Ronaldinho Gaúcho e um golaço: por que o Brasil deve agradecer a Edílson por embaixadinha em 99

Goal.com

O futebol é cheio de histórias curiosas e de suposições. Poucos imaginariam que um ato provocativo dentro de campo poderia render a oportunidade e os primeiros passos rumo ao estrelato de um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro. A estreia de gala de Ronaldinho Gaúcho pela seleção brasileira, em 1999, com direito a golaço só foi possível por causa do corte de Edílson Capetinha poucos dias antes da Copa América.

A história começa em 20 de Junho de 1999. Era o jogo de volta da finalíssima do Paulistão entre Corinthians e Palmeiras. O Timão tinha vencido a partida de ida por 3 a 0 e chegava para a derradeira partida com uma enorme vantagem. O Verdão chegou a estar vencendo o duelo de volta por 2 a 1, quando Edílson marcou o gol de empate aos 28 minutos do segundo tempo. 

Com o empate e o título praticamente assegurado, Edílson fez as famosas embaixadinhas em frente ao banco de reservas do Palmeiras, o que acarretou em uma das pancadarias dentro de campo mais lembradas do futebol brasileiro. 

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Acontece, porém, que em 10 dias a seleção brasileira estrearia na Copa América. A repercussão da briga na final foi tão ruim que o técnico do Brasil à época, Vanderlei Luxemburgo, cortou Edílson do elenco que disputaria a competição. "Nao gostei e o Edílson pode ser cortado. Foi uma coisa feia, que deixou o Corinthians numa situaçao delicada e, ainda por cima, com o título manchado. Um profissional nao faz coisas deste tipo", falou Luxa à época.

Para seu lugar foi chamado um garoto de 19 anos, ainda desconhecido do grande público, que atendia pelo apelido de Ronaldinho. O "Gaúcho" seria acrescentado um tempo depois, para diferenciá-lo do Ronaldo, que à época também era chamado de Ronaldinho. 

Foi logo no jogo de estreia do Brasil contra a Venezuela, no dia 30 de Junho, que Ronaldinho saiu do banco de reservas para fazer um dos gols mais bonitos da história da seleção brasileira. O camisa 21 recebeu a bola de Cafu, aplicou um chapéu no defensor, tirou outro com um drible e estufou as redes. O lance rendeu a icônica narração de Galvão Bueno: "olha o que ele fez, olha o que ele fez, olha o que ele fez".

A partir desse momento, surgia uma nova lenda da seleção brasileira e um talismã para o mundo do futebol.

Edílson se mostrou bastante chateado com o corte como punição pela provocação. 

"Não sou santo. Acho que errei, sim, por ter provocado os jogadores do Palmeiras, mas nada justifica a reação deles", falou Edílson à Folha de S.Paulo, e completou falando sobre aquele momento de sua carreira. "Estou muito chateado de não ir para a seleção. Justamente agora, que eu ia me projetar, ia ser titular. Passei a noite inteira acordado por causa disso. De repente, no melhor momento da minha carreira, em uma seleção em que eu tinha tudo para estourar, acontece isso".

Porém, tempos depois, em entrevista ao SporTV , ele reconheceu que aquele episódio foi fundamental para o brilho da carreira de Ronaldinho Gaúcho.

"Eu não sabia que ia dar tanta polêmica, a única coisa boa foi o meu corte da Seleção naquele dia e no meu lugar chamaram o Ronaldinho Gaúcho para disputar a Copa América no meu lugar. Até hoje ele me agradece. A carreira dele nasceu ali", falou o Capetinha.

Leia também