Rivalidade histórica decide título do Mundial de Surfe

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Nos momentos mais importantes de suas carreiras, Julian Wilson (a dir.) e Gabriel Medina (centro) estiveram juntos (WSL/Kristin Scholtz)
Nos momentos mais importantes de suas carreiras, Julian Wilson (a dir.) e Gabriel Medina (centro) estiveram juntos (WSL/Kristin Scholtz)

Por Emanoel Araújo e Guilherme Daolio

Dois títulos no ano para cada um. O trio Gabriel Medina, Julian Wilson e Filipe Toledo fazem de 2018 o melhor ano de suas carreiras. Apenas o líder do ranking Medina repete o aproveitamento de vitórias em baterias (76,47%) de 2014, ano em que foi campeão mundial.

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Só Julian Wilson venceu tanto quanto Gabriel Medina na temporada – foram 26 vitórias em 32 baterias. No entanto, não são os números que colocam o australiano empatado no ranking, mas à frente de Filipe Toledo na disputa. No duelo entre Medina e Wilson o histórico de duelos fala mais alto. Uma disputa marcada por reviravoltas e muita polêmica.

Apesar disso, o placar está desfavorável ao brasileiro: em 13 encontros, ele perdeu oito vezes. Entre as derrotas e vitórias, relatos emocionantes que se repetem de tempos em tempos.

2011: Onde tudo começou

As ondas da praia de Ericeira, em Portugal, foram palco desse primeiro encontro. Na única final entre os dois pela Divisão de Acesso, o brasileiro mostrou ao mundo, que ainda duvidava do garoto, todo seu potencial. O australiano, que na época já estava na elite, usou a experiência e surfou pensando apenas no critério dos juízes.

Apesar da boa apresentação em Portugal, Medina ficou com o 2º lugar,  perdendo por combinação de notas (19.37 x 12.83).

Durante todo o evento fazendo notas acima dos 9 pontos, Gabriel Medina fez a sua pior pontuação na final (ASP Europa/Aquashot)
Durante todo o evento fazendo notas acima dos 9 pontos, Gabriel Medina fez a sua pior pontuação na final (ASP Europa/Aquashot)

Na França, o troco

No segundo semestre de 2011, enfim a promessa se realizou e Gabriel Medina chegou ao Circuito dos Sonhos. No caminho ate a final, deixou pra trás a lenda do surfe, Kelly Slater. A vitória sobre Julian Wilson veio com uma nota 9.17 no último minuto de bateria.

O clima esquenta

No reencontro entre os dois, a final mais polêmica. A decisão da etapa de Portugal em 2012, foi o ponto de partida de uma história polêmica.

Gabriel Medina liderava a bateria até os últimos minutos. No entanto, Julian Wilson encontrou uma onda que, segundo ele mesmo, “achava que valeria um sete e pouco”.

Os juízes concederam 8.43, nota que já era suficiente para superar o brasileiro, que saiu na bronca com os juízes.

“É a terceira vez que eles [juízes] erram comigo”

Gabriel Medina –Vice-campeão em Portugal.

Até mesmo o companheiro de WCT, Fred Patacchia se declarou enojado com a decisão dos juízes.

Mesmo palco, resultado diferente

O ano de 2017 presenciou confrontos que mais pareciam do início da década. Mais uma vez, a rivalidade estava em pé de igualdade. Se no Taiti Julian Wilson virou na última onda, a apenas três minutos do final…

 

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💪🏼🤙🏼💪🏼 #billabongprotahiti @wsl

Uma publicação compartilhada por Julian Wilson (@julian_wilson) em 13 de Ago, 2017 às 8:17 PDT

… em Portugal Medina teve a chance de uma revanche.

O australiano seguiu a frente do placar durante 32 minutos da grande decisão. Quando ele mesmo não acreditava que Medina faria algo, o brasileiro, a três minutos de tocar a sirene, virou a bateria:

Pipemasters

A próxima e decisiva etapa do Mundial de Surfe (de 8 a 20 de dezembro) também traz boas lembranças para a dupla.

Para Medina, a final no Havaí foi uma coroação do inédito título que começou com uma nota 10 na primeira onda surfada.

Do outro lado da decisão tinha Julian Wilson, que também já comemorava o título da Tríplice Coroa.

Como bons rivais, se vencer significava ofuscar o brilho da conquista do outro, o que se viu em Pipeline foi uma final a altura dos oponentes históricos.

Festa no pódio de lado a lado. Mas neste ano só um poderá comemorar no palanque da rainha dos mares, a mítica Pipeline. As combinações para Medina levantar a taça são melhores do que para Julian e também Filipe Toledo:

  • 1º ou 2º (final): Vence o título mundial

  • 3º (semifinal): Julian Wilson e Filipe Toledo precisam do 1º lugar

  • De 5º a 25º (entre 2ª fase e quartas de final): Julian Wilson e Filipe Toledo precisam ir à final do Pipemasters

Com tanta história e rivalidade em jogo, o Yahoo Esportes estará lá no Havaí para acompanhar in loco mais esse capítulo do duelo entre Gabriel Medina e Julian Wilson.

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