Argentino do Monterrey fala sobre pressão que Palmeiras sofre por Mundial: “Aqui não é diferente”

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Rogelio Funes Mori comemora após conquistar a Concacaf Champions League com o Monterrey (Foto: Hector Vivas/Getty Images)
Rogelio Funes Mori comemora após conquistar a Concacaf Champions League com o Monterrey (Foto: Hector Vivas/Getty Images)

Uma das possíveis pedras no caminho do Palmeiras no Mundial deste ano não é fã de entrevistas. Ele nega que seja o caso, mas pode ser trauma de um começo de carreira difícil no River Plate, da Argentina, seu país natal.

Maior artilheiro da história do Monterrey, do México, Rogélio Funes Mori quase levou a equipe à decisão do torneio de 2019, às custas do Liverpool. Fez o gol no que seria o empate em 1 a 1 que levaria a semifinal para a prorrogação. Mas Roberto Firmino marcou no último minuto.

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Funes Mori vai tentar de novo no próximo mês. Para buscar o título mundial, terá de passar pelo Palmeiras.

“Este vai ser um ano muito importante para mim porque há o Mundial de Clubes e a Copa do Mundo. Ainda tenho na cabeça o jogo contra o Liverpool em 2019 e poderíamos ter vencido. Foi uma honra ter participado da semifinal. Se passássemos, teria sido algo histórico. Faltou um pouco de confiança, talvez”, resume.

O Monterrey estreia no torneio em 5 de fevereiro contra o Al Ahly, do Egito. Quem vencer enfrenta o Palmeiras na semifinal.

No ano passado, o alviverde paulista também fez semifinal contra um mexicano. Foi derrotado pelo Tigres por 1 a 0.

“Se eles (do Palmeiras) têm uma pressão para vencer o torneio, para nós não é muito diferente. Há o desejo no México de mostrar que o futebol do país pode competir e vencer qualquer outro. Por isso que, de certa forma, temos orgulho da partida contra o Liverpool. Era considerada a melhor equipe do mundo e os enfrentamos de frente. Se jogarmos contra o Palmeiras, vamos fazer o mesmo”, promete ele, em conversa com o Yahoo Esportes.

Funes Mori espera que a viagem a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, seja apenas a primeira para o Oriente Médio em 2022. Ele tem cinco gols em 12 partidas pelo México, país pelo qual se naturalizou, e tem sido parte integrante da seleção nas eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar. O que, para ele, seria mais uma chance para mostrar que o futebol de sua nação adotiva (embora ele afirme continuar sendo argentino até a alma) é menos valorizado do que deveria.

“A seleção do México tem muito talento. Ainda estamos na busca pela classificação, mas no Qatar, temos os jogadores para ir além das oitavas de final. As oitavas têm sido uma maldição para a seleção”, constata. Foi nesta fase que a equipe caiu em todos os Mundiais desde 1994.

Para Funes Mori, também seria um momento de redenção. Pela Argentina, foi convocado apenas uma vez e não anotou. Seus 127 gols marcados pelo Monterrey a partir de 2015, quando chegou ao clube, o colocaram como um dos maiores ídolos da história da agremiação e o centroavante mais importante do país. Algo bem diferente do que aconteceu quando surgiu no River Plate, há 13 anos.

Um garoto de 18 anos (ele completa 31 em março de 2022), Rogélio foi profissionalizado ao lado do irmão gêmeo, o zagueiro Ramiro Funes Mori (hoje no Al Nassr, da Arábia Saudita).

Era um momento difícil para o tradicional time de Buenos Aires, que culminou no inédito rebaixamento em 2011. O atacante pagou o preço por ser um jovem no meio daquele turbilhão. Ficou quase um ano sem fazer gols, mas ajudou o River a voltar à elite no ano seguinte. Sofreu com vaias da própria torcida e com músicas irônicas cantadas pelos adversários.

Passou por Benfica, de Portugal, e Eskejsehirspor, da Turquia, sem grande sucesso. Até que Antonio Mohamed, novo técnico do Atlético-MG, pediu sua contração para o Monterrey, em 2015. Foi quando sua vida mudou.

“Tenho sido muito feliz aqui. Por isso que quando me perguntam se tenho problemas em jogar pela seleção mexicana, digo que não tenho nenhum. A Argentina é meu país, mas tenho muita gratidão ao México”, explica.

Ele se encontrou não apenas em campo. A vida da família Funes Mori foi feita de constantes mudanças. Como imigrantes ilegais, moraram no Texas, onde os irmãos ganharam um reality show que lhes deveria dar contratos para jogar no Dallas FC, da Major League Soccer. Mas isso nunca aconteceu.

Receberam convite para fazer testes no Chelsea, mas sabiam que se fossem, depois não conseguiriam entrar de novo nos Estados Unidos por causa da falta de visto. Voltaram para Mendoza, na Argentina, cidade dos seus pais, até serem chamados para ir a Buenos Aires treinar com o River Plate. Agradaram, mas não apareceu nenhuma oferta de contrato. Aos 17 anos, decidiram tentar a sorte na Universidad de Chile.

No dia do embarque para Santiago, enfim os dirigentes do River resolveram lhes dar os contratos. Eles ficaram.

Por causa das cobranças e críticas em um dos times mais populares da América do Sul, Rogélio chegou a buscar ajuda psicológica. Por isso conquistar o Mundial pelo Monterrey e depois estar em uma Copa do Mundo, mesmo que pelo México, significaria muito.

“Na liga mexicana, sei que somos a equipe mais forte e parece que contra nós, os adversários se empenham mais. Agora temos esse objetivo de ir além no Mundial. E se vamos até lá, pensamos em título, claro, superando em quem aparecer pelo caminho”, finaliza.

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