Robinho critica, mas a gente só agradece pelo feminismo

Marcela De Mingo
·4 minuto de leitura
Women protesting with friends for equal rights in city against sky
As vitórias do feminismo vão do direito ao voto até o básico poder trabalhar sem pedir a permissão do marido. (Foto: Getty Creative)

O jogador Robinho segue sendo o assunto nas redes sociais e em boa parte da internet com o que tem dito e feito desde que foi re-contratado (e depois descontratado) pelo Santos, enquanto condenado em primeira instância em um caso de violência sexual na Itália. Na polêmica mais recente, ele reclamou sobre o feminismo, mas a gente, por outro lado, só tem a agradecer por ele.

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"Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres, às vezes, não são nem mulheres, para falar o português claro", disse ele em entrevista exclusiva ao UOL. Não é incomum vermos críticas ao feminismo - especialmente vindas dos homens. No entanto, há um motivo para ele ser um incômodo tão grande para aqueles que não o compreendem: ele tem como objetivo gerar uma mudança significativa na organização da sociedade como a conhecemos hoje.

Parece que o feminismo surgiu agora, uma palavra que apareceu nos últimos anos, desenvolvida com o único objetivo de colocar homens e mulheres uns contra os outros (ou pior, de gerar um movimento de ódio aos homens). Mas o feminismo é muito mais antigo do que se pensa e, graças à ele, as mulheres conquistaram direitos importantes (senão básicos), ao longo da história. Veja alguns abaixo:

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1.Direito ao voto

Você já ouviu falar do sufrágio feminino? Pois é, depois de anos de luta e busca por mudanças sociais, em 1918 (pouco mais de um século atrás), as mulheres conquistaram o direito de voto na Inglaterra. Esse não foi um movimento simples, nem fácil, porém gigante, e ganhar esse direito significava que, agora, a decisão política não ficava mais só nas mãos de uma parte da população (os homens), mas de toda ela. No Brasil, essa decisão demorou um pouco mais para chegar: as mulheres votam desde 1932, um direito previsto na própria Constituição. Bertha Lutz foi uma das responsáveis pelo movimento sufragista por aqui e conquistou uma cadeira na Câmera Federal, onde continuou lutando por igualdade de direitos entre as mulheres.

2.Direitos Iguais

Por mais que a prática ainda seja distante disso, foi em 1945 que a Organização das Nações Unidas, um dos órgãos globais mais importantes, assinou uma carta reconhecendo a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Por mais que esse pareça um dos reconhecimentos mais básicos que existam, é fato que faz apenas 75 anos que essa carta foi publicada - apenas 3 anos a mais do que a expectativa de vida atual de um homem, e 4 anos a menos do que a expectativa de vida de uma mulher.

3.Pílula Anticoncepcional

Sabia que até a década de 1960, as mulheres não tinham ferramentas pra evitar uma gravidez, caso quisessem? Pois é, a pílula anticoncepcional foi criada e comercializada só a partir da década de 1960 - e você pode imaginar a revolução que foi uma mulher ter a opção de evitar engravidar quando, até então, muito da sua função na sociedade era atrelada ao fato de ter e cuidar dos filhos.

4.Estatuto da Mulher Casada

Hoje em dia, você vê alguma mulher no Brasil pedindo permissão do marido para trabalhar? Salvo casos extremos de relacionamentos muito abusivos, isso é simplesmente impossível - e proibido por lei. Em 1967 foi aprovado o Estatuto da Mulher Casada, que permitia que mulheres casadas trabalhassem sem a necessidade de pedir autorização para o marido - também dava à elas o direito à herança e a possibilidade de manter a guarda dos filhos em caso de separação. Foi nesse ano também que a pílula anticoncepcional desembarcou por aqui, o que ajudou a estimular a conversa sobre a sexualidade feminina.

5.Lei Maria da Penha

Essa é uma vitória clássica (e muito importante!) do feminismo: a Lei Maria da Penha, a primeira no Brasil a reconhecer e criminalizar os mecanismos de violência doméstica por aqui. Quer saber uma informação chocante? Considerando os números altíssimos de casos de violência que existem no Brasil (segundo dados de 2019, mais de 1,3 milhões de mulheres são agredidas anualmente por aqui), essa lei foi aprovada e posta em prática apenas em 2006. Ou seja, 14 anos atrás.

6.Feminicídio como crime hediondo

Nove anos depois da Lei Maria da Penha, em 2015, veio a aprovação Lei do Feminicídio que, aqui no Brasil, passava a ver o assassinato de mulheres por conta do gênero (pense em crimes como aquele em que o ex-marido assassina a ex-esposa por vingança da separação) como crime hediondo.