Rodrigo Caio foi enorme, mas a tristeza é saber que o gesto de livrar Jô do amarelo é exceção

Fernando Graziani
Rodrigo Caio. Gazeta Press.

Quando Rodrigo Caio, jogando em casa e diante de 45 mil pessoas, avisou ao árbitro Luiz Flávio de Oliveira, aos 39 minutos do primeiro tempo, que foi ele quem pisou no goleiro Renan Ribeiro, seu colega de São Paulo, e não o atacante Jô, do Corinthians, automaticamente o zagueiro livrou o jogador rival do cartão amarelo que o tiraria da partida da volta das semifinais do Paulistão.

No intervalo e também após a confronto no Morumbi, muitos atletas do Corinthians se manifestaram, especialmente o próprio Jô e também Jadson, que trabalhou com Rodrigo Caio no São Paulo. O gesto, corretíssimo, foi extremamente elogiado pela imprensa e nas redes sociais, ganhando contornos quase heroicos, justamente por ser exceção em um esporte que o normal é sempre levar vantagem em tudo, independente do que seja justo ou não. Essa é a constatação desanimadora, portanto.

Provavelmente não é o que vai ocorrer, mas seria bacana demais que a atitude de Rodrigo Caio (que disse “não fiz nada demais, fiz só o que deveria fazer”) servisse como exemplo real da busca por correção especialmente em situações que permitam ao jogador, no decorrer da partida, interferir positivamente diante de equívocos do árbitro. Teríamos um futebol bem mais justo e bonito.