Rivalidade entre Grêmio e Palmeiras quase foi resolvida em uma boate

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Dinho dando carrinho em cima de Flávio Conceição (Gazeta Press)
Dinho dando carrinho em cima de Flávio Conceição (Gazeta Press)

Sempre que um jornalista ligou para Dinho nos últimos dias, ele já logo disse saber do que se tratava.

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“É sobre o Palmeiras, não é?”

O volante foi um dos principais nomes de uma das maiores rivalidades da história do futebol brasileiro. Raiva tão grande que ultrapassava as quatro linhas e não se esquecia com o passar dos anos.

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“Hoje em dia já passou. Não tem mais o que dizer sobre isso. Mas naquela época, foi algo muito forte. Eram duas equipes que tinham uma rivalidade enorme”, concorda o meia Válber.

O momento mais lembrado da animosidade foi a briga que os dois jogadores protagonizaram no estádio Olímpico, nas quartas de final da Libertadores de 1995. Uma batalha campal que durou mais de cinco minutos e terminou com a expulsão dos dois jogadores. Depois de saírem de campo, Dinho foi atrás de Válber e recomeçou a briga, que passou a envolver integrantes dos dois times.

Em campo, depois de vencer por 5 a 0 em Porto Alegre e perder por 5 a 1 no Palestra Itália, o Grêmio se classificou e terminaria campeão daquele ano do torneio continental.

Nesta terça (27), o Palmeiras tem a vantagem de ter vencido no Sul por 1 a 0 e decide a vaga para a semifinal no Allianz Parque contra os gaúchos.

A rivalidade nos anos 1990 foi turbinada também por confrontos nas quartas da Copa do Brasil de 1993 e do Brasileiro de 1996. O Grêmio levou a melhor em todas elas. Mas a imagem mais lembrada é a briga entre Dinho e Válber em 1995, iniciada por um soco que o palmeirense deu no adversário. O goleiro Danrlei afirma que, na época, Luiz Felipe Scolari (hoje técnico do Palmeiras) não gostava nem que os jogadores da equipe gaúcha cumprimentassem o adversário.

“É um assunto que hoje em dia, mesmo tanto tempo depois, quando lembro ainda mexe comigo”, afirma Dinho.

Se a rivalidade entre Palmeiras e Grêmio marcou época, a raiva entre os dois jogadores permaneceu muito tempo após os jogos. Dez anos depois, em 2005, Dinho estava em uma boate em Porto Alegre com amigos quando viu Válber entrando.

“Assim que vi o Dinho fiquei com receio, mas ele passou por mim e me cumprimentou. Então achei que estava tudo bem”, relembra o meia que fez parte do carrossel caipira do Mogi Mirim ao lado de Rivaldo e Leto e depois passou por Corinthians e Palmeiras.

O volante gremista tem a história viva na memória, embora não seja grande fã em lembrá-la. No início reticente em comentar o assunto, acrescenta detalhes apenas se instigado pelo entrevistador.

“Faz tanto tempo...”, desconversa.

Depois de alguma insistência, reconhece que é verdade, cumprimentou Válber ao vê-lo entrar na boate. Era tentativa de esquecer a briga de 1995 e a raiva que tinha do Palmeiras.

“Com o passar do tempo, foi me dando uma raiva… Pensei: ‘pô, o que esse cara está fazendo aqui, na minha área’. Tentei esquecer, mas o sentimento foi aumentando e aumentando. Quando vi que o Válber levantou para ir no banheiro, fui atrás”, confessa.

Dinho encarou o desafeto na porta do banheiro.

“Eu falei para ele parar com aquilo. Nem jogadores éramos mais, já tínhamos parado”, diz Válber.

Dinho não queria conversa e a confusão de uma década antes recomeçou, de novo em Porto Alegre, mas longe de um estádio de futebol.

Os dois não saíram no tapa mais uma vez por causa da intervenção de seguranças da casa, que separaram a dupla. Isso só aumentou a raiva de Dinho porque, segundo ele, Válber começou a xingá-lo quando passou a ter a proteção de funcionários da boate.

“Aí que eu queria pegá-lo mesmo”, se diverte hoje em dia.

Válber ficou chocado com uma raiva guardada por tanto tempo. O próprio Dinho se surpreendeu por ter reagido daquela forma. Amigos em comum fizeram uma churrascada em 2008 para que os dois conversassem e se entendessem. O que aconteceu.

“Isso mostra o que era aquela rivalidade entre Grêmio e Palmeiras. Se você perguntar para os jogadores dos dois times da época, eles vão dizer que havia realmente raiva”, afirma Dinho.

Então os quase inimigos Dinho e Válber hoje são amigos?

“Se a gente se encontrar não vai sair no braço. Mas amigos não somos, claro”, avisa Válber.

“Amigos? Não”, concorda Dinho.

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