sócio sempre seja o dono do clube. Tem coisas do arco da velha, onde após a vitória do presidente, alguém sai com 400 camisetas do time e ninguém presta contas. Isso não pode acontecer em qualquer empresa. Você tem que ajustar a parte financeira, que é uma vergonha no Santos. Um profissional confunde organograma com fluxograma. Isso não pode acontecer. Fazem a parte financeira num saco único com orçamento, despesas, receitas ordinárias e extraordinárias. Isso já vem de gestões anteriores. Em 2019, entraram R$ 400 milhões e estamos devendo 250 mil dólares de empréstimo de jogador. A gente compra jogador, não paga e vende. Nosso grau de endividamento está chegando no nível de quebra. A gente deve R$ 80 milhões em processos trabalhistas, R$ 175 milhões em tributos, sem pagar impostos. Isso é uma total incompetência financeira. Não sabem o que é orçamento. Antes a gente vendia o “raio” no clube, ganhava campeonatos. Vamos vender o Kaio Jorge para salvar o ano. Quando você junta tudo isso, você vê que não há competência. Com o dinheiro que entrou, o Santos não pagou nada, nada, nada.

Santos pode construir um novo estádio?

Arena, estádio, o Santos pensar em fazer do bolso, é enganar o torcedor. Santos não tem condição nenhuma de pensar nisso. É o exemplo que eu falo, você está quebrado, morando numa casinha apertada, mas é sua, pensando em mudar para um apartamento de luxo. Se surgirem propostas interessantes e reais porque existem muitas especulações para enganar os sócios, ainda mais perto de eleições. Aparecendo um investidor, oferecendo um bom negócio para o Santos, onde não tenha que colocar dinheiro e com condições satisfatórias para o Santos, será analisado. Mas não podemos enganar os sócios. Santos tem 25, 27 mil sócios que são heróis porque Santos não tem clube social e o sócio quer ajudar o clube.

Rueda é profissional do ramo financeiro. José Carlos Peres deve tentar a reeleição, em dezembro. Na gestão atual, o Santos ainda não ganhou títulos.

Veja mais de Alexandre Praetzel no Yahoo Esportes

Siga o Yahoo Esportes no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.

Leia também