Rodrigo Maia defende limite de militares no governo

Colaboradores Yahoo Notícias
·2 minuto de leitura
Brazilian President Jair Bolsonaro walks past the President of the Chamber of Deputies Rodrigo Maia during an official ceremony at the presidential office in Brasilia on June 17, 2020. (Photo by Sergio LIMA / AFP) (Photo by SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) mostrou preocupação com o avanço dos militares no governo Bolsonaro e defendeu um limite na atuação das Forças Armadas.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o parlamentar cobrou um “muro” entre o governo e a ala militar, que comanda 11 dos 26 ministérios de Bolsonaro.

“É importante separar o Estado e o governo. As Forças Armadas estão no Estado. Os gestores públicos, os ministros, o presidente estão no governo. É importante que fique claro que há um muro. Não é algo contra os militares que estão no governo Bolsonaro, mas esse debate vai acontecer, no mínimo, para o próximo governo, para que fique clara essa separação”, afirmou Maia.

Leia também:

Embora se preocupe o avanço militar no governo Bolsonaro, o presidente da Câmara exime de culpa o general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde, pelas 100 mil mortes por coronavírus registradas no Brasil.

“Eu não acho que o Pazuello tenha sido a melhor escolha, mas não podemos culpá-lo também pelas 100 mil mortes. É claro que há falta de articulação com os governadores e conflitos por causa de posicionamentos equivocados. Isso pode ter prejudicado, certamente, mas transferir 100% dessa responsabilidade para o ministro está errado”, analisou.

A seis meses de deixar a Presidência da Câmara, Maia admitiu dificuldade no avanço da reforma administrativa (“O debate está interditado desde o ano passado”), porém se manteve otimista para a aprovação da reforma tributária e rebateu o ministro da Economia, Paulo Guedes, que se mostrou incomodado com as comparações do novo tributo sobre movimentações financeiras com a CPMF.

“Enquanto ele não apresentar proposta, é um direito legítimo de todo mundo achar que tem cara de CPMF, está tudo parecendo uma CPMF e com as isenções vai virar um adicional de imposto que a sociedade vai pagar. Não é tão simples criar uma receita com imposto cumulativo e não gerar danos na economia brasileira”, declarou o deputado.