Em nove anos, River Plate muda sua história e sonha com novo estádio

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Rodolfo D'Onofrio, presidente do River Plate. (Foto: Manu Reino/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Rodolfo D'Onofrio, presidente do River Plate. (Foto: Manu Reino/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

A torcida do River Plate adotou a frase “o maior da Argentina” para responder ao “metade mais um” do arquirrival Boca Juniors. Hoje é um slogan possível de acreditar.

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Nos últimos quatro anos, o River conquistou duas vezes a Copa Libertadores (em 2015 e 2018), torneio que lhe rendeu nos anos 1970 o apelido de “galinha” por sempre amarelar no momento decisivo. Entre 2014 e 2019, a equipe venceu nove títulos.

“O River Plate conseguiu mudar a sua história dentro da mesma década de maneira incrível. Se você me dissesse, em 2011, que oito anos depois o time ganharia esta quantidade de títulos, diria que estava louco. Mas fico extremamente feliz que isso tenha acontecido”, afirma Matías Almeyda, ex-volante e técnico do clube, hoje em dia no San Jose Earthquakes, da Major League Soccer.

Ídolo histórico do River, Almeyda pendurou as chuteiras em 2011 quando o impensável aconteceu: após sequência de temporadas ruins, mesmo com treinadores que estão agora entre os mais badalados do futebol mundial (um deles, Diego Simeone), a equipe foi rebaixada para a segunda divisão. Até hoje a torcida do Boca zomba o adversário com imagens de fantasmas com a letra “B”, já que a divisão de acesso no país se chama “B Nacional”.

A diretoria do River também vivia às turras com Julio Grondona, que parecia ser o eterno presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino). Ele ficou no cargo de 1979 até morrer, em 2014.

Era época em que o River Plate, apesar de ter jogadores jovens e talentosos, como Erik Lamela (hoje no Tottenham Hotspur) e Roberto Pereyra (no Watford), vivia caos dentro e fora de campo. Dividido entre os sócios, com um presidente de traços ditatoriais (o campeão do mundo Daniel Passarella) e barras bravas entre os mais violentos da Argentina, parecia que o time estava afundando. A dívida era de US$ 110 milhões e não havia dinheiro para pagar.

A virada começou em 2013, com a eleição de Rodolfo D’Onofrio e tomou forma no ano seguinte, quando Ramon Díaz deixou o comando da equipe. O substituto escolhido foi Marcelo Gallardo, outro dos maiores ídolos da história do clube de Nuñez (embora se diga que o estádio Monumental fique, na verdade, no bairro de Belgrano).

D’Onofrio contratou um headhunter para encontrar gerentes porque tudo era feito pelo presidente, que concentrava todas as decisões.

“Aquilo era inviável. Não havia como uma pessoa ficar responsável por tudo em um clube do tamanho do River. Quando chegamos, foi preciso fazer plano financeiro de emergência para manter o clube em funcionamento. Criamos bônus para a iniciativa privada com valor mínimo de US$ 100 mil cada e prazo de pagamento de três anos. Isso nos deu um fôlego”, afirma D’Onofrio, que disse ao Yahoo Esportes que nem sua família gostou da ideia dele ser presidente.

“Meus amigos disseram que eu estava maluco!”, completa.

No final de 2017, a receita do River Plate havia crescido 500% e a dívida, acabado. Passou a haver dinheiro também para contratar reforços de peso. Nas duas últimas temporadas, o clube gastou US$ 38 milhões em novos jogadores. É o mesmo valor investido em contratações nos 15 anos anteriores.

A transformação em campo ficou em campo da filosofia implantada por Gallardo, o “muñeco” (boneco) ou Napoleão. Em sua primeira temporada, em 2014, o River Plate conquistou a Copa Sul-Americana, acabando com jejum de 17 anos sem um título continental.

Ele passou a ter controle sobre tudo o que acontece no futebol do clube e, credenciado pelos resultados, colocou seu pensamento das categorias de base ao profissional. Qualquer oposição a dar-lhe o controle acabou com a conquista da Libertadores de 2015.

Nesta década, o River venceu 11 títulos, recorde da sua história na era profissional do futebol argentino, iniciada em 1930. Nove foram ganhados com Gallardo no comando.

“Conseguimos o que queríamos, que era deixar o torcedor feliz. Não só pelos resultados em campo, mas pelos rumos que o clube tomou e eles veem isso”, completa D’Onofrio, que mantém uma herança dos tempos de Passarella: não tem boa relação com o comando da AFA.

O próximo sonho da dupla D’Onofrio-Gallardo é polêmica até mesmo para a torcida do River: deixar o Monumental de Nuñez. Há um projeto para construir outro estádio, a cerca de 600 metros do local onde está o campo atual. A capacidade pularia de 60 mil para 85 mil pessoas.

Nisso, ele também corre contra o Boca Juniors. O presidente Daniel Angellici também quer erguer uma nova La Bombonera.

“Nós adoramos o Monumental. É a nossa casa. Mas é um estádio velho e defasado em pelo menos 30 anos. Acho que precisamos mudar. Ter um novo estádio é possível, mas quem vai decidir isso são os sócios. Acho que é possível”, finaliza D’Onofrio.

Em 2011, isso seria um projeto impossível. Oito anos depois, pode ser bem real.

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