Roger vê semelhanças com filosofia de Marcão no Fluminense e destaca transição da base com o Sub-23

Luiza Sá
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Apresentado oficialmente neste sábado, o técnico Roger Machado exaltou o trabalho realizado por Marcão, que comandou o time na reta final do Campeonato Brasileiro. O novo comandante enxerga similaridades entre as duas filosofias e admite que isso pode ajudar no início do novo ciclo, já que haverá pouco tempo de preparação para os jogadores. O time principal se reapresenta já na terça-feira, quando inicia a preparação visando a segunda fase da Libertadores. Lembrando que o Flu pode não disputar esta partida caso o Palmeiras seja campeão da Copa do Brasil.

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- O maior desafio é com a quase falta de interrupção. Mesmo com pouco tempo de recesso é conseguir dar qualidade ao treinamento. Tenho certeza que pela similaridade e pela forma que a temporada acabou, com o trabalho brilhante do Marcão, encontrei coisas iguais ao que estava sendo feito e a minha filosofia. Essa é a parte positiva, encontrar um caminho construído. Vamos entender esse treinamento e incluir gradativamente coisas novas. Uma mexida abrupta na equipe pode ser prejudicial ao invés de favorecer um trabalho. Tenho certeza que o que vi em campo se aproxima do que uso como profissional - afirmou o técnico.

Roger ainda comparou os trabalhos feitos por Odair Hellmann e Marcão e ressaltou a importância de um ambiente saudável e de parceria. Ele foi a CT na última quarta-feira e esteve na arquibancada na partida contra o Fortaleza, no Maracanã, pela última rodada do Brasileirão.

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- A construção e continuidade do trabalho do Odair na figura do Marcão mostrou coisas importantes. As estruturas táticas diferentes, mas um time organizado, que consegue entender a proposta do jogo, os elementos inseridos. O que eu gostaria de frisar é o que eu percebi quando cheguei, que na verdade todos os elementos técnicos e táticos foram reproduzidos porque se produz um ambiente diário de cooperação e união dos profissionais. Quando a estrutura que está acima do campo é harmoniosa, isso chega no campo. Vai se traduzir em um ambiente saudável entre os jogadores e em uma colaboração em campo. Isso eu vi nitidamente e entendi a campanha do Brasileirão. O talento do Odair, a continuidade do Marcão com seus detalhes e a união com a experiência da juventude e dos mais maduros. Quando somos jovens, precisamos dos jogadores mais experientes. Não dá para fazer um time apenas com jovens porque precisa do equilíbrio. Pude ver, sobretudo no último jogo, quando vi os mais velhos cobrando ou dando estímulo aos mais jovens.

Roger Machado e Mário Bittencourt - Fluminense
Roger Machado e Mário Bittencourt - Fluminense

Roger, ao lado de Mário (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Quando surgiu no Grêmio, Roger revelou vários jogadores das categorias de base e era conhecido pelo trabalho com os mais jovens. No entanto, o perfil acabou mudando nos trabalhos seguintes. O treinador se mostrou animado para ter os Moleques de Xerém e ressaltou a importância do time Sub-23, que jogará o início do Campeonato Carioca.

- Sempre busquei nos compromissos assumidos trabalhar com uma categoria que fosse o intermediário, que fosse de passagem para o profissional. Como vivo no futebol, nos últimos 20, 15 anos, jogadores cada vez mais jovens são lançados no profissional, muitos deles já amadurecidos tecnicamente e taticamente, mas emocionalmente não. Outros emocionalmente desenvolvidos, mas precisando de lapidação. Sabemos que quando são lançados, o ambiente vai pressioná-los para performance em todos os sentidos. Alguns vão conseguir performar, mas muitos podem ser perdidos nesse processo - explicou.

- Ao me deparar com essa estrutura já montada no Fluminense, sobretudo com a fórmula de estarem próximos ao profissional. Consigo estar junto. Hoje de manhã eu estava vendo o treinamento dos que vão iniciar o Carioca. O atleta precisa de continuidade e performance para se desenvolver. Se passar o ano todo o jovem no profissional só treinando, ele não vai se desenvolver no limite de suas capacidades. Vou prezar sempre por completar esse espaço que falta no futebol brasileiro. Alguns conseguem aos 16, 17 anos aguentar a pressão do profissional, mas são exceções. Não podemos medir as exceções como regras porque podemos desperdiçar talentos - completou.

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JOVENS


Trabalhar com jovens é importante. Não posso ter preconceito com a juventude nem com a experiência. Com 18 anos um corajoso me colocou para jogar e com 34 outro corajoso me manteve jogando, mesmo sendo veterano. Essa mescla é importante. A dupla é quase perfeita.

REFORÇOS

- Tenho certeza que por como acabou o ano, os resultados positivos, me dão a convicção que temos um grupo forte, quase completo. Associando ao grupo a juventude dos meninos de xerém que se mostraram promissores com a experiência de jogadores mais vividos. A parceria é a combinação ideal. A equipe grande está sempre aberta a prospectar talentos, mas diante do conhecimento mais aprimorado do elenco vamos projetar o futuro a médio e longo prazo. Isso partindo do princípio que o que temos neste momento mostrou-se de grande capacidade. Já vamos ver no Estadual com os grandes valores que o clube revela.