Rival esquece selinho de Sheik antes de reencontro com o Corinthians

Remanescente dos dois únicos confrontos com o Corinthians na história do Luverdense, o presidente Helmute Lawisch continua com o riso fácil de quando a sua equipe foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Brasil pelo time paulista, em 2013. A memória só falha quando o assunto é a polêmica que ele criou com o atacante Emerson Sheik em meio àquelas partidas.

“Não me lembro”, disse Helmute, às gargalhadas, em uma conversa por telefone com a Gazeta Esportiva. Há quatro anos, ele havia se juntado aos torcedores corintianos que repudiaram Emerson por uma fotografia publicada em uma rede social – o atacante aparecia estalando um beijo nos lábios do amigo Isaac Azar, proprietário do restaurante Paris 6, para comemorar uma vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba.

De acordo com o pensamento do presidente do Luverdense na época, “o Sheik estava desestabilizado, pois joga em um time de macho e teve uma atitude daquela”. Helmute ainda complementou: “Sou da moda antiga. Ou seja, homem é homem. Cada um tem as suas opções, mas acho que a torcida corintiana não vai aceitar”.

“Eu falei isso?”, surpreendeu-se Helmute, ainda rindo, mas com a cautela de quem terá novamente o Corinthians como rival na Copa do Brasil. Os duelos serão nesta quinta-feira, na Arena Pantanal, e na próxima, em Itaquera. “Deixa o Sheik quieto. Deixa ele para lá, fazendo o que quiser. E não é falinha que ajuda a ganhar ou perder jogo”, discursou.

Em 2013, no entanto, foi difícil deixar o Sheik quieto. O irreverente jogador realmente enervou alguns torcedores por causa do seu famoso selinho e entrou em campo apenas no segundo tempo do primeiro jogo da história entre Luverdense e Corinthians, substituindo Alexandre Pato. Foi expulso por se desentender com o zagueiro Zé Roberto pouco depois e viu a sua equipe acabar derrotada por 1 a 0, com gol de Misael.

“Só sei que o nosso capitão travou o Emerson. Falou algumas, que ninguém deveria se achar porque joga em um Corinthians ou em um Flamengo”, divertiu-se Helmute Lawisch, recobrando a memória. Sem Emerson Sheik no jogo de volta, no Pacaembu, o Corinthians conseguiu se recuperar e bater o Luverdense por 2 a 0, com um gol de Pato, de falta, e outro do lateral esquerdo Fábio Santos.

“Não nos classificamos, mas o jogo contra o Corinthians foi a maior festa da história do município de Lucas do Rio Verde. Parou a cidade. Foi muito gratificante para nós. Ali, criamos condições para ascender à Série B. Falei no vestiário para os jogadores que, se ganhamos dos campeões do mundo (o time de Tite havia conquistado o Mundial em 2012), poderíamos ganhar de qualquer um”, recordou o presidente do clube mato-grossense. “Mas os nossos acessos foram mais importantes do que ganhar do Corinthians. Isso é o que realmente vale para nós”, ponderou.

Em 2017, o Luverdense adquiriu uma nova chance de fazer história diante do Corinthians. Helmute Lawisch só não concorda que a missão seja mais fácil desta vez, embora o próprio técnico corintiano Fábio Carille tenha definido aquele time de Emerson Sheik como “muito melhor” do que o seu atual. “É o mesmo Corinthians de sempre. Não mudou o CNPJ. Estamos preparados para eles virem mordendo, para enfrentar o pior”, contrariou.

Do outro lado, o Luverdense também manteve o seu CNPJ. “Não existe jogo jogado, derrota antes da hora. Só o peru morre de véspera. Então, dá para encarar. Mas tenho espelho em casa e sei que vamos jogar contra um grande clube, de expressão, que complicará muito a partida”, respeitou Helmute.

Nem mesmo os problemas recentes do Corinthians na Copa do Brasil mudaram a opinião do rival. Contra o Brusque, em duelo decidido em jogo único, a equipe paulista foi a campo desconcentrada, amargou um empate por 0 a 0 e sofreu para se classificar na disputa por pênaltis. “Entendo um pouco do carteado e sei que aquilo aconteceu por causa das condições do campo de jogo. Não era uma arena”, palpitou o presidente do Luverdense.

Helmute tinha a possibilidade de também atrapalhar a fluência do futebol do Corinthians com a realização do confronto deste meio de semana no acanhado Estádio Municipal Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde. Preferiu a Arena Pantanal. “A gente não iria passar vergonha com a nossa estrutura em hipótese alguma. Um jogo com essa dimensão tem que ser respeitado. Muita gente queria estar no nosso lugar, como os homens de Santa Catarina”, orgulhou-se, com a vitória nos pênaltis sobre o Avaí, na fase anterior da Copa do Brasil, em mente.

Um jogo contra o Corinthians, com ou sem Emerson Sheik, também representa uma oportunidade para colocar o Luverdense, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, em evidência. Antes de desligar o telefone, Helmute Lawisch fez questão de ressaltar que prioriza o aproveitamento dos jovens de suas categorias de base e de atletas do Mato Grosso – até o técnico Odil Soares é formado pelo clube. “Queremos provar que também é possível fazer um grande trabalho fora do eixo Rio-São Paulo”, concluiu o rival corintiano.