Rodrigo Calvozzo: Reinado de Messi ameaçado

Ninguém em sã consciência é capaz de dizer que o feito do Barcelona na Champions League foi algo normal. Atropelar um rival do nível do Paris Saint-Germain sob a pressão que o time vivia é coisa para poucos. Apenas uma equipe tida como mágica conseguiria fazer algo semelhante.

Mas vamos falar com sinceridade, quem foi o principal responsável por esse milagre?

Sim, ao contrário do que estamos habituados a ver em partidas épicas, o principal nome da equipe catalã, Lionel Messi, foi um jogador normal, capaz apenas de fazer o que qualquer bom jogador faria. E sejamos francos, não é isso que esperamos de um craque com a fama dele.

É bem verdade que todo atleta tem o seu dia ruim, aquele que nada dá certo. Porém, se tratando de Messi isso é algo constante quando ele é colocado sob pressão. Até então, os fãs do camisa 10 apontavam o dedo contra a Seleção Argentina, dizendo que suas sucessivas falhas por lá eram culpa da Albiceleste.

Neymar Barcelona PSG Champions League 08 03 2017



Para sorte dos catalães, Neymar tratou de assumir o posto de protagonista contra os franceses e supriu a deficiência de Messi. Por outro lado, esse fato abre um precedente perigoso para o futuro do astro argentino, que ao que tudo indica, pela primeira vez passa a ter uma sombra em seu reinado.

Neymar pode até não ser tão genial quanto Messi, pelo menos por enquanto. Porém é um cara de muita estrela e que quando cobrado costuma dar retorno, diferentemente do seu companheiro. Você deve estar questionando esta afirmação, se lembrando dos vacilos de Neymar pela Seleção, quando foi expulso na Copa América de 2015, no Chile, por exemplo. Isso é verdade, mas de lá pra cá já se passaram alguns anos e ao contrário do hermano, ele ao que tudo indica está tirando lições com seus erros e amadurecendo. Vide a conquista da medalha de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Certa vez fiz comparação semelhante entre Messi e Cristiano Ronaldo, em suas respectivas seleções. Porém agora, no caso de Neymar, isso se torna ainda mais evidente, pois os dois atuam lado a lado e essa análise fica ainda mais fácil, apesar de jamais ter tido dúvida em colocar o português acima de seu grande rival.

Graças ao feito heroico de Neymar, Messi ganhou de lambuja a chance de mostrar que pode ser um verdadeiro líder na campanha da Champions League e nas rodadas finais da La Liga. Mas conhecendo o seu perfil, é possível que ele veja o crescimento da influência do brasileiro como um perigo e foque todo seu esforço no aspecto individual para provar que ainda é o soberano no Camp Nou.

Se isso de fato acontecer, Messi entraria para a história como um gênio, mas longe de ser o melhor de todos os tempos. Ficaria muito abaixo de Pelé (que aos 17 anos liderou o Brasil em 1958), Garrincha (que fez o mesmo em 1962) e até mesmo Maradona (que levou a sua Argentina praticamente sozinho ao topo do mundo em 1986).

Esta reta final de temporada, pode ser determinante para o que falaremos de Lionel nos próximos anos.