Romário cobra Copa de Neymar: “Não entra na Seleção de 94”

Como sempre, Romário polemizou, gerou discórdia e provocou risadas ao emitir sua opinião sobre diferentes temas dentro do futebol de hoje e daquele jogador em sua época. Em entrevista ao Fox Sports na noite dessa segunda-feira, o Baixinho foi questionado se Neymar teria uma vaga na Seleção Brasileira de 1970, que conquistou o Tricampeonato Mundial e se consagrou com a melhor de todos os tempos. Na resposta, o hoje senador da república cobrou o atual camisa 10 do Brasil.

“Tenho consciência de quem ele tem que ganhar uma Copa para entrar primeiro na (Seleção) de 94, para depois pensar na de 70. Com todo respeito que ele sabe que eu tenho por ele, sou fã dele, acho ele um moleque maneiro, mas, tem que ganhar uma Copa para se colocar. Como o Messi. As pessoas falam: quem é melhor, Maradona ou Messi? Maradona continua sendo pelo o que ele fez com a camisa da seleção argentina”, opinou Romário, que nem por isso deixou de encher a bola do ex-santista quando o tema foi “melhor do mundo”.

“Eu acredito que está chegando a hora do Neymar. O Neymar, para mim, tem feito grandes partidas no Barcelona e na Seleção Brasileira. O Messi é o melhor? É o que tem mais qualidade? É. Mas, se colocar o que ele faz no Barcelona, que é um absurdo, e o que ele faz na Seleção argentina, que está longe de ser o que joga no Barcelona, isso tem que pesar. A forma como a Fifa escolhe, se continuar, aí talvez leve algum tempo para o Neymar. Mas, se fosse pelo o que se faz em Seleção e clube, eu daria (o prêmio) hoje para o Neymar”, cravou.

Apesar de não esconder sua admiração pelo futebol de Lionel Messi e por toda a carreira de Maradona, Romário não fingiu falsa-modéstia e reafirmou que considera que foi melhor do que a dupla argentina quando o assunto é gol.

“Se for colocar dentro da área eu fui bem melhor que os dois. Dentro da área eu sou melhor que eles, sim, e bem longe, com todo respeito e humildade”, disse o melhor jogador do mundo em 1994.

Romário ainda foi além. Não titubeou em dizer que Bebeto foi seu melhor parceiro de ataque, apesar de ter atuado ao lado de grandes craques, e comparou tal entrosamento com aquela que se entende como a maior dupla de ataque de todos os tempos.

“Eu e Bebeto podemos ser comparados a Pelé e Coutinho. Tem gente que não gosta de ouvir, que não ouçam, mas, como dupla nesse nível, eu só vejo Pelé e Coutinho”, polemizou Romário, lembrando dos eternos gênios da bola que brilharam pelo Santos na década de 60.

A conversa ficou um pouco mais séria e ríspida quando Romário topou falar abertamente de algumas decepções e arrependimentos durante sua carreira como atleta. Entre outras coisas, o Baixinho deixou claro que até hoje não engoliu o fato de ter ficado de fora de algumas das maiores competições que o Brasil disputou na sua época de centroavante.

“Por vaidade, talvez babaquice dos treinadores, eu deixei de participar de duas Olimpíadas (1996 e 2000). Vanderlei (Luxemburgo) e Zagallo eram os treinadores. Essas eu tinha certeza, posso afirmar que eu tinha condição de participar. E a Copa de 98, quando me tiraram. E em 2002, que teve aquele monte de história que surgiu. Essas quatro competições eu tenho convicção que eu poderia ter participado”, contou.

Falando mais especificamente sobre o Mundial do Japão e da Coreia do Sul, Romário revelou um arrependimento por não ter tirado a limpo talvez a história que fez com que o técnico Luiz Felipe Scolari o deixasse de fora da lista de convocados. Na ocasião, existiu um boato de que Romário havia dormido com uma aeromoça na véspera de Uruguai e Brasil, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, em março de 2001.

“Eu poderia ter conversado com o Felipão para perguntar por que ele não ia me levar. Se era verdade que o motivo era porque falaram que na noite anterior de Brasil e Uruguai eu tinha saído com uma aeromoça. Ou seja, não conversei com ele, não ‘comi’ a aeromoça e não fui para a Copa do Mundo. Me f… três vezes”, falou, entre risos e lamentação.

“Quem me ‘dedurou’, quem falou que eu fui e passei a noite com a mulher, foi um cara da Seleção, da comissão. E duas pessoas também falaram para o Felipão que eu não tinha feito isso. E, por eu não ter jogador nada e a gente ter perdido (1 a 0), talvez ele tenha acredito”, resumiu Romário.