Rosberg: Extreme E me une novamente com Hamilton por uma boa causa

James Allen
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Desde a chocante decisão de anunciar sua aposentadoria das pistas logo após vencer o título de 2016 da Fórmula 1, Nico Rosberg seguiu nos olhares do público. E muito de suas atividades focaram na agenda elétrica e sustentável, como acionista da Fórmula E, além de ser o fundador do Festival Greentech.

Agora, como dono de equipe na recém-lançada Extreme E, categoria de rali com carros elétricos, ele voltará a bater de frente com seu principal rival na F1, Lewis Hamilton, além de lendas do automobilismo norte-americano.

Extreme E prototype

Extreme E prototype<span class="copyright">Extreme E</span>
Extreme E prototypeExtreme E

Extreme E

Nico, você acabou de lançar uma equipe na Extreme E. O quete chamou a atenção na categoria que o fez integrar o esporte?

É o cruzamento perfeito. Você vai ter uma disputa incrível, muito próxima entre os carros. Serão quatro largando lado a lado no grid de cada corrida. Então vamos ter rodas batendo e tudo mais.

Tenho certeza que será muito divertido de ver e, ao mesmo tempo, terá a oportunidade de criar um impacto positivo, revertendo um pouco dos danos criados pelas mudanças climáticas. Idealmente, vamos ver se conseguiremos fazer tudo isso. Mas essa é a ambição.

Race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1

Race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1<span class="copyright">Steve Etherington / Motorsport Images</span>
Race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1Steve Etherington / Motorsport Images

Steve Etherington / Motorsport Images

Você fala sobre pilotagem próxima, e uma das histórias mais interessantes do esporte é o reacendimento da rivalidade entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton, que foi alta durante aos anos na F1. Vocês serão tão competitivos como chefes de equipe quanto foram atrás do volante?

Sim, e eu acho que isso é muito, muito legal. Estou muito feliz por ver que Lewis está se juntando à Extreme E porque, obviamente, ele é uma pessoa com muito alcance. Então é melhor para todos e agora estamos juntos, correndo um contra o outro, mas como donos de equipe. Isso é muito legal. E, ao mesmo tempo, estamos nos unindo para lutarmos juntos contra as mudanças climáticas.

Nico Rosberg, Mercedes AMG, with his family

Nico Rosberg, Mercedes AMG, with his family<span class="copyright">Andy Hone / Motorsport Images</span>
Nico Rosberg, Mercedes AMG, with his familyAndy Hone / Motorsport Images

Andy Hone / Motorsport Images

Vocês foram muito sinceros sobre isso. E temos outros grandes nomes do esporte envolvidos, como Zak Brown, Michael Andretti, Chip Ganassi... o que você acha que isso diz sobre a categoria?

Em primeiro lugar, diz que todos estão ficando mais e mais conscientes sobre a necessidade de cada um fazer sua parte. Porque a mudança climática é uma grande crise que afeta a todos. E os negócios também entenderam que eles precisam se envolver, precisam fazer a diferença também. Ninguém pode fugir disso mais.

E é por isso que a Extreme E será um grande sucesso, porque se posicionou muito bem, sendo a intersecção entre corridas e oportunidade de ajudar. É fantástico ver titãs como Chip Ganassi também entendendo e falando da importância de se posicionar para o futuro de seus negócios. E isso é muito poderoso.

Nico Rosberg, Mercedes F1 W07 Hybrid

Nico Rosberg, Mercedes F1 W07 Hybrid<span class="copyright">Zak Mauger / Motorsport Images</span>
Nico Rosberg, Mercedes F1 W07 HybridZak Mauger / Motorsport Images

Zak Mauger / Motorsport Images

Agora você está envolvido em diversas iniciativas sustentáveis, como ser acionista da Fórmula E, fundador do Festival Greentech... Então você é provavelmente a pessoa ideal, dado seu passado nas corridas, para responder a essa questão: como você vê o futuro do esporte a motor como um todo. Quanto tempo resta para os motores de combustão interna? E mesmo os híbridos?

Essa é uma ótima pergunta. Então, em primeiro lugar, o esporte a motor tem a oportunidade de ser uma plataforma para o bem e essa é a direção que precisamos seguir. O esporte a motor e a Fórmula 1 estão fazendo isso, tornando todos os eventos sustentáveis até 2025 e neutralizando as emissões de carbono até 2030.

Mas isso é o esporte. Também há o papel de conscientizar a aceleração de mudanças positivas, algo que pode ser fundamental. E a F1 tem uma ótima oportunidade nisso, podendo introduzir o desenvolvimento de biocombustíveis ou combustíveis sintéticios. Isso seria fantástico para a F1, porque há um futuro nisso.

Claro, sabemos que eles são neutros em CO2, que é quando o CO2 que é usado no desenvolvimento é o mesmo que é liberado no processo. Então há uma oportunidade e se eles fizerem isso funcionar, ainda haverá espaço para motores a combustão por muito tempo.

Em paralelo, obviamente, vamos desenvolvendo as soluções elétricas, de mobilidade, que hoje não são tão sustentáveis quanto um motor híbrido, porque a maior parte da energia necessária [para a recarga] vem de usinas termelétricas, que usam carvão. E é por isso que sou fã da mobilidade elétrica e a maioria das minhas atividades empresariais são focadas nessa área.

Nico Rosberg, Mercedes F1 W06

Nico Rosberg, Mercedes F1 W06<span class="copyright">Steve Etherington / Motorsport Images</span>
Nico Rosberg, Mercedes F1 W06Steve Etherington / Motorsport Images

Steve Etherington / Motorsport Images

Um dos pontos principais da Extreme E é a ideia de emissão zero de CO2 no recarregamento elétrico. Seria até errado se não fosse assim, quando você considera que eles estão levando esses carros elétricos a locais devastados pelas mudanças climáticas ao redo do mundo. Mas essa tecnologia te anima? E, em segundo lugar, você acha que isso é algo que pode ser levado a outras categorias do esporte a motor?

Sim, esse foi um dos destaques da apresentação da Exteme E para mim - não haverão geradores a diesel ou algo no lugar gerando energia para alimentar os carros. Eles usarão energia solar e hidrogênio para criar eletricidade e água.

Mas esse é o resumo de um processo muito, muito complicado, muito energético. Mas é maravilhoso que eles encontraram um parceiro para fazer o trabalho nos locais acontecerem, garantir a presença desta tecnologia, que viajará o mundo com o paddock a bordo do St. Helena, que é o navio / paddock. E ter essa tecnologia a bordo, é crucial. E essa é uma notícia fantástica.

Nico Rosberg, Williams on the podium

Nico Rosberg, Williams on the podium<span class="copyright">Sutton Images</span>
Nico Rosberg, Williams on the podiumSutton Images

Sutton Images

Mas, para ser bem sucedida, a categoria precisa entreter, precisa permitir que nomes como você, Lewis e os outros donos usem suas plataformas para atrair a audiência, e encontrar o balanço ideal entre entretenimento, os projetos de legado e os projetos educacionais e científicos. Isso é algo que você se vê envolvido? E o quão difícil você acha que será para encontrar esse balanço?

Bem, no centro de tudo precisa estar uma corrida fantástica. Todo o resto precisa ser construído ao redor disso. E não sei se você tem visto as provas do Mundial de Rallycross, onde seis carros alinhados um ao lado do outro vão para uma corrida. Lá tem tanta ação e a Extreme E se baseia um pouco nisso.

No nosso caso, a cada corrida, teremos filas de quatro carros. E será emocionante, com os pilotos batendo rodas, e acredito que isso será demais. E também temos a mudança de pilotos.

Cada corrida terá duas voltas, uma por piloto, com a mudança no meio. Então essa mudança de pilotos também será um ingrediente a mais na ação, certamente. Há também algumas coisas mais próximas do mundo dos games, como acontece na Fórmula E.

Teremos elementos do tipo, talvez até alguma forma de realidade aumentada e virtual. E sabemos que Alejandro Agag sabe criar corridas emocionantes.

Podium: race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1, second place Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1, third place Daniel Ricciardo, Red Bull Racing

Podium: race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1, second place Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1, third place Daniel Ricciardo, Red Bull Racing<span class="copyright">Sutton Images</span>
Podium: race winner Nico Rosberg, Mercedes AMG F1, second place Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1, third place Daniel Ricciardo, Red Bull RacingSutton Images

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Você vem de um esporte a motor muito tradicional, com carros movidos a gasolina ao longo de toda a sua carreira. Agora, alguns anos depois, você é um pioneiro do mundo elétrico, estando envolvido com a categoria, falando de gamificação. Como você vê o futuro disso? Haverá espaço para esse esporte tradicional, que será mais nostálgico ou histórico no futuro? Ou todas as categorias terão que trazer esses componentes para manter o interesse do público para ter o envolvimento das companhias para patrocínio?

Então, eu sou um grande defensor da ideia de que não precisamos ir muito além, para cancelar algo. Acredito que sempre teremos espaço para os campeonatos de provas históricas. Há muita paixão envolvida. E isso é ótimo. Não podemos deixar o passado.

Mas, ao mesmo tempo, temos uma oportunidade de dar um passo adiante. E vemos isso em praticamente todos os setores do mundo, especialmente o esporte a motor. E, formalmente, estamos na frente disso. E acho que isso é ótimo. Ambos os mundos podem coexistir. E desde que estejamos fazendo coisas boas com os novos produtos e novas categorias, acho que está tudo certo.

Nico Rosberg, Mercedes AMG F1 W03 crosses the line to win the race

Nico Rosberg, Mercedes AMG F1 W03 crosses the line to win the race <span class="copyright">Sutton Images</span>
Nico Rosberg, Mercedes AMG F1 W03 crosses the line to win the race Sutton Images

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Teremos pessoas céticas olhando para isso e o conceito de levar os carros para áreas afetadas pelas mudanças climáticas. Como você mencionou anteriormente, o esporte a motor passa por um momento bom, sendo a vitrine para a tecnologia, a pilotagem sustentável e as mudanças. Mas isso ainda cria algumas percepções negativas do esporte também. Então você fundamentalmente acredita que o esporte a motor pode ser uma boa plataforma para as boas causas?

Ah, totalmente. Tenho cem por cento de certeza disso. E não vamos esquecer que a Fórmula 1 fez muita coisa boa no passado para a indústria. O esporte estava na vanguarda do desenvolvimento dos turnos, que sabemos que tornaram os motores muito mais eficientes.

Atualmente, eles estão na vanguarda do desenvolvimento da tecnologia híbrida, algo que várias montadoras estão trazendo em seus carros de rua.

Então a F1 sempre fez muito bem. Talvez eles precisem falar disso um pouco mais. Sabemos disso, particularmente indo adiante. E sim, o esporte a motor tem que se posicionar nisso. E há uma oportunidade massiva de usar todo o alcance do esporte, e realmente levar as pessoas junto nessa jornada de um futuro mais sustentável.

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